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06/12/2007

Sob nova direção, Miramax ainda arrebata prêmios

The New York Times
David Carr
Em Nova York
A sede da Miramax no SoHo, com seu pé direito alto, piso de madeira e uma vista do 15º andar de Nova York é bela, apesar de discreta. É um escritório satélite da Miramax anterior, muito maior. Certamente, não parece Hollywood, mas transmite as funções de apoio que costumava abrigar.

O ambiente é notavelmente diferente da antiga sede da Miramax durante o antigo regime, mais para o centro da cidade, em TriBeCa. Com o lobby eletrizado pela presença de talentos classe A -seja Gwyneth ou Nicole- a energia cinética dos irmãos Weinstein dava ao espaço uma espécie de crepitar, com pessoas correndo, movidas pelo temor ou por possibilidades.

A Miramax talvez seja uma organização mais calma e menor sob Daniel Battsek, que no verão de 2005 assumiu a companhia que Harvey e Bob Weinstein batizaram com o nome de seus pais e construíram com as próprias mãos. Ainda assim, o estúdio continuou no centro da disputa por prêmios.

Rob Bennett/The New York Times 
Daniel Battsek assumiu no verão de 2005 a companhia criada por Harvey e Bob Weinstein

Battsek, 49, um britânico de fala mansa cujo primeiro emprego significativo na indústria foi a divisão internacional da Miramax, não faz esforços para se distanciar do legado dos Weinstein. E por que deveria? Sob os Weinstein, a Miramax concorreu na categoria de melhor filme 11 anos seguidos a partir de 1992, teve 249 nomeações e conquistou 60 Oscars, incluindo três de melhor filme. É uma carreira sem rival, mas Battsek está fazendo um bom papel em acompanhá-la. Em 2005, seu primeiro ano dirigindo a empresa, "Tsotsi" venceu na categoria de melhor filme estrangeiro. No ano passado, "A Rainha" reuniu seis nomeações (inclusive melhor filme) e um Oscar para Helen Mirren como melhor atriz, enquanto Peter O'Toole foi nomeado melhor ator por "Vênus".

E este ano também parece promissor. Na quarta-feira (05/12), o Conselho Nacional de Revisão nomeou o "No Country for Old Men" como melhor filme e "The Diving Bell and the Butterfly" como melhor filme estrangeiro. Amy Ryan foi indicada como melhor atriz coadjuvante por seu papel como mãe com conflitos em "Gone Baby Gone", e Ben Affleck foi premiado como melhor diretor iniciante pelo filme.

"A marca está em ótima forma", disse Battsek no final de novembro, sentado em um escritório modesto que não tem mesa, muito menos um trono. "Harvey e Bob fizeram-na assim, e devo muito a eles."

(Os Weinstein devolveram o elogio, dizendo, por um porta-voz: "Temos orgulho do legado que criamos na Miramax e achamos que Daniel fez um trabalho maravilhoso.")

No início de um filme da Miramax, aparece o horizonte familiar de Nova York. O logotipo dos anos de Weinstein não foi modificado, mas a empresa por trás dele sofreu algumas mudanças.

A Miramax já teve mais de 400 funcionários e lançou dezenas de filmes por ano, tanto filmes de arte, como "sexo, mentiras e videotape", quanto filmes de grande orçamento, como "Cold Mountain" e "Gangues de Nova York". Agora esse estúdio butique emprega menos de 100 pessoas e lança entre oito a 10 filmes por ano, com orçamentos abaixo de US$ 20 milhões (cerca de R$ 40 milhões) e muitos de bem menos que isso. O orçamento anual da empresa é de aproximadamente US$ 300 milhões (em torno de R$ 600 milhões); sob os irmãos Weinstein, o orçamento da Miramax era de cerca de US$ 700 milhões (ou R$ 1,4 bilhão) por ano.

"Há uma disciplina que se consegue ao trabalhar com fundos limitados", disse Battsek. "Temos um número limitado de vagas, então fazemos escolhas cuidadosas, e sou responsável por controlar as coisas."

Richard W. Cook, diretor da Walt Disney Studios, disse de Battsek: "Nada disso nos surpreende. Conhecemos Daniel faz tempo e sabíamos que ele possuía o gosto, intelecto e energia criativa para ser um sucesso nesse emprego."

A Miramax não tem mais um relacionamento contencioso com sua proprietária, Walt Disney Co., que eventualmente resultou na saída dos Weinstein, em 2005.

Sob Battsek, a Miramax mostrou uma predileção por adaptações literárias, muitas vezes casadas com grandes nomes, mas sem os orçamentos correspondentes. Entre os filmes da Miramax para o ano que vem estão "Blindness", baseado no romance de José Saramago; "Doubt", versão de John Patrick Shanley de sua peça com Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams; e "Brideshead Revisited", com Emma Thompson.

A postura de Battsek ajudou-o a cruzar o oceano sem muita turbulência. "Ele não tenta agir como chefão e por isso ele fez a transição para o mercado americano parecer fácil, o que não é", disse Bingham Ray, executivo antigo dos filmes indianos que supervisiona a distribuição da Sidney Kimmel Entertainment.

Battsek ficaria feliz em dirigir a empresa sem ficar fiscalizando os diretores. "Não sou uma pessoa feliz em um cenário de filme", disse ele. "Sou muito confortável com uma variedade ampla de pessoas, mas não sou levado por um desejo de ter um número de pessoas famosas como amigos. Quero fortes relacionamentos com as pessoas que estamos trabalhando, mas é só até aí que vai."

No entanto, como está no cinema, algumas vezes os holofotes o encontram. Em recente prêmio Gotham, Jonathan Sehring, presidente da IFC Entertainment e um dos homenageados da noite, sentiu-se compelido a chamar sua atenção, dizendo que apesar de a Miramax fazer bons filmes, não deveria ser chamada de "independente", porque é financiada pela Disney.

"Foi uma benção, porque acho que fiz escolhas que são boas para o cinema e outras que são feitas no espírito da independência", disse Battsek.

O comentário de Sehring entretanto, ilustra que filmes chamados de especialidade tornaram-se um assunto mais competitivo, especialmente nesta época do ano. Todo tipo de capital, desde fundos privados até investidores pessoais, vêm seguindo o assim chamado espaço independente, e apesar dos Weinstein terem ambições de multimídia, não é como se tivessem deixado o cinema. Neste ano, a Weinstein Co. espera incluir no Oscar "I'm not There" e "The Great Debaters". Tal competição complica a promoção de filmes com potencial para prêmios. Segundo Scott Rudin, produtor de "No Country for Old Men", Battsek compreendia a tarefa tão bem quanto qualquer um.

"Estamos falando do tipo de filmes que são exemplos de qualidade no cinema", disse Rudin. "E se você não puder fazer o melhor para esses filmes, o que inclui uma boa olhada pela academia, está perdendo grande parte do mandato. Ninguém está fazendo uma quantia enorme de dinheiro, então o reconhecimento é muito importante. Daniel pegou um filme duro e desafiador e fez o melhor com ele."

"No Country for Old Men" que arrecadou mais de US$ 23 milhões (em torno de R$ 46 milhões) até dia 3 de dezembro está se encaminhando para o melhor resultado dos irmãos Coen. Esse fato não passou despercebido para eles.

"Ele sabia com o que estava lidando e não tentou prender o filme a algum tipo de fórmula, como muitos executivos do cinema fariam", disse Ethan Coen. "Neste ramo, todo mundo finge ouvir você e depois fica te enrolando. Com Daniel, você sabe que suas idéias foram consideradas."

Battsek disse que simplesmente estava jogando com boas cartas.

"Scott Rudin é quem uniu os Coen ao livro de Cormac McCarthy", disse ele. "Foi um casamento feito no céu. Eu só tive que assegurar que não fosse considerado apenas como um filme de arte." Deborah Weinberg

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