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09/01/2008

O que os orientadores educacionais sabem sobre o aluno faz toda a diferença nos EUA

The New York Times
Winnie Hu
O departamento de orientação educacional da Escola de Segundo Grau Mamaroneck, uma escola pública de 1.454 alunos no afluente condado de Westchester, fica em uma suíte arejada naquilo que parece um hotel de vidro e aço nas montanhas Adirondack. As paredes estão cobertas com pôsteres brilhantes de universidades, mostrando desde a grandeza gótica de Harvard e Duke até os campi arborizados de Indiana Bloomington, Saint Lawrence e Wheaton. Uma tradição popular entre os alunos que estão concluindo o segundo grau é assinar os pôsteres das universidades nas quais pretendem estudar. Alguns dos pôsteres trazem meia dúzia de assinaturas, feitas com pincel atômico grosso e negro.

Com os prazos para as admissões nas universidades aproximando-se rapidamente, nove conselheiros examinam atentamente as médias gerais das notas e os pontos do teste SAT (teste de avaliação de conhecimento exigido para se ingressar em universidades nos Estados Unidos), com as portas abertas dando para uma área de espera na qual três secretárias preparam as correspondências com as primeiras decisões sobre as inscrições.

O dia da visita do repórter coincidiu com aquele em que Jason D. Hamilton, diretor de admissão da Sewanee, a Universidade do Sul, também visitava o local.

Joyce Dopkeen/The New York Times 
Estudante Dan Foster (esq.) pede exercícios de matemática mais difíceis para Bob Sweeney

Bob Sweeney saiu rapidamente do seu escritório para pedir à sua secretária que o comunicasse quando o diretor chegasse. Quinze minutos mais tarde, ele reforçou o pedido. E, novamente, 15 minutos depois. Um dos alunos atendidos por Sweeney estava se inscrevendo para a universidade Sewanee, um campus de 1.500 alunos no Tennessee, e ela não poderia estar lá para se reunir com Hamilton.

Portanto, cabia a Sweeney explicar a ele o interesse da aluna na instituição.

Quando conseguiu o contato com Hamilton, Sweeney deu início ao seu trabalho: "Uma boa aluna. Quer ver as notas dela?" Debruçando-se sobre o seu computador, Sweeney imprimiu as notas, revelando uma média de 91, e a seguir apontou para um 78 em História dos Estados Unidos. "Ela realmente se esforçou nesta aula", disse ele. "O professor era muito rígido, mas ela tirou 4 ou 5 no teste AP".

Hamilton fez um gesto de concordância com a cabeça, e disse: "Às vezes não é a nota que importa, mas sim o que se aprende, e ela realmente mostrou persistência".

"E ela é uma pessoa excelente", disse Sweeney. "Às vezes os nossos alunos querem ir para uma universidade maior, mas eu sempre faço propaganda para vocês. Sou um fã das comunidades menores, e ela se sairia muito bem lá".

Hamilton mostrou os nomes de outros 25 bolsistas de Sewanee. Olhando para o seu caderno de anotações, ele perguntou a respeito de dois outros alunos que no passado manifestaram interesse em Sewanee. "Eu detestaria continuar enviando correspondência e materiais se eles não estivessem interessados".

Sweeney conhece esses alunos?

A política da escola desencoraja a que se elogie mais um aluno do que outro quando vários estão se candidatando a uma universidade, mas, neste caso, adivinhou Sweeney, somente um se inscreveria.

Ele não conhecia os outros dois, mas prometeu descobrir. Terminada a discussão, ele pediu a Hamilton que enviasse um pôster da Sewanee. "Nós o colocaremos em um bom local", disse ele.

"Eu gostaria que você fizesse isso", respondeu Hamilton.

A Sewanee pode não ser especialmente seletiva, mas o aluno de Sweeney se apaixonou pelo sul, e Sweeney sabe que algumas palavras cuidadosamente escolhidas ou a exibição prévia de um histórico escolar pode fazer uma diferença no processo. O orientador educacional de hoje em dia é também um lobista de alunos.

Entre meados de setembro e o Natal, 127 funcionários de admissão de universidades carregando grande quantidade de brochuras e fichas de inscrição, passaram por Mamaroneck em busca de alunos promissores. Os horários de encontros dos representantes das universidades colocados na escola parecem uma espécie de quem é quem em se tratando de ensino superior (embora neste outono não haja Harvard). No ano passado, a Mamaroneck (média do SAT: 1741) enviou 15 alunos para a Ivy League, incluindo quatro para Harvard e três para Yale. O maior grupo, com 31 integrantes, foi para a universidade Westchester Community College. E quase 300 outros foram para outras universidades.

O papel de Sweeney é orientar aqueles que estão aos seus cuidados em uma busca de quatro anos pela universidade perfeita, o que quer que isso seja.

Jeffrey Brenzel, diretor de admissões de Yale, resume da seguinte forma as duas tarefas críticas do conselheiro: "Ajudar os alunos a entender a gama de faculdades pelos quais eles têm chance de serem aceitos, e auxiliá-los a entender como se apresentar efetivamente em uma inscrição".

Embora isso pareça ser suficientemente simples, o processo de admissão tornou-se cada vez mais complicado, competitivo e estressante. Nas escolas públicas nas quais a universidade é uma prioridade, os conselheiros são convocados para dar apoio a pais que se mostram confusos em relação a uma grande variedade de prazos. Os alunos devem se inscrever com antecedência? Que matérias e atividades têm mais peso junto aos departamentos de admissão? Quais são as facilidades quanto a ajuda financeira? Os ensaios devem ressaltar a superação de um obstáculo pessoal ou uma atividade como a construção de casas para os pobres nas férias de verão?

Esse é um tipo de atividade tido como trivial nas escolas secundárias privadas, nas quais pais que pagam US$ 30 mil por ano entram em contato com os orientadores e contam com as conexões desses com os diretores de admissão das universidades.

Christoph Guttentag, diretor de admissão da Universidade Duke, admite que é mais provável que os funcionários dos departamentos de admissão conheçam orientadores de escolas particulares, em parte porque esses orientadores se esforçam para manter contato com eles. Mas ele insiste em dizer que as recomendações desses orientadores não conferem mais peso aos candidatos de escolas particulares. Dois terços dos alunos aceitos pela Universidade Duke vêm de escolas públicas.

Todos os anos, os 15 funcionários do departamento de admissão da Universidade Duke visitam 750 escolas secundárias. Eles são escolhidos com base no desempenho em provas, notas e histórico escolar. Neste outono, a Duke foi uma das universidades que visitou o Centro de Informação sobre Universidades da Mamaroneck, um centro de pesquisa mantido por pais voluntários (nada menos que 40), no qual os estudantes e os recrutadores se agregam.

O departamento de orientação da Mamaroneck costumava dar início a busca de universidades com uma reunião para alunos do terceiro ano e os seus pais no auditório da escola. No ano passado, essa reunião foi transferida para meados de novembro, já que muitas famílias estavam requisitando informações mais cedo.

Antes do início da reunião deste ano, os nove orientadores se reuniram atrás de uma longa mesa cheia de livretos cor de laranja, enquanto uma multidão barulhenta se aglomerava por trás deles. Com a precisão de uma linha de montagem, eles entregaram o livreto de 44 páginas, "O Guia Universitário Mamaroneck", cada um contendo o nome de um aluno.

"Para nós a personalização começa hoje", disse à platéia o diretor de orientação, Nick Kourabas. "Quantos pais passaram por isto antes?"

Um terceiro levantou as mãos.

"Não se preocupem", disse ele ao restante. "Tendo já feito isto muitas, muitas vezes, sei qual é o resultado deste processo. Todos vocês irão para excelentes universidades".

Os pais tornaram-se tão nervosos quanto à orientação sobre universidades nas escolas públicas que aqueles que têm dinheiro passaram a buscar orientadores particulares. O número de integrantes da Associação Independente de Orientadores Educacionais passou de 315, em 2004, para os atuais 700, segundo Mark Sklarow, o diretor executivo. Exige-se dos membros que tenham visitado pelo menos cem campi e que possuam uma experiência mínima de três anos com orientação educacional.

Betsy F. Woolf, uma consultora da Mamaroneck que cobra de US$ 4.000 a US$ 5.000 por aluno, trabalhou com cerca de 50 desde 2003, muitos deles estudantes de escolas públicas. No último ano do segundo grau, ela faz contato semanal com os alunos para lembrá-los dos prazos, dar idéias para ensaios escritos para as universidades e rever as inscrições. Ela tenta prepará-los para as suas entrevistas por meio de reuniões simuladas.

"Os pais querem alguém capaz de passar muito mais tempo com os seus filhos do que o orientador da escola, e buscam uma pessoal para a qual eles possam ligar a qualquer hora", diz Woolf, que já recebeu telefonemas às oito da manhã e às onze da noite. "Eles se preocupam com o processo. Querem mais atenção, e desejam um atendimento pessoal que é impossível de se obter nas escolas de segundo grau dos filhos, já que os orientadores dessas escolas são sobrecarregados de trabalho".

Educadores e pais cada vez mais expressam a sua preocupação com as limitações da orientação educacional oferecida nas escolas públicas para o ingresso nas universidades. Eles vêem isso como uma outra área - como a preparação para o SAT ou programas de aprimoramento - na qual os alunos das escolas particulares contam com uma vantagem injusta.

Muitos orientadores dizem que a culpa é do grande número de alunos. Assim como o tamanho das salas de aula é um indicador da qualidade de ensino, a razão entre número de orientadores e de estudantes é um indicador da quantidade de atenção individualizada que um aluno tem a probabilidade de receber. Além do mais, os orientadores dizem que uma quantidade cada vez maior de tarefas - gerenciamento de horários de aula, registro de presença, programas para evitar assédio por parte de alunos violentos - toma o tempo deles.

Em agosto, a Associação Nacional de Orientação para Admissão em Universidades anunciou que cada orientador de escola pública de segundo grau atendeu uma média de 311 alunos; os orientadores dedicaram apenas 23% do seu tempo orientando alunos sobre universidades. Já os orientadores de escolas privadas passaram 56% do tempo cuidando de questões relativas ao ingresso na universidade, e cada um deles atendeu em média 234 alunos. Mais da metade de todas as escolas particulares empregou pelo menos um orientador cuja única responsabilidade era a orientação sobre universidades; apenas 10% das escolas públicas contavam com tais especialistas.

As universidades seletivas estão conscientes das diferenças e tentam compensar o problema. Guttentag, da Duke, diz que quando fica óbvio que um orientador super atarefado não conhece bem um aluno, ele dá mais peso às recomendações do professor. Mas quando o mesmo orientador é capaz de escrever uma carta detalhada sobre apenas um aluno, isso tem um significado especial. "O que estamos tentando fazer é garantir que os alunos que não contam com vantagens tenham uma oportunidade justa", diz ele.

O número excessivo de alunos não é um problema tão sério no Condado de Westchester, onde cada conselheiro lida com uma média que varia de 175 a 200 alunos, segundo a Associação de Orientadores Westchester Putnam Rockland. Mas com os orçamentos mais apertados e o aumento das inscrições, muitas outras escolas de subúrbio estão lutando para proporcionar orientação pessoal intensiva.

A Escola de Segundo Grau Carmel, no condado de Putnam, conta com um orientador para cada 310 alunos, um dos índices mais elevados dos subúrbios da cidade de Nova York. Os alunos recebem menos atenção individual do que deveriam, admite Noel Cabassa, diretor de orientação da Carmel. "É uma questão de limite físico. Não há como prestar assistência a todos os jovens com um número elevado como esse". Ele gostaria de contratar outro orientador, mas não tem dinheiro para isso.

Kristen Mancini, orientadora da Carmel há quatro anos, diz que tende a conhecer melhor aqueles alunos "que tem mais capacidade de fazer propaganda própria". No ano passado ela redigiu mais de 50 recomendações, incluindo uma para um aluno que foi admitido na Universidade Yale.

Foi a primeira vez em que um dos seus alunos ingressou em uma universidade da Ivy League. "Um dos desafios quando eu comecei foi aceitar que não seria capaz de conhecer os alunos da maneira que desejava", diz ela. "Não posso fazer mais do que isso porque o dia só tem 24 horas".

Com apenas 37 formandos do segundo grau neste ano, Sweeney tem bastante oportunidade de conhecer os seus alunos. Na sua mesa há uma caixa de plástico com 162 fichas, uma para cada um dos seus alunos, agrupadas por série.

Ele se debruça sobre o fichário e tira uma ficha gasta da parte anterior. Trata-se de uma aluna do último ano. Ele vai redigir a recomendação para ela nesta semana. No canto superior direito há uma foto em preto e branco de uma garota sorridente, que ele retirou do catálogo da oitava série quatro anos atrás. Isso faz com que ele se lembre que ficou impressionado com ela desde o princípio. Na parte relativa ao primeiro ano do segundo grau, ele escreveu: "Ela é bastante articulada e comunicativa. Tem interesse por teatro". Ele acrescentou mais uma linha quando ela encontrou o seu nicho no segundo grau. "Ela joga hóquei sobre a grama e softbol".

"Muitas das coisas que escrevi - aquela primeira impressão - parecem ter se confirmado durante todo este período em que a acompanho", comentou Sweeney. "Para mim é importante conhecê-los. Estou procurando conferir uma qualidade a um nome e a uma face".

Uma rápida olhada em outras cartas revela uma coletânea aleatória de impressões. "Califórnia relaxou (sobre um aluno do terceiro ano que foi transferido). Me olhou nos olhos ao falar comigo. Adora beisebol. Conserta computadores de escritórios".

Algumas cartas trazem detalhes sobre os pais: o que eles fazem, se vão trabalhar em Manhattan, se são divorciados ou separados.

O comportamento em relação à universidade é importante. Para um calouro, ele observou: "Estudante forte, mas os pais parecem pouco comprometidos e menos ansiosos, calmos". Os cartões são atualizados com informações sobre a área na qual os alunos ingressaram na universidade, e a seguir são colocados no seu armário, onde mais de 800 cartões estão cuidadosamente guardados, mantidos juntos com elásticos".

Com a aproximação do meio-dia, Sweeney vai até o corredor e fica de pé diante de um grande cartaz que diz, "Por gentileza, veja o seu orientador". Dez nomes são listados em verde brilhante, todos eles de alunos que Sweeney deseja ver. Impacientemente, ele vasculha a multidão de alunos com mochila, como se estivesse pescando um salmão que nada contra a correnteza.

Cinco minutos mais tarde, o corretor está se esvaziando. Finalmente - após comer um sanduíche de ovo e salada na sua mesa - um dos dez alunos passa por ali e vê o seu nome. Sweeney acena para Dan Foster, um aluno do segundo ano que ingressou no Mamaroneck em agosto, vindo de Oak Park, em Illinois. Sweeney observa a lista de matérias de Dan. Como ele está se saindo no teste sobre governo? E quanto à matemática? "Você acha que descuidamos um pouco quanto a essa matéria?" "Talvez, um pouco".

Sweeney já sabia disso. O pai de Dan lhe telefonou dizendo que Dan não só achava a matéria muito fácil, mas também que as universidades poderiam adotar uma atitude negativa caso ele permanecesse em uma rota de pré-cálculo.

"Não terei um AP de cálculo", disse Dan.

Sweeney o tranqüilizou.

"Tire vantagem da aula fácil de matemática, porque isso você vai ganhar de bandeja".

Porém, Dan ainda deseja uma aula mais difícil, de forma que Sweeney sugere uma alternativa: uma nota louvável em matemática abaixo da nota AP. Dan aceita a idéia, porque está tentando compensar notas baixas que recebeu no primeiro ano.

"Não quero que você suba uma correnteza sem um remo", advertiu Sweeney. "Formar-se com pré-cálculo e sem cálculo não é a pior coisa do mundo. Existe um equilíbrio entre ser desafiado e sentir-se confortável".

Janet Smith, uma mãe de três filhos que estudam na Mamaroneck, diz que os alunos necessitam de um orientador para ajudá-los a avaliar as opções. Sweeney ajudou o filho mais velho dela, atualmente com 22 anos, a entrar na Universidade Saint Lawrence e aconselhou o do meio a inscrever-se para a Universidade Colgate. Sweeney disse-lhe que se ele esperasse pelas admissões regulares, acabaria competindo com alunos mais fortes que não conseguiram entrar em universidades mais disputadas. A estratégia funcionou.

Ao ouvir rumores de que o seu filho mais novo, que começava o primeiro ano, poderia ser designado para um novo orientador a fim de equilibrar a quantidade de alunos atendidos, Smith diz que solicitou os serviços de Sweeney de forma "alta e clara".

Os alunos são designados de forma aleatória para os orientadores daqui, e os pais comparam as notas, assim como fazem com babás e tutores. "Essa atitude calma é fundamental, já que muitos pais nesta comunidade ficam realmente estressados e os jovens são preparados loucamente para o SAT", diz ela.

Em um programa em meados de novembro para a Associação de Orientadores Westchester Putnam Rockland, de 600 membros, o tópico noturno foi "Lidando com Pais Difíceis". O panfleto de ilustração do programa mostrava um juiz usando um elmo e um protetor peitoral e separando dois homens de punhos cerrados. Mais de 140 orientadores se inscreveram.

Os orientadores, vindos diretamente das escolas, começaram a ocupar as mesas cobertas com toalhas de linho em um salão do andar superior do Graziella's, um restaurante italiano em White Plains. Um grupo barulhento de Yonkers ocupou uma mesa. Vários outros pegaram folders azuis com informações sobre a Universidade Politécnica, uma universidade particular de engenharia no Brooklyn com um programa do Westchester. A Politécnica pagou US$ 3.000 para patrocinar o evento, que incluiu uma recepção com comida quente e bebidas gratuitas.

Sweeney, o presidente da associação, saudou a multidão.

"Obviamente, o tópico relativo aos pais difíceis é uma atração", disse ele, sendo saudado com gargalhadas estrondosas. "Tenho que dizer a vocês que na semana passada tivemos um programa para que os pais lidassem com orientadores difíceis, mas nenhum apareceu".

O orador convidado, uma psicóloga escolar, reproduziu a gravação de um pai furioso ameaçando ir até o superintendente por acreditar que o psicólogo o havia desprezado. A psicóloga observou que atualmente os pais têm uma sensação crescente de direito. Além do mais, disse ela, os orientadores podem ficar presos a esses pais durante anos caso estes tenham filhos mais novos.

"Não importa o quanto você seja bom, alguns pais o deixarão louco", disse ela.

Durante a hora seguinte, a psicóloga apresentou estratégias para lidar com pais difíceis - os que negam a realidade ou que colocam a culpa nos outros, os tipos nervosos ou passivos-agressivos - naquilo que às vezes parecia mais uma sessão motivacional do que um programa de desenvolvimento profissional.

Dirigindo de volta à escola naquela noite, Sweeney descreveu a primeira vez em que um pai gritou com ele, duas décadas atrás, quando ele estava no seu primeiro ano como orientador. Tratava-se de uma mãe que descobriu que a maior parte das notas do filho no segundo ano eram Cs. Ela disse a Sweeney que este deveria tê-la alertado mais cedo para o problema.

"Aquilo me fez questionar se eu estava fazendo um bom trabalho", conta Sweeney. "As expectativas dos pais eram maiores do que eu imaginava. Eu me perguntei se eles estavam tão bravos com o filho quanto estavam comigo".

Desde então, Sweeney admite, ele tem sido o alvo desse tipo de coisa. Em um ambiente de pressão, no qual os alunos são julgados todos os dias com notas e números, diz Sweeney, os pais responsabilizam professores e orientadores - e até o sistema educacional - pelo fracasso dos filhos. "Tanto os alunos quanto os pais sentem que não há margem para erro, e até mesmo uma nota ruim pode ser vista como uma crise", diz ele. Segundo ele, dez alunos trocaram de orientador porque eles, ou os pais, sentiram que não estavam recebendo a atenção necessária.

Sweeney precisa se preocupar com mais do que apenas pais e alunos. A Universidade Georgetown certa vez reclamou de que um aluno violou a sua política recente de admissão (que solicita aos alunos que não se inscrevam antes para outras universidades que exijam que eles ingressem nestas instituições, caso sejam aceitos). Como isso poderia ocorrer? Nem mesmo Sweeney tem uma resposta direta. Ninguém tem. "Seria preciso um mapa do tamanho da minha parede para acompanhar todas essas variações".

"A nossa credibilidade está em jogo", diz ele. "Se os nossos alunos começarem a abusar do sistema, certamente isso terá um reflexo negativo sobre nós".

Sweeney raramente liga para um colega para argumentar a respeito de uma rejeição, embora alunos e pais peçam que ele interceda. Mas ele pega o telefone quando um dos seus alunos é colocado no mundo nebuloso das filas de espera.

É muito cedo para isso, mas alguns resultados estão surgindo. Dez dos 37 formandos de Sweeney inscreveram-se com antecedência para universidades, incluindo Columbia, Middlebury, Wesleyan, Colgate e Gettysburg. Nove foram aceitos.

"Não acredito que o trabalho de um orientador possa ser reduzido a um currículo, uma fórmula ou até mesmo a dados quantificáveis que determinem sucesso ou fracasso", diz ele. "Nem mesmo a lista de aceitação nas universidades é um barômetro verdadeiro. Em última instância, as coisas acabam se resumindo a: 'Até que ponto Sweeney me conhece? Ele se importa comigo? Será que me dá ouvidos? Ele me orienta? E será que esteve disposto a me ajudar quando precisei dele?" UOL

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