UOL Notícias Internacional
 

22/12/2007

Cubanos ainda esperam por Castro

The New York Times
Marc Lacey
Em Cienfuegos, Cuba
A especulação era que ele estaria aqui, que Fidel Castro estava pronto para deixar seu leito de hospital, depois de 17 meses de convalescença, e que ia inaugurar uma refinaria reformada da era soviética, que há anos ele dizia ser a chave para o futuro energético de Cuba.

Ele ia aparecer na reunião de cúpula regional de petróleo na sexta-feira (21/12), nesta cidade da costa sul de Cuba, abraçar seu camarada presidente Hugo Chávez da Venezuela e falar -mesmo que com uma voz entrecortada- da independência econômica do país do império, como chama seu adversário do norte.

No entanto, ele também era esperado em seu 80º aniversário e em seu 81º e na parada do Dia de Maio. Assim, adivinhar o destino de Castro, seus planos e intenções virou um jogo em Havana. Toda vez que um pódio é montado, os cubanos começam a se perguntar.

O show começou na sexta-feira sem Castro, que sofreu uma cirurgia intestinal de emergência em julho de 2006 e não reapareceu em público desde então.

Na reunião, Chávez não abraçou Castro, mas seu irmão mais jovem, Raul, ministro de defesa que vem servindo como presidente provisório. Na quarta-feira, Chávez teve uma reunião privada de duas horas com o líder convalescente, que a mídia descreveu como "emotiva e fraternal".

A reunião de cúpula atraiu dezenas de chefes de Estado da região, inclusive René Preval do Haiti, Daniel Ortega da Nicarágua e Leonel Fernandez da República Dominicana.

Chávez, que está oferecendo petróleo para nações caribenhas em termos favoráveis, ficou na frente e no centro, dando sua visão de um mundo multipolar no qual a influência dos EUA declinaria marcadamente.

"O petróleo não tem que ser dominação", disse em certo ponto. "Pode ser nossa liberação".

Suas observações continuaram eternamente, quase como costumava fazer Fidel, enquanto Raul Castro, militar de carreira taciturno, foi breve.

A refinaria de Cienfuegos representa o passado de Cuba de Castro e seu futuro desconhecido. Foi construída por Moscou em 1991, mas fechada após o colapso da União Soviética e o fim de bilhões de dólares em subsídios anuais para Cuba. Venezuela, que se tornou a mais próxima aliada de Cuba, começou a renovar a planta no ano passado em uma joint venture com os cubanos que custou mais de US$ 166 milhões (em torno de R$ 300 milhões).

A planta, que inicialmente processará 65.000 barris de petróleo cru por dia, traz os dois países ainda mais perto, dando a Cuba a capacidade de refinar mais de 100.000 barris de petróleo subsidiado que a Venezuela fornece ao país diariamente. Também abre a possibilidade de Cuba refinar seu próprio petróleo, se as explorações em águas profundas na costa de Cuba se provarem bem sucedidas.

O Departamento de Geologia dos EUA estimou em 2004 que havia 4,6 bilhões de barris de petróleo não descoberto e 280 bilhões de metros cúbicos de gás natural não descoberto na costa cubana. Um acordo de 1977 entre México, Cuba e EUA divide os direitos de exploração do Golfo do México, com Cuba ganhando acesso a alguns locais até a 100 km da Flórida.

"Para Cuba, essa refinaria é boa notícia", disse Jorge R. Pinon, ex-presidente da Amoco Oil Latin America e pesquisador do Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-americanos da Universidade de Miami.

Pinn disse que os que pressionam por mudança de regime em Cuba não devem ficar tensos com este avanço. Se Cuba for capaz de refinar seu próprio petróleo, mesmo em joint venture com a Venezuela, no final será menos dependente da Venezuela, o que seria boa notícia para Washington se e quando optasse por aproximar-se do governo cubano.

Pinon citou um estudo da Universidade Rice que diz que as necessidades de energia de Cuba quase dobrarão -de 179.000 barris por dia em 1998 para 349.000 em 2015- se uma economia de mercado jamais chegar à ilha.

Talvez a única coisa certa em Cuba: Fidel Castro não vai aparecer. Deborah Weinberg

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