UOL Notícias Internacional
 

16/01/2008

Sobre sexo após cirurgia de próstata, os dados são confusos

The New York Times
Tara Parker-Pope
Para os homens que são submetidos a cirurgia de câncer de próstata, um dos maiores temores é de que ficarão impotentes. Infelizmente, a pesquisa que poderia ajudar a esclarecer esta questão provavelmente apenas confundirá.

Um estudo notável em 2005 mostrou que um ano após a cirurgia, 97% dos pacientes conseguiram ter uma ereção adequada para relação sexual. Mas no mês passado, pesquisadores da Universidade George Washington e da Universidade de Nova York revisaram dados provisórios de seu próprio estudo, mostrando que menos da metade dos homens que passaram pela cirurgia sentiu que suas vidas sexuais voltaram ao normal em um ano.

Assim, qual dos estudos está certo? Surpreendentemente, ambos.

Os resultados dependem de várias variáveis cruciais -o tipo de paciente estudado, a vida sexual antes da cirurgia e, mais importante, as definições usadas pelos médicos para definir potência.

Dos 219 mil homens por ano que recebem diagnóstico de câncer de próstata, quase metade passa por remoção cirúrgica da glândula, segundo o Instituto Nacional do Câncer.

A maioria dos principais cirurgiões informa que uma grande maioria de seus pacientes pode conseguir ereções "adequadas para relação sexual" após a operação. (Os candidatos para cirurgia freqüentemente pesquisam pela Internet por cirurgiões que postam os melhores resultados.)

Segundo tal definição, um homem que praticou regularmente sexo após a cirurgia, um homem que conseguiu manter relação sexual apenas uma vez e um homem que teve grande dificuldade toda vez que praticou sexo seriam todos considerados histórias de sucesso.

"Tal definição é enganadora", disse o dr. Jason D. Engel, diretor do programa de cirurgia urológica robótica do Hospital da Universidade George Washington. "Não quer dizer que tenha sido uma boa relação sexual, assim como nem mesmo signifique que seu pênis tenha ficado ereto. Tal homem dirá: 'Estou impotente'. Mas aos olhos do cirurgião, tal homem teve uma ereção adequada para relação sexual."

A melhor pergunta para os homens é se poderão praticar sexo quando quiserem, com ou sem medicamentos como o Viagra. Em uma recente série de pacientes, Engel descobriu que após um ano, 47% dos homens submetidos a prostatectomia robótica foram capazes de praticar sexo regularmente.

Apesar de poder citar estatísticas para dar aos homens uma visão mais esperançosa, ele disse que isso não ajuda o paciente.

"Eu sei o que o paciente quer saber e sei do que ele tem medo", ele disse. "Eu acho que tenho pacientes bem mais felizes, porque eles conhecem a realidade."

A realidade é que se um homem será capaz de praticar sexo após uma cirurgia de próstata depende tanto do homem quanto do cirurgião. Quão boa era sua vida sexual antes do câncer? Ele conta com uma parceira que dá apoio? Ele precisava usar um medicamento para ereção antes da cirurgia?

O dr. Ash Tewari, diretor de prostatectomia robótica do New York-Presbyterian/Weill Cornell Medical Center e co-autor do estudo no "The Journal of Urology", disse que 97% dos dados de potência no relatório vieram de um grupo "seleto".

"É uma definição muito rudimentar, eu concordo", disse Tewari, que realizará cerca de 600 procedimentos neste ano, um dos totais mais prolíficos no país.

Se um paciente tem uma boa função sexual sem medicamentos para aumentar a ereção antes da cirurgia, Tewari lhe diz que ele tem cerca de 85% de chance de recuperar uma ereção firme o bastante para relação sexual, apesar de poder precisar de medicamentos para ereção e poder levar até 18 meses para o retorno de sua função.

Tudo isso depende do câncer estar em um estágio inicial, longe dos nervos e contido. "O paciente não deve esquecer o motivo pelo qual está passando por este tratamento", disse Tewari. "Mantendo tal foco em mente, é possível fazermos algo para devolver a função sexual? Sim, mas tudo depende das cartas que tivermos na mão."

Homens mais velhos ou que usavam medicamentos para ereção antes da cirurgia apresentam uma recuperação mais difícil. Após a cirurgia, os pacientes passam por uma reabilitação peniana, que envolve uso regular de medicamentos, mesmo se o homem não estiver praticando sexo. A meta é aumentar o fluxo sangüíneo no tecido danificado e promover a cura. Após a cirurgia, muitos pacientes sempre precisarão de medicamentos, injeções ou outros tratamentos para poder praticar sexo, disse o dr. Andrew McCullough, diretor dos Programas de Microcirurgia e Saúde Sexual e Infertilidade Masculina na Universidade de Nova York.

"Menos de 5% dos pacientes permanecem tão bem quanto antes da cirurgia", ele disse. "A coisa que você certamente enfrentará, independente do que as pessoas lhe digam, é disfunção erétil. Mas a boa notícia é que é algo tratável. Se você aceitar o fato que a terá, e tratar disso desde cedo, você não diminuirá o ritmo."

Uma mudança óbvia para um homem após a cirurgia é que ele não mais ejaculará fluido. Muitos homens também se queixam de mudança na qualidade de seus orgasmos. Em 2004, McCullough apresentou para Associação Urológica Americana um sumário de 230 pacientes consecutivos aos quais foi pedido que avaliassem a qualidade do orgasmo antes da cirurgia. Dois anos após a cirurgia, foi perguntado novamente a eles, e 53% dos que tinham orgasmos bons ou muito bons antes da cirurgia disseram que a qualidade piorou.

Alguns homens se queixaram do pênis ter ficado menor após a cirurgia. Os dados não são claros, mas parece ser um problema menor com a cirurgia robótica. Os resultados podem ser explicados pelos diferentes métodos de medição do comprimento do pênis em diferentes instituições médicas.

E há os afortunados que apresentam recuperações rápidas e retomam vidas sexuais normais. Um deles é Gerald Anthony, de Freeport, Long Island, um policial aposentado de 59 anos que foi operado por câncer de próstata com Tewari em dezembro. Anthony disse que sua capacidade sexual já está tão boa quanto antes e que não precisa de medicamento, apesar de concordar que o orgasmo está diferente agora.

"Eu estou feliz", ele disse. "Eu ouço uma pequena seção de trompetes, mas não ouço a orquestra inteira."

Seu caso também ilustra algo que não aparece em muitos estudos médicos.

"Ter uma esposa bonita... isso também ajuda", disse Anthony, que está casado há 19 anos. "Minha esposa é melhor do que qualquer Viagra." George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host