UOL Notícias Internacional
 

11/01/2008

Duas reféns políticas são libertadas após negociações de Chávez com rebeldes colombianos

The New York Times
Simon Romero

Em Caracas, Venezuela
Os guerrilheiros colombianos libertaram duas reféns politicamente proeminentes na quinta-feira, as entregando a dois emissários do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em um avanço nos esforços de mediação com o maior grupo rebelde da América Latina.

Foi um dia de triunfo para Chávez, que tinha sofrido uma dura derrota política em um referendo para reforma da Constituição da Venezuela, em dezembro.

As reféns, que estavam há mais de cinco anos nas mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc, estavam radiantes, sorrindo e aparentemente com saúde ao saírem da densa floresta em Guaviare, no sul da Colômbia, acompanhadas por cerca de meia dúzia de guerrilheiros.

A operação, coordenada por Chávez, ocorreu após semanas de confusão na qual o filho de 3 anos de uma das reféns, Clara Rojas, foi encontrado em um lar adotivo em Bogotá e não entre os guerrilheiros, como indicaram. Em dezembro, os rebeldes concordaram em libertar Rojas, 44 anos, uma política colombiana seqüestrada em 2002, juntamente com seu filho, Emmanuel, e Consuelo González de Perdomo, 57 anos, uma ex-deputada colombiana seqüestrada em 2001.

"Obrigada, presidente", disse González para Chávez em imagens da entrega registradas pela "Telesur", a rede regional de notícias apoiada pelo governo da Venezuela. "Não desista."

As duas mulheres, em camisetas pretas e calças de ginástica, sorriam diante das câmeras enquanto se despediam de seus seqüestradores, vestidos em uniformes de combate e carregando rifles de assalto. As reféns beijaram no rosto as mulheres entre os guerrilheiros e apertaram as mãos dos homens. Os rebeldes se despediram e marcharam de volta para a selva.

Então uma aeronave venezuelana as transportou para cá para se encontrarem com seus parentes. Chávez usou o aparato de mídia de seu governo para celebrar a libertação das duas mulheres, transmitindo ao vivo o reencontro com seus familiares pela televisão estatal.

Seu emissário na missão de resgate, o ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, vestido de vermelho, a cor do movimento político de Chávez, manteve o presidente informado por telefone por satélite, como mostraram imagens da televisão estatal.

"A Venezuela continuará abrindo o caminho para a paz na Colômbia", disse Chávez aos repórteres.

Chávez, que é criticado em casa por negligenciar o aumento de seqüestros e homicídios, incluindo o seqüestro de venezuelanos por guerrilheiros colombianos, recebeu as duas mulheres no palácio presidencial aqui. Elas foram vistas na televisão ao lado dele diante de uma banda militar que tocou os hinos da Venezuela e da Colômbia.

A libertação das mulheres ocorre após anos de dificuldades na selva. Há dois anos, enquanto González estava no cativeiro, seu marido, Jairo Perdomo, morreu de ataque cardíaco. Rojas, uma advogada e ex-assessora de outra refém, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, deu à luz no cativeiro há três anos, apenas para ser separada de seu filho, cujo pai supostamente é um rebelde.

Em comentários transmitidos pela rádio colombiana, Rojas disse que os rebeldes levaram seu filho quando ele tinha 8 meses. "O momento do nascimento foi difícil", ela disse. "Eles realizaram uma cesariana e fiquei em recuperação por 40 dias, sem me mover, sem poder sair da cama." Ela confirmou os relatos de que o braço de Emmanuel quebrou no parto.

As tensões políticas entre a Venezuela e a Colômbia se intensificaram desde que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, retirou seu apoio em novembro aos esforços de mediação de Chávez. As Farc, na negociação pelos reféns políticos, aparentemente busca garantir a libertação de centenas de guerrilheiros presos na Colômbia, assim como dois membros extraditados para os Estados Unidos.

O governo da Colômbia, que expressou desdém pelas ações do grupo durante a diplomacia de Chávez com os rebeldes, aprovou a mais recente missão de resgate, suspendendo temporariamente as operações militares na área onde a entrega das reféns foi realizada.

A libertação das duas reféns aumentou as esperanças de mais de 40 outros reféns do grupo, alguns mantidos há quase uma década, incluindo três americanos seqüestrados em 2003, quando seu avião de vigilância caiu. Betancourt, a ex-candidata presidencial, foi capturada com Rojas em 2002.

As autoridades colombianas obtiveram vídeos, fotos e cartas em novembro mostrando que mais de 15 dos reféns, incluindo Betancourt e os três americanos, Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell, ainda estavam vivos recentemente.

Acredita-se que o grupo rebelde, em guerra com o governo colombiano desde os anos 60, mantenha cerca de 700 outros reféns visando pagamento de resgate, em vez de exigências políticas.

A insurreição de inspiração marxista, que financia a si mesma por meio de seqüestros e tráfico de cocaína, encontrou em Chávez alguém disposto a lhes conceder um raro grau de respeito nas negociações.

"As Farc fizeram uso do seqüestro, um crime horrível em violação à lei internacional, para obter um grau de reconhecimento político", disse Adam Isacson, que acompanha a guerra da Colômbia para o Centro de Política Internacional, uma organização de pesquisa em Washington.

Apesar de Uribe, o presidente colombiano, ser o maior aliado do governo Bush na América do Sul, as autoridades americanas reconheceram a contragosto o papel de Chávez. "Nós apreciamos a libertação das duas reféns", disse Tom Casey, um porta-voz do Departamento de Estado, aos repórteres em Washington.

"Nós também apreciamos a liderança do presidente Uribe", disse Casey, "na tentativa de conseguir a libertação desses reféns, e apreciamos os esforços de quaisquer indivíduos que possam ajudar a conseguir isto, em cooperação com o governo colombiano". George El Khouri Andolfato

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