UOL Notícias Internacional
 

06/01/2008

Campanhas exploram o pensamento independente

The New York Times
Jeff Zeleny
Em Nashua, New Hampshire
A corrida para a Casa Branca, repleta de apelos à base de cada partido por quase um ano, nos próximos dias estará em grande parte nas mãos de eleitores que não se identificam com nenhum dos dois partidos.

Os candidatos republicanos e democratas estão apelando febrilmente aos independentes antes das primárias de terça-feira em New Hampshire, onde eleitores não afiliados são autorizados a votar na disputa de qualquer um dos partidos.

Apesar de haver disputa dentro dos partidos pelos votos não declarados, a disputa mais intrigante é entre dois candidatos de partidos opostos que cultivaram imagens antiestablishment: os senadores Barack Obama e John McCain.

Motivando tais eleitores, disseram estrategistas de campanha de ambos os partidos, está uma sede por mudança e um forte desejo de romper com o governo Bush. A preocupação com a guerra no Iraque, apesar dos recentes avanços na segurança lá, também permanece na mente dos eleitores independentes e contribui para uma inclinação para os democratas em New Hampshire.

Obama, de Illinois, transformou seu discurso de vitória democrata em Iowa, na noite de quinta-feira, em uma nova propaganda de TV aqui, voltada especificamente aos independentes, com um pedido de superação das divisões partidárias.

Ao mesmo tempo, McCain, do Arizona, apelou aos eleitores independentes que o ajudaram a derrotar George W. Bush na primária republicana daqui, há oito anos, dizendo: "Vocês não mudaram e nem eu".

A disputa pelo voto independente, quase 45% do eleitorado daqui que não é registrado nem como democrata e nem como republicano, está se transformando em parte em uma batalha entre as campanhas dos dois homens. Os estrategistas acreditam que cerca de dois terços desses eleitores no momento estão inclinados para os democratas, os tornando particularmente chave para o esforço de Obama de conquistar uma segunda vitória consecutiva. Enquanto isso, McCain está tentando usar este grupo de eleitores para superar o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney.

"McCain está em uma batalha de duas frentes em New Hampshire", disse Fergus Cullen, presidente do Partido Republicano de New Hampshire. "Ele está disputando os votos republicanos com Romney e está disputando os votos independentes com Obama."

A disputa por esses eleitores pode envolver mais questões como serviço de saúde e a guerra do que qualidades amorfas como integridade e a capacidade de superar as divisões políticas. E a senadora Hillary Rodham Clinton explorou tal sentimento no sábado, dizendo: "Nós somos democratas, nós devemos defender um serviço de saúde universal, e mais independentes e republicanos estão finalmente entendendo que este é um imperativo moral e econômico."

Ainda assim, em um encontro na prefeitura com McCain em Hudson, New Hampshire, Emily Rocheleau, uma independente de 22 anos, disse estar pesando suas opções entre McCain e Obama.

"Não significa necessariamente que todas as propostas deles são realmente moderadas, mas a retórica e abordagem deles à política são mais unificadoras para o país", disse Rocheleau, que acrescentou que ainda não escolheu seu candidato.

Apesar de toda a conversa sobre a disputa entre os dois pelo voto independente, estrategistas políticos e analistas de pesquisas expressaram ceticismo de que McCain e Obama poderiam roubar eleitores um do outro. Mas a campanha de Obama prefere não se arriscar, destacando o apoio fervoroso de McCain à guerra no Iraque.

"Nós não estamos concorrendo na primária contra o senador McCain", disse David Axelrod, estrategista chefe da campanha de Obama. "Eu não acho que seja um segredo que ele seja um forte defensor da guerra."

"Não é possível vencer uma eleição em New Hampshire apenas com os votos democratas ou republicanos", disse o deputado Paul Hodes, democrata do Estado, que contou com os votos destes eleitores não declarados quando tomou a cadeira de um deputado republicano aqui em 2006. "O voto independente é sempre o voto mais importante."

Em Iowa, havia sinais de que Obama tinha sido bem-sucedido em atrair o apoio dos independentes. Ele e o restante do campo democrata conseguiram atrair um número recorde de eleitores para as convenções partidárias dali na noite de quinta-feira, incluindo muitos que nunca tinham participado de uma convenção partidária antes.

As autoridades em New Hampshire também estão prevendo um forte comparecimento dos eleitores na terça-feira, e se os independentes votarem nos democratas em grande número será uma evidência de que o forte desejo da esquerda de romper com as políticas de Bush também é compartilhado pelo eleitorado do centro.

"Nós tentaremos conquistar os democratas, independentes e republicanos", disse Obama aos eleitores assim que chegou a New Hampshire, uma mensagem que pretende repetir continuamente enquanto se apresenta como um candidato que transcende o partidarismo.

Há oito anos, a candidatura presidencial de McCain foi ressuscitada por uma onda de eleitores independentes que o ajudaram a derrotar Bush por 18 pontos percentuais. Mas desta vez, o apoio de McCain à guerra no Iraque complicou seus esforços para conquistar os eleitores independentes na luta para derrotar Romney, Mike Huckabee, o ex-governador de Arkansas que venceu em Iowa, e outros candidatos republicanos.

Quando ele chegou em New Hampshire após ficar em segundo lugar em Iowa, Romney repentinamente mudou seu discurso, o temperando com muitos pedidos de mudança.

Os eleitores que não estão formalmente filiados a qualquer partido agora são um público particularmente crucial, porque a campanha em New Hampshire ficou comprimida em quatro dias após as convenções em Iowa. Os estrategistas de campanha disseram esperar que esses eleitores acompanharão cuidadosamente os debates republicano e democrata que serão realizados aqui no sábado, assim como comparecerão à enxurrada de eventos de campanha no fim de semana por todo o Estado.

Axelrod, apontando para a composição ideológica e demográfica dos eleitores independentes e candidatos pelos quais historicamente se sentiram atraídos, disse contar com eles para compensar a força de Hillary Clinton entre os democratas registrados.

E os analistas políticos locais concordam.

"Os eleitores não declarados poderiam estragar a festa de Hillary Clinton em prol de Barack Obama", disse Dante J. Scala, um professor de ciência política da Universidade de New Hampshire. "Ele se sai muito melhor que Clinton entre os eleitores independentes."

Apesar dos assessores de Hillary dizerem há meses que estão se concentrando nos eleitores independentes - particularmente as mulheres - ela está ajustando seus esforços nos dias que antecedem as primárias de New Hampshire. No sábado ele realizaria eventos voltados especificamente aos eleitores indecisos, assim como trabalharia para melhorar sua posição juntos aos eleitores jovens.

Mesmo assim, conselheiros de Hillary há muito consideravam a onda de eleitores independentes como um fator complicador para sua vitória em New Hampshire. Eles temem que os resultados das convenções em Iowa, alimentados pelo comparecimento incomumente alto de eleitores independentes, poderiam aumentar suas dificuldades em New Hampshire.

Apesar dos resultados da primeira disputa em Iowa terem dominado o noticiário local, conversas com os eleitores que participaram dos eventos políticos do fim de semana sugerem que muitos ainda estão indecisos.

"Eu estou checando eles todos", disse Rose Thorn, 50 anos, de Nashua, que compareceu ao comício de McCain na noite de sexta-feira e pretendia comparecer ao de Obama no sábado.

Entre os candidatos republicanos, McCain espera conquistar pessoas como Thorn e seu marido, Ed, que contribuíram para sua vitória esmagadora aqui em 2000. Apesar de Ed Thorn ter declarado que votou em McCain "sempre que teve chance", ele disse que ainda não se decidiu neste ano.

Nas últimas semanas, McCain tem buscado acentuar seu apelo bipartidário ao viajar por New Hampshire acompanhado do senador Joseph Lieberman, um independente de Connecticut com inclinação democrata. Ele também está abordando temas que os eleitores independentes dizem ser importantes para eles, incluindo a mudança climática, que McCain aborda mais do que seus rivais republicanos. Suas propostas para coibir as emissões de carbono se tornaram parte de seu discurso típico aos eleitores.

Restaurar a imagem dos Estados Unidos no mundo também é importante para esses eleitores, um tema que McCain explora quando argumenta que nada prejudica mais a reputação dos Estados Unidos quanto a manutenção das operações na prisão em Guantánamo, Cuba, e o fracasso em condenar explicitamente a tortura.

"Nós conquistaremos nossa parcela dos independentes", disse Mike Dennehy, um antigo conselheiro de McCain em New Hampshire.

Michael Falcone, em Derry, New Hampshire, e Sarah Wheaton, em Hudson, New Hampshire, contribuíram com reportagem. Tradução: George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,38
    3,156
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    0,41
    65.277,38
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host