UOL Notícias Internacional
 

19/01/2008

Segundo a CIA, fundamentalista islâmico foi responsável pelo assassinato de Benazir Bhutto

The New York Times
Mark Mazzetti
Em Washington
A Agência Central de Inteligência (CIA) concluiu que os assassinos da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto foram dirigidos por Baitullah Mehsud, um líder militante paquistanês que vive na clandestinidade. A agência de inteligência norte-americana informou ainda que alguns dos assassinos tinham vínculos com a Al Qaeda.

O parecer da CIA se constitui na primeira análise formal por parte do governo norte-americano a respeito de quem foi responsável pelo assassinato de Bhutto, em 27 de dezembro último. O assassinato ocorreu durante um comício político na cidade de Rawalpindi, localidade que abriga uma guarnição militar.
Nadeem Soomro/Reuters - 17.jan.2008
Homem vende pôsteres da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto em frente ao mausoléu onde ela está enterrada


"Existem fortíssimas razões para acreditarmos que as redes de terrorismo em torno de Baitullah foram as responsáveis", disse um oficial de inteligência norte-americano, sob a condição de que o seu nome não fosse divulgado, já que ele não está autorizado a falar publicamente sobre o assunto.

O oficial de inteligência disse que "diferentes informações" indicaram a responsabilidade de Mehsud, mas ele não forneceu quaisquer detalhes sobre os dados que levaram a CIA a chegar a tal conclusão.

O general Michael V. Hayden, o diretor da CIA, discutiu a conclusão da agência em uma entrevista ao jornal "The Washington Post", publicada na sexta-feira (18/01).

Alguns amigos e aliados de Bhutto questionaram as conclusões da CIA, especialmente devido ao fato de a ex-líder ter sido enterrada antes que se fizesse uma investigação completa. O governo britânico enviou uma equipe da Scotland Yard para participar da investigação do assassinato.

"A CIA parece estar muito ansiosa para isentar de culpa os seus colaboradores no Paquistão, que estão sendo apontados como culpados pela maioria dos paquistaneses", afirma Husain Haqqani, um ex-assessor de Bhutto e professor da Universidade de Boston. "Tendo em vista a divisão em relação a este assunto no Paquistão, seria melhor que houvesse uma investigação internacional dirigida pela ONU".

Poucos dias após o assassinato de Bhutto, as autoridades paquistanesas anunciaram que haviam interceptado comunicações entre Mehsud e militantes sob o seu comando. Segundo as autoridades, nessas comunicações o líder teria elogiado os seus seguidores pelo sucesso da ação, e teria assumido a responsabilidade pelo assassinato.

Por meio de um porta-voz, Mehsud negou ter responsabilidade pelo assassinato e sugeriu que os assassinos foram comandados por Pervez Musharraf, presidente do Paquistão e rival de longa data de Bhutto.

Membros do partido político de Bhutto, juntamente com alguns dos familiares da ex-primeira-ministra, também questionaram a versão apresentada pelo governo paquistanês. Eles culparam Musharraf por não ter fornecido proteção adequada a Bhutto enquanto ela fazia campanha pelo país, e alguns sugeriram que elementos do governo do Paquistão poderiam estar por trás do assassinato.

Autoridades norte-americanas e paquistanesas culparam os seguidores de Mehsud por vários ataques suicidas recentes contra o governo, as forças armadas e alvos de inteligência no Paquistão. De acordo com aquelas autoridades, a partir da sua base nas áreas tribais do Waziristão do Sul, ao longo da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, Mehsud administra campos de treinamento e envia homens-bomba para além da área fronteiriça entre os dois países. Acredita-se também que ele tenha vínculos com os militantes árabes e da Ásia Central que estabeleceram-se em redutos nessas áreas tribais.

Autoridades governamentais no Paquistão e analistas de segurança independentes acreditam que, cada vez mais, a rede Al Qaeda no Paquistão é formada não por combatentes estrangeiros, mas sim por militantes da própria região cuja prioridade principal é desestabilizar o governo do Paquistão.

Oficiais de inteligência norte-americanos acreditam que a Al Qaeda criou de forma sistemática uma zona de abrigo nas áreas tribais montanhosas do oeste do Paquistão, construindo uma rede de instalações improvisadas nas quais militantes paquistaneses e combatentes estrangeiros fazem treinamentos e planejam ataques terroristas.

Isso gerou uma frustração crescente entre oficiais de inteligência e de contra-terrorismo, muitos dos quais acreditam que os Estados Unidos deveriam adotar medidas unilaterais agressivas no sentido de desmantelar as redes de terrorismo nessas áreas tribais. Atualmente o governo Bush está ponderando várias propostas no sentido de intensificar ações clandestinas no Paquistão contra a rede Al Qaeda.

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