UOL Notícias Internacional
 

18/01/2008

Vírus é associado a câncer de pele

The New York Times
Lawrence K. Altman
Os cientistas descobriram um vírus fortemente ligado à forma mais agressiva de câncer de pele, eles relataram em uma revista científica na quinta-feira.

O câncer, o carcinoma de célula de Merkel, tende a ocorrer mais freqüentemente nas áreas do corpo expostas ao sol, como rosto, cabeça e pescoço. Apesar de ser raro, sua incidência triplicou de 1986 a 2001, e agora é responsável por cerca de 1.200 casos nos Estados Unidos há cada ano, diz o Instituto Nacional do Câncer.

O vírus foi descoberto por uma equipe da Universidade de Pittsburgh que inclui o dr. Patrick S. Moore e sua esposa, a dra. Yuan Chang. Em 1994, quando estavam na Universidade de Columbia, Moore e Chang descobriram o herpes-vírus humano tipo 8, que causa o sarcoma de Kaposi, a malignidade mais comum em pacientes com Aids.

Até o advento da cirurgia de transplante e da Aids, o sarcoma de Kaposi e o carcinoma de célula de Merkel geralmente afetavam pessoas com mais de 65 anos. Agora, a estas pessoas se juntaram aqueles cujos sistemas imunológicos foram comprometidos pela Aids ou pelos medicamentos de transplante de órgãos.

O vírus recém-descoberto pertence à família polioma, que os cientistas estudam há mais de 50 anos porque foi descoberto que outros membros da família produzem cânceres em animais. Apesar da suspeita de que os vírus polioma causavam cânceres em seres humanos, havia falta de provas conclusivas.

Os cientistas de Pittsburgh chamam o novo agente de vírus polioma de célula de Merkel. Em um trabalho publicado on-line pela revista "Science", eles disseram que apesar de suspeitarem que ele causa o câncer de pele de célula de Merkel, mais trabalho é necessário para provar.

"Nós podemos dizer que temos um suspeito com a arma fumegante na cena do crime, mas isto ainda não significa que ele é culpado", disse Moore em uma entrevista por telefone.

"Nós temos um longo caminho para provar que este agente é realmente a causa", ele disse. "Mas o fato do vírus estar tão fortemente associado ao tumor é, no mínimo, uma aposta muito boa de que ele tem um papel importante."

O dr. Anthony S. Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, chamou a descoberta de "muito interessante e importante".

"Não é todo dia que se tem uma prova molecular tão convincente de que um vírus está associado, provavelmente de forma casual, com o desenvolvimento de um processo canceroso em particular", disse Fauci.

O vírus polioma é o sétimo vírus associado a cânceres humanos, disseram Moore e Fauci. Os outros, além do vírus do sarcoma de Kaposi, são os vírus da hepatite B e C, associados ao câncer de fígado; o papilomavírus, ao câncer cervical; o vírus Epstein-Barr, ao câncer no nariz e faringe e ao linfoma de Burkitt; e o HTLV-1, ou vírus da leucemia de células T humanas do tipo 1.

Enquanto Moore e Chang estavam em Columbia, eles começaram a desenvolver uma técnica chamada subtração digital de transcriptoma, que continuaram usando após se mudarem para Pittsburgh, em 2002, na busca de vírus novos ou conhecidos em cânceres relacionados ao sistema imunológico.

Mas não dispondo de amostras de tecido de carcinoma de célula de Merkel na Universidade Pittsburgh, eles tiveram que obter os tecidos na Comprehensive Human Tissue Network, um banco nacional de tecidos financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde para fins de pesquisa.

A equipe, que também inclui Huichen Feng e Masahiro Shuda, adaptou sua técnica de forma a se beneficiar de desenvolvimentos como o projeto do genoma humano.

"Levou muito tempo e cometemos todos os erros que poderíamos cometer nisto", disse Moore.

Os pesquisadores encontraram o vírus polioma nos cânceres de oito de 10 pacientes de Merkel cujos tecidos foram testados. Eles também encontraram o vírus integrado ao genoma da célula de tumor, uma descoberta que fortaleceu a crença de que ele tem um papel importante na causa do câncer.

Para fins de controle, os cientistas também procuraram o vírus entre dois grupos de pessoas sem carcinoma de célula de Merkel. Evidência do novo vírus foi encontrada em tecidos de várias partes do corpo em cinco dos 59 pacientes que compuseram um grupo de controle. Tal evidência também foi encontrada em tecidos da pele de quatro das 25 pessoas do segundo grupo, algumas com sistemas imunológicos saudáveis, outras com deficientes.

Os resultados geraram novos desafios científicos. Um é determinar possíveis ligações entre o vírus e outras doenças. Entre os próximos passos desta equipe está um esforço para determinar se o vírus está relacionado ao linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin, disse Moore.

A técnica usada para identificar o vírus polioma da célula de Merkel elimina seqüências moleculares humanas conhecidas de uma amostra de tecido, deixando seqüências desconhecidas ou não humanas que são exploradas pelos cientistas na busca de um possível agente infeccioso. Moore disse esperar que a técnica seja útil na análise de tecidos de pacientes com doenças de causa desconhecida, visando encontrar um novo agente ou reduzir a probabilidade de que estejam ligadas a um. George El Khouri Andolfato

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