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17/01/2008

Mesmo em casa, partidários se preocupam com Rudolph Giuliani

The New York Times
Sam Roberts*
Por meses, o establishment republicano em Nova York e Nova Jersey marchou quase em passo cadenciado em apoio a Rudolph W.Giuliani, conhecido popularmente como Rudy Giuliani, o ex-prefeito local que confiavam que se tornaria o candidato presidencial indicado pelo partido.

Mas depois que Giuliani despencou de primeiro para quarto -ou pior- em algumas pesquisas nacionais, terminou quase em último nas primeiras primárias do país e sua vantagem evaporou até mesmo na Flórida, o Estado no qual apostou mais tempo e dinheiro, tais líderes republicanos estão pendendo para um novo consenso amargo:

Se Giuliani perder na eleição primária da Flórida em 29 de janeiro, eles disseram, ele poderá ter dificuldade em derrotar vários rivais que estão se estabelecendo em seu próprio quintal.

Shawn Baldwin/The New York Times 
Simpatizante aguarda para falar com o pré-candidato republicano Rudy Giuliani

"É quase certo que ele terá que vencer na Flórida", disse Guy V. Molinari, o ex-presidente do distrito de Staten Island, que é co-presidente do comitê eleitoral de Giuliani em Nova York.

Tais partidários dizem estar confiantes de que se Giuliani vencer na Flórida ou ficar em um segundo lugar bem próximo, ele permanecerá o favorito para conquistar virtualmente todos os delegados das primárias de Nova York, Nova Jersey e Connecticut em 5 de fevereiro, quando os republicanos votam em 22 Estados.

Mas se Giuliani ficar relegado a um distante segundo lugar ou pior na Flórida, mesmo alguns de seus partidários reconhecem que a primária de Nova York, uma semana depois, estaria aberta, com o senador John McCain e o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, sendo os principais rivais de Giuliani. Assim como Giuliani, ambos estão botando em campo chapas plenas de delegados em todos os 29 distritos eleitorais do Estado.

"Se ele conquistar a Flórida, ele conquista Nova York", disse Fred Siegel, um historiador da Cooper Union que serviu como conselheiro do ex-prefeito e escreveu uma biografia dele com tom de admiração. Mas vencer na Flórida exigirá "uma recuperação milagrosa", ele disse, acrescentando: "Eu não apostaria nisso".

Com 101 delegados de Nova York, 52 de Nova Jersey e 30 de Connecticut, a região é responsável por cerca de 15% do número mágico necessário para a indicação. Todas as três são disputas do tipo o vencedor leva tudo.

A forte queda de Giuliani nas pesquisas nacionais e estaduais nas últimas semanas levou muitos de seus principais partidários na área metropolitana a questionarem sua estratégia de ignorar as primeiras disputas em Iowa, New Hampshire e Michigan para se concentrar na Flórida. Ele recebeu pouca cobertura da imprensa durante aquelas primárias e terminou mal colocado em todas.

"Eu acho que muito do que está acontecendo se deve ao papel ativo da campanha inicial em Iowa, New Hampshire e Michigan e ao fato de Rudy ter optado por não competir" disse Guy F. Talarico, um partidário de Giuliani que foi presidente do Partido Republicano em Bergen County, Nova Jersey. "As pessoas se concentram naquilo e dizem: 'Quando é que vamos entrar no jogo?'"

Ainda assim, quando a campanha retornar para a área metropolitana, "eu acho que ele vencerá em Nova Jersey", disse Talarico.

Um alto estrategista republicano que é aliado de Giuliani e está trabalhando com os candidatos legislativos republicanos em Nova York, chamou de "aposta alta" a decisão de Giuliani de evitar as primárias iniciais, uma que, por ora, parece correr o risco de fracassar.

"Quem é que sabe se ainda funcionará?" disse o estrategista, que falou sob a condição de anonimato por não ter sido autorizado pelo comitê eleitoral a falar publicamente. "Mas o risco é o que estamos vendo agora. Nós estamos obviamente preocupados."

Na Flórida, a pesquisa da Universidade Quinnipiac de prováveis eleitores republicanos apontou no mês passado que Giuliani liderava com 28%, seguido pelo ex-governador de Arkansas, Mike Huckabee, com 21%, e Romney, com 20%. Mas uma pesquisa realizada na semana passada apontou um empate estatístico entre quatro candidatos: Giuliani, McCain, Huckabee e Romney.

Os números de Giuliani na pesquisa caíram na Flórida apesar dele ter investido pesadamente lá. O ex-prefeito gastou quase US$ 600 mil em propaganda em televisão na Flórida entre 8 de dezembro e 6 de janeiro, atrás apenas de Romney, que gastou US$ 676.851, segundo Campaign Media Analysis Group, uma firma de pesquisa de propaganda política.

Quase todos os gastos de Giuliani ocorreram nos últimos 10 dias de tal período, quando Romney parou de comprar espaço publicitário.

A disputa também acirrou em Nova Jersey, segundo uma pesquisa divulgada nesta semana pela Universidade Monmouth/Gannett. A pesquisa mostrava McCain liderando com 29% e Giuliani com 25%, uma diferença dentro da margem de erro. Em setembro, a mesma pesquisa apontava Giuliani com 32 pontos à frente de seu rival mais próximo, McCain.

Na quarta-feira, McCain prometeu competir duramente em Nova York. "Eu vou muito lá pelo dinheiro", ele disse. "Mas é necessário que eu vá lá pelos votos."

Nacionalmente, uma pesquisa New York Times/CBS News divulgada no domingo apontou que Giuliani, que liderava no campo republicano com 29% em outubro e que estava empatado com Huckabee em cerca de 22% no mês passado, despencou para 10%, atrás de McCain e Huckabee.

Em Nova York, com seus 3 milhões de republicanos inscritos, as pesquisas indicam que a vantagem de Giuliani estava ruindo antes mesmo das vitórias de Huckabee, McCain e Romney em Iowa, New Hampshire e Michigan, respectivamente. Em outubro Giuliani estava 33 pontos à frente de seu oponente mais próximo. No mês passado, ele ainda estava à frente com 34%, mas sua vantagem, desta vez para Huckabee, tinha encolhido para 22 pontos.

Novas pesquisas que serão publicadas na próxima semana deverão mostrar que a disputa se tornou ainda mais acirrada, disseram especialistas.

"Eu tenho a sensação de que a queda na Flórida e a queda em Nova Jersey provavelmente serão acompanhadas por uma queda em Nova York", disse Maurice Carroll, diretor da Quinnipiac Poll, que planeja divulgar uma pesquisa sobre Nova York na próxima semana.

Não se sabe que impacto os fracos números de pesquisa de Giuliani e os maus resultados nas primárias terá sobre sua arrecadação de fundos, já que os novos relatórios trimestrais de gastos de campanha não serão apresentados até o final do mês. Mas seu comitê eleitoral informou na semana passada que alguns trabalhadores abriram mão de seus contracheques neste mês para ajudar a poupar os recursos escassos. O comitê eleitoral informou dispor de US$ 7 milhões em dinheiro na mão no momento.

Há também preocupações entre os partidários de Giuliani de que se ele não ganhar impulso antes de 5 de fevereiro, ele terá que gastar fundos preciosos apenas para conquistar Nova York, onde a propaganda é particularmente cara.

Anthony V. Carbonetti, um alto conselheiro político de Giuliani, disse na quarta-feira: "Rudy tem uma longa história de lutar por Nova York, e com tal retrospecto e a equipe de campanha que reunimos, nós venceremos em 5 de fevereiro."

Giuliani conta com algumas vantagens claras na região. Além de contar com maior apoio logístico das autoridades eleitas republicanas, ele conta com o fato dos ítalo-americanos constituírem um quinto dos eleitores nas primárias republicanas em Nova York e Connecticut

Mas apesar de sua popularidade ter ido às alturas após o ataque ao World Trade Center, Giuliani ainda é detestado por alguns nova-iorquinos, incluindo bombeiros bem-organizados que o culpam pelas falhas de comunicação no 11 de Setembro e republicanos que nunca o perdoaram por ter apoiado um democrata, Mario M. Cuomo, para o governo estadual contra George E. Pataki, em 1994. Pataki venceu.

Pataki disse na quarta-feira por meio de um porta-voz, David M. Catalfamo, que "continua avaliando todos os candidatos e que dará seu apoio em breve".

Mas várias pessoas que trabalharam em seu governo, incluindo seu ex-assessor, Michael C. Finnegann, deixaram claro quem apóiam: todos concorrem como delegados de McCain.

* David W. Chen, Marjorie Connelly, Michael Cooper, Alison Leigh Cowan, Raymond Hernandez, David Kocieniewski e Aron Pilhofer contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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