UOL Notícias Internacional
 

08/12/2007

Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante - parte 1

The New York Times
Keith Bradsher



Em Guangzhou, China
Toda noite, colunas de imensos caminhões de carga azuis e vermelhos invadem as grandes cidades da China com o ronco barulhento dos motores a diesel e nuvens pretas de escapamento tão densas que ofuscam a iluminação.

Ao amanhecer nesta ampla metrópole no sudeste da China, aqueles que moram perto das avenidas e que deixam suas janelas abertas durante a noite encontram seus rostos cobertos de uma camada escura de fuligem de diesel.

Depois que Mary Leung abre sua minúscula lanchonete com mesas ao ar livre em uma rua importante logo após o amanhecer, ela precisa limpar a fuligem dos balcões e mesas; o minúsculo passarinho amarelo e verde oliva que lhe faz companhia é mais difícil de limpar.

Timothy O'Rourke/The New York Times 
Ciclistas dividem as ruas congestionadas com caminhões em Guangzhou

Os caminhões são as mulas da economia em espetacular expansão da China -onipresentes e essenciais, mas altamente nocivos.

O combustível queimado pelos caminhões daqui é contaminado com 130 vezes mais enxofre causador de poluição do que os Estados Unidos permitem no diesel. Apesar das vendas de carros agora estarem crescendo mais do que as vendas de caminhões na China, os caminhões são de longe a maior fonte de poluição nas ruas.

As minúsculas partículas de fuligem com abundância de enxofre penetram profundamente nos pulmões dos moradores, interferindo na absorção de oxigênio. O óxido de nitrogênio do escapamento dos caminhões, que se acumula toda noite porque as cidades limitam a circulação de caminhões durante o dia, se liga toda manhã à fumaça da gasolina proveniente da crescente frota de carros da China para formar o denso smog (combinação de fumaça e neblina) que queima os pulmões e pode causar tosse severa e asma.

Os 10 milhões de caminhões nas ruas e estradas chinesas, mais de um quarto de todos os veículos deste país, são o principal motivo para a China ser responsável por metade do aumento anual mundial de consumo de petróleo no mundo. Saciar a sede deles ajudou a elevar os preços do petróleo a patamares recordes neste ano, antes de um recente declínio, e fez a China ultrapassar neste ano os Estados Unidos como maior emissora mundial de gases responsáveis pelo aquecimento global.

Mas a limpeza da poluição dos caminhões representa um problema complexo para os líderes chineses.

Por exemplo, os órgãos reguladores começaram a elevar os padrões de emissões para caminhões novos, mas deixaram de fora milhões de caminhões mais velhos expelindo fumaça preta. Forçar empresas e agricultores a comprarem veículos mais caros poderia atrapalhar a economia, que já enfrenta pressão inflacionária devido ao aumento dos preços dos alimentos e outros custos.

Tal medo da inflação -sem contar a inquietação política e social- levou Pequim a impedir que as companhias de petróleo, a maioria estatais, aumentassem os preços do diesel nas bombas de acordo com o aumento dos preços globais do petróleo.

O aumento dos preços dos combustíveis para os agricultores, cuja renda já é inferior à dos moradores urbanos e que precisam do diesel para seus tratores, é uma preocupação. A contenção do custo do diesel também subsidia basicamente todo empresa manufatureira na elaborada máquina de exportação da China.

Mas o controle de preços cria um círculo vicioso. Gigantes de petróleo como a Sinopec, perdendo dinheiro a cada litro de diesel que refina devido ao baixo preço na venda, atualiza lentamente as refinarias, quando o faz, e busca óleo cru mais barato com maior teor de enxofre para produzir o diesel, anulando os efeitos de padrões mais elevados de emissões para os veículos novos.
CAMINHÕES CHINESES
Chang W. Lee/The New York Times
Motorista refletido em espelho retrovisor enquanto dirige caminhão
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4


"A Sinopec está tentando o melhor que pode comprar óleo cru de baixa qualidade -mais pesado e com maior conteúdo de enxofre", disse Evan Jia, um porta-voz da Sinopec. "Nós compramos tais tipos de petróleo para reduzir o custo de compra."

Os baixos preços do diesel subsidiado pelo Estado freqüentemente tornam os caminhões mais custo-eficazes do que os trens, que poluem menos. As vendas de grandes caminhões de carga na China ultrapassou as dos Estados Unidos por uma ampla margem. A demanda por diesel nos postos é tamanha, e tamanhas as limitações aos fornecedores, que racionamento e escassez se tornaram comuns. Os motoristas de caminhão aguardam por horas para poderem comprar apenas 19 litros de combustível.

A China aumentou o serviço ferroviário para transporte de carga, mas não rápido o bastante para reduzir o veloz crescimento da frota de caminhões. Desde 2000, as vendas de caminhões pesados aumentaram seis vezes enquanto as vendas de carros aumentaram oito vezes.

Isto cria vários problemas, de congestionamento que sufoca as cidades da China à poluição que sufoca seus cidadãos, contribuindo a cada ano com centenas de milhares de mortes prematuras por problemas cardíacos e pulmonares, segundo o Banco Mundial. George El Khouri Andolfato

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