UOL Notícias Internacional
 

08/12/2007

Caminhões movimentam a economia da China a um custo sufocante - parte 4

The New York Times
Keith Bradsher

Em Guangzhou, China
Atrás do volante, uma vida difícil
Após quatro anos lidando com escassez de combustível em intervalos de poucos meses, Zhang Yanchao, um caminhoneiro de 33 anos, achou que tinha se acostumado às filas por combustível. Mas isso foi antes de ter esperado por 10 horas em uma noite recente, fora de Guangzhou, e depois só ter sido autorizado a comprar um quarto de tanque de diesel.

"É o pior que já vi", ele disse. "Eu mal consegui dormir já que tive que avançar na fila de caminhões a noite toda."

Duas dúzias de caminhoneiros disseram em entrevistas aqui em Guangzhou e em Shenzhen que a escassez de combustível se tornou crônica. A escassez também contribui para a poluição do ar, com os caminhões andando em marcha lenta enquanto esperam na fila.

Timothy O'Rourke/The New York Times 
Sinalização informa períodos em que a circulação de caminhões é permitida em Guangzhou

A construção de vias rápidas reduziu o tempo de viagem em grande parte da China. Uma meia dúzia de caminhoneiros que viaja regularmente da província de Shandong, a 1.600 quilômetros ao nordeste, até Guangzhou, disse que o que há cinco anos era uma viagem de três dias em meados deste ano, no verão, só levava dois dias, graças às novas vias expressas. Mas eles disseram que as longas esperas por combustível aumentaram a viagem para quatro dias.

As viagens pesam na saúde dos motoristas, já que respiram a fumaça dos caminhões à frente deles.

"Quando um caminhoneiro não está comendo arroz, ele está comendo diesel", disse Zhang em meio a um jantar de arroz e legumes em um café sujo daqui enquanto seus freios eram consertados.

Vestindo jeans azul e pulôver escuro e fumando cigarro sem parar, como muitos caminhoneiros daqui, Zhang foi franco tanto sobre os problemas enfrentados pelos caminhoneiros quanto os problemas que seus veículos criam.

O excesso de carga danifica as estradas e emite poluição extra. Mas Zhang disse que freqüentemente excede os limites de peso em seu caminhão Chunlan azul de cinco meses.

"É claro que ponho mais", ele disse. "Caso contrário, como conseguiria sobreviver?"
CAMINHÕES CHINESES
Chang W. Lee/The New York Times
Motorista refletido em espelho retrovisor enquanto dirige caminhão
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3


Com seu pagamento baseado em quanta carga transporta, ele estimou que geralmente carrega duas ou três vezes mais que o limite legal de seu caminhão.

O tempo na estrada também afeta duramente os relacionamentos. Zhang tem uma esposa e uma filha de um ano. Mas ele leva outra mulher consigo em muitas de suas viagens como segunda "esposa", ele disse, insistindo que sua esposa legal aceitou o arranjo.

Ele reconheceu que a fumaça do diesel provavelmente não faz bem para ele, e disse que muitos caminhoneiros desenvolveram tosse.

"A tosse vem com a idade, mas dirigir um caminhão piora as coisas", ele disse. "Mas a tosse também pode vir destes cigarros."

Especialistas da indústria do petróleo sugerem que a China deveria aumentar o preço do diesel em pelo menos 20% para eliminar os subsídios e as filas nos postos e estimular o investimento no refino. Zhang, que paga o equivalente a US$ 680 por mês no financiamento do seu caminhão, é veementemente contrário a um aumento nos preços do diesel; ele está convencido de que não conseguiria repassar o custo adicional para as empresas que o contratam.

"Isso seria demais para mim", ele disse. "Me tiraria do negócio. Seria melhor ficar em casa."

Uma resposta ao problema da poluição dos caminhões na China seria proibir os caminhões mais velhos. Mas o governo tem resistido a tal medida radical, temendo os custos não apenas à economia, mas também aos caminhoneiros e suas famílias, que geralmente reúnem suas economias para financiar um caminhão.

Outro obstáculo à mudança pode ser a falta de crítica da população à poluição dos caminhões. Apesar dos grupos ambientais estarem se multiplicando rapidamente na China, a poluição dos veículos tem atraído pouca atenção, assim como muita resignação entre caminhoneiros e moradores.

Zhang exemplificou tal reação quando disse, analisando a encardida parada de caminhões: "Se você não gosta de poluição, vá morar nas montanhas". George El Khouri Andolfato

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