UOL Notícias Internacional
 

19/01/2008

Aumento do desemprego é presságio de recessão nos Estados Unidos

The New York Times
Floyd Norris
Quando o número de norte-americanos sem trabalho começa a aumentar drasticamente, ocorre uma recessão.

Segundo esta lógica, os últimos dados referentes ao número de trabalhadores desempregados são, no mínimo, um sinal de perigo.

O Departamento de Trabalho anunciou em dezembro que 7.665.000 pessoas estavam desempregadas, o que significa que elas ao mesmo tempo não tinham emprego e que não estavam procurando um trabalho. O número foi 13,2% mais elevado do que os 6.700.000 registrados em dezembro do ano anterior. No passado, um aumento anual de 13% consistiu, em todas as ocasiões, em um sinal de uma recessão.

Antes de dezembro, houve nove ciclos nos Estados Unidos desde 1950 durante os quais a variação positiva do número de desempregados foi de 13% ou maior.

Em oito daqueles casos, quando o aumento atingiu os 13%, a recessão já havia começado, segundo conclusões às quais posteriormente chegou o Departamento Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos. No outro caso, a recessão teve início três meses depois.

Aliás, o departamento não define uma recessão como dois trimestres de queda do produto interno bruto real, embora esta definição seja amplamente utilizada. Em vez disso, a instituição diz que "uma recessão é um declínio significativo da atividade econômica disseminado por toda a economia, durando mais do que alguns meses, normalmente visível no produto interno bruto real, na renda real, no desemprego, na produção industrial e nas vendas no atacado e no varejo".

O fato de o desemprego ser um dos indicadores ajuda a explicar historicamente essa correlação estreita, mas isso não aconteceria se tivesse havido ondas de desemprego que não coincidissem com desaquecimentos econômicos mais amplos.

A idéia de que uma recessão já esteja ocorrendo quando o índice de desemprego é de apenas 5% pode parecer estranha para quem tenha acompanhado a economia nas últimas décadas. Esse número é menos da metade do índice atingido em 1982, e menor do que o índice médio de desemprego das décadas de 1970, 1980 e 1990. Mas às vezes o que conta é a tendência, mais do que o nível absoluto de desemprego.

Em décadas passadas, não havia nada de incomum quanto ao fato de uma recessão ter início com um índice de desemprego de 5% ou menos. Das nove recessões registradas pelo departamento de pesquisa econômica desde 1950, cinco tiverem início com um índice de desemprego menor que 5%. Estas foram as recessões de 1953, 1957, 1969, 1973 e 2001.

O padrão normal é que o aumento anual de 13% do número de desempregados ocorra alguns meses após o início da recessão - embora geralmente bem antes disso fique claro para os economistas que a economia entrou em queda -, e que depois disso esse número fique bem maior. Geralmente os índices de aumento anual de desemprego permanecem acima dos 13% durante vários meses após o término da recessão.

A única ocasião na qual o aumento do número de desempregados ocorreu antes do início real da recessão foi em 1969, quando a elevação atingiu a marca dos 13% em setembro, mas o mês do início oficial da recessão foi mais tarde determinado como sendo dezembro. Aquela foi uma rara ocasião na qual o índice de aumento anual, após aumentar para 13%, caiu para abaixo deste nível durante dois meses. E ele não voltou a superar os 13% antes de janeiro de 1970, um mês após o início da recessão.

O desemprego é geralmente visto como um indicador econômico atrasado, já que as companhias podem relutar em demitir trabalhadores quando a demanda começa a diminuir, aguardando até que as más notícias de fato se confirmem. Quando a recessão acaba, há uma relutância semelhante em se contratar até que fique claro que o aquecimento dos negócios não é um fenômeno temporário.

É claro que não existe garantia de que uma recessão esteja chegando. Em 1956, e novamente em 1967, houve aumentos de 12% no número de pessoas desempregadas, mas esse índice recuou rapidamente sem que ocorresse rapidamente uma recessão. Mas o fato é que nunca antes este índice subiu para 13% sem que uma recessão fosse iminente ou que já estivesse ocorrendo... UOL

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,22
    3,142
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    0,67
    70.477,63
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host