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24/01/2008

Economia está perto de sentir os efeitos da alta persistente do petróleo

The New York Times
Jad Mouawad
Enquanto os temores de uma recessão americana se espalhavam pelo mundo nesta semana, analistas e especialistas em energia se perguntavam se o grande boom do petróleo dos últimos cinco anos estava finalmente chegando ao fim -ou se apenas estava fazendo uma pausa.

Apesar de uma desaceleração econômica poder levar a um menor consumo de petróleo, com os consumidores reduzindo seu consumo e empresas reduzindo viagens aéreas, alguns economistas disseram que isto não necessariamente resultaria em preços mais baixos de energia. A oferta global de petróleo é limitada, as tensões geopolíticas permanecem altas e os produtores estão contando com preços mais altos para compensarem o aumento dos custos.

Após chegar brevemente por duas vezes à marca de US$ 100 o barril, os preços caíram 13% desde o início do ano. Os contratos futuros de petróleo cru na Bolsa Mercantil de Nova York caíram US$ 2,22 por barril, ou 2,5%, fechando a US$ 86,99 o barril na quarta-feira, o preço mais baixo desde outubro.

Mesmo com uma desaceleração econômica nos Estados Unidos, alguns especialistas temem que o mundo ainda poderia se ver diante de custos de energia mais altos, uma situação que lembraria meados dos anos 70 ou início dos anos 90.

Apesar das nuvens pairando sobre a economia e as recentes perdas nos mercados de ações, vários analistas de energia disseram acreditar que os preços do petróleo serão em média de US$ 80 neste ano, US$ 8 a mais por barril do que a média do ano passado -e quase o dobro do valor em 2004.

A perspectiva de um colapso nos preços do petróleo, como o que levou o barril a US$ 10 após a crise financeira asiática no final dos anos 90, permanece altamente remota. Na verdade, os corretores de energia estão apostando em preços historicamente altos até 2010, pagando cerca de US$ 83 o barril por contratos futuros com entrega do petróleo em dois anos.

"O movimento de alta dos últimos dois anos parece ter chegado ao fim", disse Antoine Halff, o chefe de pesquisa de commodities da Newedge, uma corretora. "Mas isto significa que reverterá às baixas que tínhamos anteriormente? Há outros fatores que estão sustentando os preços."

Os esforços para expandir a produção de petróleo são limitados por escassez e custos cada vez altos por materiais e mão-de-obra, assim como atrasos gerais em projetos. Enquanto isso, as tensões geopolíticas no Iraque, Irã e Nigéria -e políticas mais restritivas na Rússia e na Venezuela ao investimento estrangeiro em campos de petróleo- atrapalham o aumento da produção em alguns dos fornecedores mais importantes do mundo.

"Eu não acho que haverá um dia de ajuste para os preços do petróleo porque não acho que temos uma bolha", disse Halff.

Os especialistas estão preocupados com o fato dos altos preços de energia poderem pesar mais fortemente na economia, agora que uma desaceleração do crescimento parece próxima. Em uma visita ao Cairo, Egito, na quarta-feira, Samuel W. Bodman, o secretário de energia dos Estados Unidos, disse aos repórteres que os altos preços estavam começando a prejudicar a economia americana.

"A economia conseguiu suportar até agora", disse Bodman. "Eu acredito que o preço do petróleo a US$ 100 está começando a ter um impacto."

Por ora, a desaceleração econômica ainda precisa se traduzir em uma queda significativa no consumo de petróleo.

Analistas da Barclays Capital, por exemplo, notaram que as refinarias da China estavam aumentando as importações de diesel para atender a uma severa escassez de oferta. Os analistas disseram que a série de fatores que elevou os preços nos últimos anos ainda está em ação: os estoques comerciais de petróleo nos países industrializados estão abaixo de sua média de cinco anos, o aumento da produção por países não ligados à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) é baixo, e a desaceleração econômica significa que os países da Opep têm pouco incentivo para aumentar a produção.

Outros commodities também parecem estar resistindo aos ventos contrários econômicos. Metais preciosos como ouro, que tradicionalmente servem como refúgio para os investimentos, têm se beneficiado com o mais recente corte nas taxas de juros promovido pelo Federal Reserve, o banco central americano, enquanto a demanda por alumínio, níquel e minério de ferro permanece robusta graças às economias em desenvolvimento.

Os especialistas dizem que simplesmente não sabem como a desaceleração econômica afetará países em desenvolvimento como China, Índia, Brasil e Rússia, que são uma grande fonte do aumento da demanda por commodities.

"Há uma ambigüidade", disse Bart Melek, o estrategista global de commodity da BMO Capital Markets.

A demanda global por petróleo provavelmente continuará crescendo neste ano em cerca de 1,4 milhão de barris por dia, segundo previsões da Lehman Brothers. Mas alguns especialistas acreditam que um menor crescimento econômico reduzirá a demanda e conseqüentemente os preços. Lawrence J. Goldstein, um economista da Fundação de Pesquisa de Política de Energia, disse que de 2005 a 2007, os preços mais altos reduziram a demanda nos Estados Unidos, Europa e Japão em cerca de 700 mil barris por dia. Ele espera que a demanda global crescerá em menos de um milhão de barris por dia neste ano.

"Os três pontos de pressão do mercado -a falta de petróleo cru, a falta de capacidade adicional de refino e a falta de estoques do produto- melhorarão neste ano", disse Goldstein. "O problema é qual será o verdadeiro crescimento da demanda neste ano. Ninguém sabe ao certo."

Enquanto isso, nova oferta de petróleo, que não tem acompanhado o crescimento da demanda nos últimos anos, deverá crescer em até 2,5 milhões de barris por dia, graças em grande parte aos investimentos feitos pelos países da Opep, incluindo a Arábia Saudita, e em parte devido aos aumentos na Rússia. Apesar desses aumentos poderem ajudar a refazer os estoques de reserva que faltavam recentemente, os analistas ainda prevêem um sistema apertado de energia neste ano.

"O mercado ainda está fundamentalmente bem apoiado", disse Adam J. Robinson, um analista de energia da Lehman, que espera os preços do petróleo em média a US$ 84 o barril neste ano. Mas os preços poderiam cair abaixo de US$ 65 em caso de uma queda acentuada da demanda.

Isto seria considerado um preço extraordinário há poucos anos, mas hoje é o mínimo necessário para promover novos investimentos em oferta de petróleo, disse Robinson. George El Khouri Andolfato

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