UOL Notícias Internacional
 

18/12/2007

Doadores prometem US$ 7,4 bilhões aos palestinos

The New York Times
Elaine Sciolino
Em Paris
Na segunda-feira (17/12), 87 países e organizações internacionais prometeram fornecer um auxílio de US$ 7,4 bilhões aos palestinos, no mais ambicioso esforço de arrecadação de verbas em mais de uma década, a fim de ajudar os palestinos a criar um Estado próprio que seja viável, pacífico e seguro.

Este total foi estabelecido com o propósito de cobrir os próximos três anos. Os palestinos esperavam garantir US$ 5,6 bilhões em apoio orçamentário e para desenvolvimento para os próximos três anos, mas a cifra prometida superou esse número.

A secretária de Estado Condoleezza Rice representou os Estados Unidos na conferência de um dia ocorrida aqui.

O presidente palestino Mahmoud Abbas disse na conferência que chegou "a hora da verdade", e rogou ao mundo que aumente o seu auxílio aos palestinos - ou corra o risco de presenciar um desastre.

"Sem apoio, sem o pagamento do auxílio que permitirá ao tesouro palestino cumprir o seu papel, nos depararemos com uma catástrofe total na Cisjordânia e na Faixa de Gaza", alertou Abbas. Ao fazer um apelo pelo financiamento, o primeiro-ministro Salam Fayyad, um economista que é o chefe do governo palestino temporário, apresentou formalmente o seu novo plano de recuperação para a reforma econômica, institucional e de segurança referente à criação de um futuro Estado palestino.

Segundo a declaração final da conferência, o total para 2008 foi de US$ 3,4 bilhões.

Os Estados Unidos se comprometeram a fornecer US$ 555 milhões para 2008, em relação aos US$ 75 milhões fornecidos neste ano. "A Autoridade Palestina está passando por uma grave crise orçamentária", disse Rice. "Esta conferência é literalmente a última esperança do governo de evitar a falência".

No entanto, o compromisso dos Estados Unidos é meio enganoso, já que grande parte do dinheiro já foi anunciado anteriormente pela Casa Branca, mas não foi aprovado pelo Congresso.

A União Européia, o maior doador financeiro para os palestinos, comprometeu-se a fornecer US$ 650 milhões para 2008. Separadamente, nações européias assumiram compromissos de três anos, incluindo a França e a Suécia, com US$ 300 milhões cada, o Reino Unido, com US$ 500 milhões, a Noruega, com US$ 420 milhões, a Espanha, com US$ 360 milhões, e a Alemanha, com US$ 200 milhões.

Em uma medida significativa tanto sob o ponto de vista prático quanto sob o simbólico, os sauditas prometeram fornecer US$ 500 milhões no decorrer de três anos.

Muitos países acabam não honrando os compromissos assumidos em tais conferências. O Egito e países árabes são conhecidos por prometerem fundos à Autoridade Palestina e nunca fornecerem o dinheiro.

O encontro dos doadores é um esforço de alta visibilidade para capitalizar o ímpeto gerado pelas conversações de paz com Israel no mês passado em Annapolis, em Maryland, onde o governo Bush foi o anfitrião. Aquelas foram as primeiras negociações sérias entre israelenses e palestinos em anos, e os dois lados prometeram buscar um acordo final de paz até o final de 2008.

O evento da segunda-feira foi a maior reunião de doadores aos palestinos desde 1996, e o mais recente de uma série de eventos de arrecadação de fundos para os palestinos que aconteceram em diversos anos. Os palestinos se constituem em uma das populações mais dependentes de ajuda em todo o mundo. Os salários governamentais correspondem a 27% do produto interno bruto palestino, segundo um relatório do Banco Mundial.

Apesar das novas promessas de auxílio, a economia palestina continuará a se contrair a menos que Israel alivie o bloqueio imposto sobre a Faixa de Gaza e remova barreiras policiais e militares internas cruciais, permitindo que o povo palestino possa movimentar-se livremente na Cisjordânia, alertou o Banco Mundial no seu relatório.

O Banco Mundial estima que, sem tais medidas, o produto interno bruto palestino provavelmente sofrerá uma retração de 2% anuais nos próximos cinco anos. Mas se Israel aliviar essas restrições, e caso os palestinos promovam as reformas prometidas, a economia poderá crescer 5% ao ano, acrescentou o relatório.

Nos seus comentários, Abbas pediu a Israel que adote várias medidas concretas, incluindo a interrupção da construção de todos os assentamentos em territórios palestinos, o desmantelamento daqueles que ele chamou de "assentamentos selvagens", a interrupção da construção do muro de separação e a libertação de mais prisioneiros palestinos.

A conferência para arrecadação de verbas na segunda-feira constituiu-se também em uma oportunidade para que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, desempenhasse o papel de líder diplomático, dando tapinhas nas costas de delegados e cumprimentando Rice com um beijo em cada face quando abriu o evento.

"O nosso objetivo não é perpetuar indefinidamente a assistência aos palestinos", disse Sarkozy, que se define como um grande amigo de Israel. Para isso, ele pediu a Israel que permitisse a livre movimentação de pessoas e mercadorias, e que cancelasse imediatamente todas as construções de assentamentos na Cisjordânia.

"Tenho que insistir neste ponto: interessa ao máximo a Israel, contanto que a sua segurança não seja ameaçada, promover uma vida normal na Cisjordânia", disse o presidente francês. "Isso por si só permitirá que os palestinos trabalhem, parem de ruminar a sua humilhação, interrompam a violência e o tráfico e recuperem o entusiasmo pela vida".

Quanto aos palestinos, Sarkozy disse a eles que cumpram as suas promessas de manter "a lei e a ordem no seu território" e de reformar os seus serviços de segurança.

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