UOL Notícias Internacional
 

20/12/2007

Conservadores vencem eleição na Coréia do Sul com questões econômicas

The New York Times
Norimitsu Onishi

Em Seul, Coréia do Sul
Lee Myung-bak, um político conservador famoso por seu sucesso nos negócios mas perseguido por dúvidas sobre seu caráter, obteve uma grande vitória na eleição presidencial de quarta-feira, dominada por preocupações econômicas.

Os eleitores colocaram de lado as amplas dúvidas sobre a ética de Lee, apostando que ele cumprirá sua promessa de devolver a economia ao patamar dos anos 90, quando o crescimento era em média de 7% ao ano. Mas a vitória esmagadora de Lee veio acompanhada de uma nova investigação que, caso ele seja indiciado, poderia anular sua vitória antes de sua posse, em 25 de fevereiro.

Os resultados de quarta-feira refletiram a profunda insatisfação dos eleitores com o governo liberal do presidente Roh Moo-hyun, que é limitado a um único mandato de cinco anos pela Constituição, e pela forma como lidou com a economia. Ao se voltarem para Lee, o candidato do Grande Partido Nacional conservador de oposição, os sul-coreanos colocaram as questões de necessidades básicas à frente de temas sociais maiores como igualdade social, reforma política e reconciliação com a Coréia do Norte, que conquistaram seus votos na década passada.

Jung |Yeon-je/AFP 
O presidente eleito Lee Myung-Bak (dir.) participa de cerimônia no Cemitério Nacional, Seul

Desta vez, as relações com a Coréia do Norte ou com os Estados Unidos mal foram mencionadas pelos eleitores. Mas analistas disseram que Lee, um político pragmático pró-negócios não conhecido por adotar fortes posições ideológicas, poderia melhorar as relações tensas de Seul com Washington. Quanto à Coréia do Norte, Lee disse que daria continuidade à política de engajamento econômico, mas que exigiria mais concessões.

Com 48,6% do total dos votos, Lee, que há meses liderava as pesquisas de opinião, ficou ligeiramente aquém de sua meta de obter mais da metade dos votos, algo que ninguém conseguiu desde que a Coréia do Sul começou a realizar eleições democráticas em 1987. Mas ele venceu pela maior margem desde 1987, com seu adversário mais próximo, Chung Don-young, um candidato aliado a Roh, ficando com apenas 26,2%.

Ainda assim, analistas e eleitores entrevistados indicaram que os números não representavam um forte endosso de Lee, mas refletiam a ausência de candidatos viáveis entre os 12 que disputaram a presidência. Suas campanhas atraíram pouca atenção em um país onde as eleições presidenciais costumavam ser acompanhadas por imensos comícios de rua, e o comparecimento dos eleitores às urnas na quarta-feira, de 62,9%, foi o menor já registrado.

"Eu votei em Lee Myung-bak, apesar de considerá-lo um pouco corrupto", disse Kim Cho-rong, 21 anos, um estudante universitário de design de interiores. "Eu imagino que alguém que seja um pouco culpado mas competente seja melhor para nossa sociedade do que alguém inocente mas incompetente."

Nos últimos anos, um mal-estar econômico geral tomou conta dos sul-coreanos enquanto o crescimento econômico desacelerava para uma faixa de 3% a 5%, empresas de pequeno e médio porte passavam a lutar para sobreviverem e aumentava o desemprego entre os jovens. Roh parecia fora de sintonia, especialmente após seus esforços para conter a especulação imobiliária ter deixado, a certa altura, os preços dos imóveis ainda mais inacessíveis. Mesmo seus eleitores, que lhe davam crédito por melhorar os laços com a Coréia do Norte e por criar mais abertura no governo, se voltaram contra ele e seu partido liberal.

"Eu sempre votei nos liberais, mas desta vez a economia era um tema importante", disse Kim Sung-ki, um empresário de 54 anos, após votar no centro de Seul. "Então decidi experimentar algo diferente."

Lee, que fez 66 anos na quarta-feira, é fortemente identificado com os anos de grande crescimento da Coréia do Sul por ter se tornado, aos 36 anos, o executivo-chefe da Hyundai Construction e por posteriormente ter comandado várias subsidiárias da Hyundai, o conglomerado mais conhecido do país. De 2002 a 2006, ele foi prefeito de Seul e depois se tornou um candidato presidencial depois de concluir a recuperação de um riacho no centro de Seul.

Mas ele há muito tempo é perseguido por dúvidas sobre sua ética. Ele reconheceu ter falsamente identificado seus filhos como funcionários para burlar os impostos e de tê-los registrado em um endereço diferente para enviá-los para uma escola melhor. No início deste mês, os promotores o inocentaram das acusações de envolvimento em um caso de manipulação de ações em uma empresa chamada BBK, com a qual ele nega qualquer ligação.

Mas na segunda-feira, um dia depois do aparecimento de um vídeo no qual Lee parece alegar que fundou a empresa, a Assembléia Nacional controlada pelos liberais votou pela nomeação de um promotor especial para a reabertura do caso. Se Lee for indiciado antes de sua posse em 25 de fevereiro, sua vitória poderia ser anulada e outra eleição convocada. Como presidente, Lee teria imunidade contra qualquer processo criminal.

"Seus problemas éticos poderiam minar seu status como presidente eleito e no final afetar sua capacidade de governar como presidente", disse Hahm Sung-deuk, um cientista político da Universidade da Coréia. "Por outro lado, ele obteve uma grande vitória e mandato popular, de forma que isto poderia ajudá-lo a superar seus problemas."

Analistas disseram que Lee, que é conhecido por ser pró-americano, ajudaria a melhorar as relações com os Estados Unidos. O governo Bush sempre desconfiou de Roh, que foi eleito em 2002 em parte por explorar o sentimento antiamericano na época; grandes manifestações foram realizadas depois que duas garotas sul-coreanas morreram atropeladas por um veículo militar dos Estados Unidos.

As divergências em torno da Coréia do Norte -entre a política inicialmente linha-dura do governo Bush em relação a Pyongyang e o que era visto como um engajamento indulgente e um mimar da Coréia do Norte por Roh- prejudicaram ainda mais as relações. Autoridades de ambos os países alertaram privativamente sobre um possível fim da aliança de segurança entre os dois países.

"As relações de confiança mútua erodiram ao longo dos anos", disse Han Sung-joo, que serviu como embaixador da Coréia do Sul nos Estados Unidos de 2003 a 2005, durante o governo Roh. "Mas acho que o novo governo conseguirá restaurar a confiança, apesar das relações já terem começado a melhorar desde a mudança de direção do governo Bush na questão nuclear norte-coreana."

"Lee Myung-bak tem visões positivas dos Estados Unidos e é em geral bastante pragmático, não ideológico como o atual presidente", acrescentou Han. "Assim, sua política não apenas em relação aos Estados Unidos, mas também à Coréia do Norte, deverá ser bastante pragmática."

Lee disse que oferecerá ampla assistência financeira à Coréia do Norte se esta abandonar seu programa nuclear. Ele também disse que enfatizaria projetos econômicos e prometeu elevar a renda per capita da Coréia do Norte para US$ 3 mil em 10 anos caso ela se abra para os negócios.

A Coréia do Norte disse preferir lidar com um governo liberal em Seul, disposto a ajudar sem a exigência de muitas condições. Sua Agência Central de Notícias Coreana oficial, que rotineiramente atacava Lee e seu partido, abandonou seus ataques no início deste mês em um indício de que a Coréia do Norte também estava se preparando para um novo presidente no sul. George El Khouri Andolfato

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