UOL Notícias Internacional
 

08/12/2007

Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante - parte 2

The New York Times
Keith Bradsher

Em Guangzhou, China
Trabalhando em meio à fumaça
Leung, a dona da lanchonete, é uma bem-humorada mulher esguia de 44 anos.

Ela costumava manter seu passarinho em uma gaiola de madeira sobre as duas mesas de plástico surradas na entrada nas quais serve refrigerantes e waffles frescos por menos de 40 centavos cada.

Todo dia, caminhões, ônibus e carros passam por ali. Apesar de caminhões grandes estarem proibidos de circular em Guangzhou das 7h às 21h, alguns possuem licença especial para circulação durante o dia. E muitos caminhões de porte médio com motores a diesel são autorizados a circular pela cidade durante o dia se possuírem placas de licenciamento locais.

"Tivemos que botar potinhos de água na gaiola", disse Leung, para que o passarinho pudesse se banhar constantemente.

Timothy O'Rourke/The New York Times 
Trânsito na estrada em Yue Xiu, bairro da cidade de Guangzhou, China

Ela finalmente levou o passarinho, um rouxinol, para sua casa em uma rua mais tranqüila, deixando a gaiola vazia.

Ela tenta não pensar no que a fumaça está fazendo para sua própria saúde.

"Minha garganta dói o tempo todo", ela disse. "Eu chupo pastilhas para garganta o tempo todo. É insuportável."

Especialistas internacionais dizem que centenas de milhões de chineses estão expostos diariamente a uma mistura potencialmente letal de partículas de fuligem e smog.

Os órgãos reguladores americanos rotularam a fuligem de diesel como provável substância cancerígena. Uma crescente literatura acadêmica atribui às minúsculas partículas aerotransportadas da fumaça do diesel, de usinas elétricas a carvão e outras fontes a até 90% de todas as mortes por poluição do ar, porque as partículas penetram profundamente nos pulmões. As partículas podem flutuar por centenas de quilômetros, mas os maiores efeitos são sobre as pessoas próximas à fonte de poluição.

Os motores a diesel também emitem grandes quantidades de óxidos de nitrogênio, que reagem com a fumaça da gasolina para produzir fotoquimicamente o smog quando atingidos pela luz solar.
CAMINHÕES CHINESES
Chang W. Lee/The New York Times
Motorista refletido em espelho retrovisor enquanto dirige caminhão
PARTE 1
PARTE 3
PARTE 4


Os cientistas atmosféricos chineses concluíram em uma análise neste ano no "The Journal of Environmental Sciences" que, aqui em Guangzhou, as partículas eram o poluente mais fora de acordo com as normas de qualidade do ar em 226 dias do ano. O dióxido de enxofre, que vem principalmente da queima do carvão, era o poluente que ultrapassava as normas em maior margem em 45 dias por ano, enquanto os óxidos de nitrogênio eram os poluentes mais proeminentes em 23 dias do ano.

O ar permanecia relativamente limpo nos demais 71 dias do ano.

Novos testes por pesquisadores chineses e americanos em Tianjin, no nordeste da China, apontaram que os motores a diesel dos caminhões e ônibus eram responsáveis por 93% de todos os óxidos de nitrogênio emitidos pelos veículos na China e por 97% das partículas.

Um estudo acadêmico separado da fumaça do diesel aqui em Guangzhou apontou que os caminhões chineses expeliam partículas em quantidades e tamanhos incomumente grandes, à medida que motores com equipamento contra emissões freqüentemente inadequados ou danificados eram forçados a transportar cargas acima do peso.

Leung disse ter pouca escolha a não ser suportar.

Ela e o marido tinham um ponto em uma rua menos movimentada, mas o prédio foi demolido e a prefeitura lhe ofereceu o atual ponto como substituto. Eles não são autorizados a repassar o ponto alugado ou a requerer outro, e o ponto comercial é a única fonte de renda para sustentar duas filhas, com a mais velha sendo a primeira na família a ir para a faculdade.

A única opção, disse Leung, é torcer para que seu prédio seja condenado para que a cidade lhe ofereça um ponto de aluguel em um local mais saudável. "Eu sonho com isso", ela disse.

Enquanto isso, ela continua limpando as mesas e balcões abaixo da gaiola de passarinho vazia. "Eu tenho que trabalhar para poder comer", ela disse. George El Khouri Andolfato

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