UOL Notícias Internacional
 

08/12/2007

Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante - parte 3

The New York Times
Keith Bradsher

Em Guangzhou, China
Combustível ruim em caminhões sujos
Na vizinha Shenzhen, Chan Kin-fun também enfrenta realidades econômicas.

Um vendedor mostra a Chan, o gerente de operações de uma empresa transportadora de Hong Kong, os enormes caminhões em uma concessionária da Sinotruk. Mesmo os caminhões mais modernos possuem motores que emitem pelo menos três vezes mais óxidos de nitrogênio do que os novos caminhões americanos e pelo menos sete vezes mais partículas -mesmo com diesel limpo, com baixo enxofre.

Fabricar um caminhão que atenda aos padrões elevados de emissões não é apenas uma questão de gastar um pouco mais em um equipamento melhor para controle de poluição. Isto geralmente exige mudanças radicais nos projetos dos motores, o que pode adicionar milhares de dólares ao preço do caminhão.

Um caminhão que atenda ao atual padrão de poluição Euro 4 da União Européia, que a prefeitura de Pequim adotará em janeiro, teria que ser encomendado especialmente à fábrica, disse o vendedor. E custaria US$ 35 mil, em comparação aos US$ 27 mil para um caminhão capaz de atender ao padrão mais leniente Euro 3 atualmente em vigor para Guangzhou e Shenzhen.

Timothy O'Rourke/The New York Times 
Fila de caminhões no trânsito noturno da cidade de Guangzhou

Os caminhões de acordo com o padrão Euro 2, cuja venda ainda é legal em grande parte da China, custariam apenas US$ 23 mil, além de uma "taxa especial" de US$ 950, disse o vendedor da Sinotruk, para ocultar a origem do caminhão em uma área onde apenas caminhões Euro 3 deveriam ser vendidos.

Mas nada disto ajuda a Chan. Hong Kong já exige que ele compre caminhões Euro 4, o que o coloca em desvantagem quando concorre com empresas de transporte chinesas que usam veículos mais baratos.

"Eu não sei por quanto tempo vou conseguir permanecer no negócio", ele disse.

Um motivo para a China possuir severa poluição do ar é que as autoridades foram lentas em impor tal custo adicional. Os caminhões nos Estados Unidos, que possuem os padrões mais rígidos de emissão de diesel do mundo, geralmente custam pelo menos duas vezes mais que um caminhão Euro 3 de potência semelhante na China, em parte devido aos custos trabalhistas mais altos, mas também devido aos seus motores poluírem menos.
CAMINHÕES CHINESES
Chang W. Lee/The New York Times
Motorista refletido em espelho retrovisor enquanto dirige caminhão
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 4


"Toda vez que o padrão Euro é aumentado, muito custo é adicionado", disse George Huo, vice-gerente geral da Beiqi Foton Motor Company, uma das maiores fabricantes de caminhões da China.

O governo chinês está cerca de oito anos atrasado em relação à União Européia na imposição de novos padrões de emissões. Apenas quando a poluição do ar começou a se tornar um problema nacional é que a China começou a acelerar o ritmo; os padrões Euro 4 entrarão em vigor nacionalmente em 2010, cinco anos depois de entrarem em vigor na União Européia.

Mas as oportunidades para maiores melhorias nas emissões por veículo são limitadas pela má qualidade do combustível.

Os Estados Unidos permitem concentrações máximas de enxofre de apenas 15 partes por milhão para a maioria dos combustíveis diesel, enquanto a China permite até 2 mil partes por milhão. A média de enxofre na gasolina americana é limitada a 30 partes por milhão; a China permite até 800 partes por milhão.

O enxofre entope o equipamento de controle de emissões, e quanto mais avançado o equipamento, mais vulnerável ele é ao dano por enxofre. E a China carece de um sistema de inspeção eficaz para assegurar o cumprimento até mesmo de seus padrões mais lenientes.

O combustível mais limpo disponível em cidades como Guangzhou e Pequim ajuda a limitar a poluição dos carros. Mas os caminhoneiros tendem a abastecer nas áreas rurais com combustível mais barato rico em enxofre.

As companhias de petróleo ocidentais pagam um adicional para comprar óleo cru com baixo enxofre porque a remoção deste por meio do refino é difícil. Mas em uma tentativa de controlar a inflação, o governo chinês ordena que os postos vendam gasolina e diesel a preços tão baixos que freqüentemente ficam abaixo dos custos da refinaria.

Isto dá a refinadoras como a Sinopec um forte incentivo para comprarem o óleo cru mais barato possível. Jia, o porta-voz, disse que a empresa então refina o óleo cru para atender aos padrões da China. Os baixos preços do diesel também deixam as divisões de refino das companhias de petróleo com pouco dinheiro para investir em modernização.

O governo chinês aumentou os preços controlados da gasolina e diesel em quase 10% em 1º de novembro, para o equivalente em yuan a R$ 1,23 o litro. Mas isto ainda equivale aproximadamente ao preço de atacado do diesel nos mercados internacionais e é ligeiramente maior do que o preço de atacado da gasolina, não deixando nada para cobrir o custo de distribuição do combustível aos postos, sem contar o lucro.

Assim, refinarias e postos têm reduzido as vendas, para desalento dos caminhoneiros. George El Khouri Andolfato

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