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21/12/2007

Rússia assina contrato para construção de gasoduto da Ásia Central

The New York Times
Judy Dempsey
Desesperada para atender à crescente demanda doméstica e européia, a Rússia assinou na quinta-feira (20/12) com as repúblicas da Ásia Central do Cazaquistão e Turcomenistão um acordo para a construção de um gasoduto ao longo do Mar Cáspio, uma medida que segundo os analistas poderá fortalecer o monopólio da Rússia sobre as exportações de energia a partir da região.

O acordo foi assinado no Kremlin pelo presidente Vladimir V. Putin, da Rússia, e pelo presidente do Cazaquistão, Nursultan A. Nazarbayev, durante uma videoconferência com o presidente do Turcomenistão, Gurbaguly Berdymukhammedov.

Putin, que visitou os dois países diversas vezes nos últimos dois anos para costurar este acordo, disse na televisão nacional russa que o tratado contribuirá para "fortalecer a segurança energética da Europa".

A Rússia fornece mais de um quarto do gás consumido pela Europa, e diversos países do leste europeu dependem completamente da Rússia para receber gás.

A Gazprom, a estatal russa que exerce um monopólio no setor de energia no país, tem procurado novos e caros fornecedores, a maioria na Ásia Central, a fim de cumprir os seus contratos de exportação para a Europa e garantir o fornecimento ao mercado doméstico, que se expandiu rapidamente devido ao grande aumento dos gastos dos consumidores e ao crescimento econômico.

"A realidade é que a Rússia não está investindo o bastante na sua própria infra-estrutura e não conta com gás próprio em quantidade suficiente para suprir a Europa e o seu mercado interno", afirma Andrew Monaghan, diretor da Rede de Pesquisas Russas da Academia de Defesa do Reino Unido.

ENERGIA DA ÁSIA CENTRAL
Denis Sinyakov/Reuters
 
BATALHA PELO GÁS
O Cazaquistão e o Turcomenistão também vêm sendo cortejados pelos Estados Unidos e pela União Européia, que tentam obter acesso aos campos de gás da região.

Os Estados Unidos têm tentado persuadir as nações da Ásia Central a construírem um gasoduto sob o Mar Cáspio, que não passaria nem pela Rússia nem pelo Irã. Mas a proposta não está progredindo devido a uma disputa quanto ao status do Mar Cáspio entre os países ao seu redor, incluindo o Turcomenistão, o Cazaquistão, o Azerbaijão, o Irã e a Rússia.

A União Européia também procura diversificar os seus fornecedores e rotas, especialmente via Mar Cáspio, tendo adquirido o gasoduto Nabucco, o projeto de infra-estrutura mais ambicioso da união.

O projeto prevê um gasoduto de 3.200 quilômetros de extensão, que irá da Turquia, através dos Balcãs e da Europa Central, até a Áustria. O Turcomenistão, o Azerbaijão e o Irã, que possuem as maiores reservas, alimentariam o gasoduto.

Na quinta-feira autoridades européias minimizaram a importância do acordo russo, afirmando que ainda existe gás suficiente no Azerbaijão e no Cazaquistão para suprir o gasoduto Nabucco.

Mesmo assim, alguns analistas dizem que o novo acordo poderia minar as ambições européias.

"A Rússia sempre tentou bloquear o Nabucco", afirma Peter Kaderjak, diretor do Centro Regional de Pesquisa de Política Energética, em Budapeste. "Mas o interessante quanto a esse acordo é o fato de ele ter demorado tanto para ser assinado, e ter sido necessária a pressão de Putin. Isso só demonstra como a Rússia necessita de suprimentos extras de gás, e como está disposta a pagar por isso".

Aleksei Miller, diretor executivo da Gazprom, passou vários meses negociando o gás turcomano. Ele assinou um acordo no mês passado, mas somente após ceder às demandas de Berdymukhammedov por um preço mais elevado. Os analistas afirmam que isso é um sinal nítido de que o Turcomenistão contou com independência suficiente da Rússia para ditar os seus próprios termos, e que o país está suficientemente confiante para utilizar os seus recursos energéticos como fator de influência.

A partir de janeiro próximo, a Rússia pagará US$ 130 por mil metros cúbicos de gás do Turcomenistão; neste ano ela pagou US$ 100. Na segunda metade de 2008 o preço subirá para US$ 150 por mil metros cúbicos. UOL

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