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11/01/2008

Pesquisa amplia alvos potenciais para medicamentos contra Aids

The New York Times
Donald G. McNeil Jr.
Usando um novo tipo de teste genético, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard identificaram 273 proteínas que o vírus da Aids necessita para sobreviver nas células humanas, abrindo novos alvos potenciais para os medicamentos.

O trabalho deles, publicado online na quinta-feira pela revista "Science", empregou interferência de RNA para examinar milhares de genes produtores de proteína; anteriormente, cientistas identificaram apenas 36 proteínas humanas que o vírus usa para invadir as células, seqüestrar seu "maquinário" e começarem a se reproduzir.

"Este é um trabalho incrível", disse o dr. Robert C. Gallo, diretor do Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland e um co-descobridor do vírus. "Eu acho que está destinado a ser um dos principais trabalhos da década neste campo."

O dr. Anthony S. Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e um dos principais especialistas do governo em Aids, chamou o trabalho da equipe de Harvard de "ciência elegante", mas adicionou cautela.

"Ainda resta saber se alguma destas proteínas que identificaram é utilizável clinicamente", disse Fauci. "Isto é um gerador de hipóteses, não um solucionador de hipóteses. Ele cria muito trabalho -é preciso percorrer todos estes caminhos."

O principal autor do trabalho, o dr. Stephen J. Elledge, é um geneticista e este é seu primeiro trabalho sobre o vírus da imunodeficiência humana, que causa a Aids. Seu trabalho anterior foi sobre câncer, disse Elledge, tentando descobrir como as células sentem quando seus cromossomos são quebrados, e este trabalho foi um esforço colaborativo.

"Eu nem mesmo posso cultivar o HIV em meu laboratório", disse Elledge, de forma que tivemos que usar o vírus cultivado pela dra. Judy Lieberman, diretora da divisão de Aids da escola de medicina e uma das co-autoras do estudo.

A equipe de Elledge usou um banco de dezenas de milhares de diferentes moléculas curtas RNAs interferentes, pedaços do código genético -cada um deles, quando introduzido em uma célula, desativando a capacidade da célula de produzir uma proteína específica.

Em seguida, cerca de 21 mil amostras de células, cada uma privada de sua capacidade de produzir uma proteína, foram colocadas em cavidades diferentes de placas de laboratório e dosadas com o vírus.

Quando o vírus não conseguia se reproduzir normalmente em uma determinada cavidade, isto sugeria que a proteína ausente era uma daquelas que ele precisava.

Das 273 proteínas humanas identificadas, apenas 36 já tinham sido apontadas por outros métodos.

O vírus, que é apenas uma cadeia curta de material genético dentro de uma cápsula protetora, só pode produzir 15 proteínas, de forma que precisa fazer uso de proteínas humanas.

A vantagem de visar as proteínas humanas é que o vírus supostamente não seria capaz de sofrer mutação para evitar as drogas que o bloqueiam, disse Elledge. No momento, linhagens do vírus desenvolveram resistência a drogas anti-retrovirais, que atacam as 15 proteínas produzidas pelo próprio vírus, como a transcriptase reversa e a protease. As mutações forçam os pacientes de Aids a mudarem o regime de medicamentos -algo nem sempre bem-sucedido.

A desvantagem é que o bloqueio das proteínas humanas pode, obviamente, ser fatal para os seres humanos. Mas, como Gallo apontou, a terapia de câncer funciona desta forma -os médicos tentam bloquear as proteínas que alimentam as células de tumores em rápido crescimento sem matar em excesso outras células, como as da medula óssea.

No momento, disse Elledge, apenas uma droga que visa uma das proteínas humanas conhecidas, um receptor chamado CCR5, foi desenvolvida e acabou de receber aprovação.

A nova tecnologia de exame, conhecida como siRNA, atualmente é usada em muitos laboratórios, de forma que este trabalho teoricamente poderia ter sido realizado em outro lugar, ou usando métodos mais antigos, mais trabalhosos.

Elledge disse que se beneficiou por trabalhar em Harvard, que financiou a cara tecnologia robótica e de imagens necessária.

"E contei com muitos colaboradores e pessoas muito dedicadas", ele disse.

Para confirmar que as proteínas recém-identificadas eram importantes para o ciclo de vida do vírus -que Elledge descreveu como "opaco"- a equipe realizou testes adicionais em três deles.

Muitas proteínas identificadas pelo teste já eram conhecidas como sendo importantes para as células no sistema imunológico, que é a porta de entrada do HIV.

O dr. Abraham L. Brass, um co-autor, disse que o método de teste sem dúvida deixou escapar outras proteínas que o vírus necessita, "mas a maioria das que descobrimos muito provavelmente exerce um papel na propagação do HIV". George El Khouri Andolfato

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