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26/01/2008

Venezuelano se declara culpado em acobertamento de transferência de dinheiro

The New York Times
Alexei Barrionuevo

No Rio de Janeiro
Na sexta-feira, um advogado venezuelano se declarou culpado em Miami de seu papel em uma trama para acobertar o destino de uma mala contendo US$ 800 mil em dinheiro, que promotores americanos disseram ser uma contribuição do governo venezuelano à campanha de Cristina Fernández de Kirchner à presidência da Argentina.

O advogado, Moisés Maionica, 36 anos, era um dos cinco estrangeiros indiciados em dezembro por conspiração para silenciar Guido Alejandro Antonini Wilson, o empresário venezuelano-americano que foi pego levando a mala pelas autoridades alfandegárias em Buenos Aires.

Em um caso contestado pelos governos da Argentina e da Venezuela, uma investigação de quatro meses levou promotores americanos a indiciarem quatro venezuelanos e um uruguaio por conspiração e por agirem como agentes estrangeiros não registrados do governo venezuelano, no que disseram ser um esquema de acobertamento.

Maionica reconheceu em um tribunal distrital federal na sexta-feira que se encontrou com Antonini e com pessoas suspeitas de serem agentes venezuelanos, e de ter arranjado os contatos entre Antonini e uma autoridade da agência de inteligência da Venezuela, que o FBI disse ter gravado.

Desde que o caso veio à tona em dezembro, tanto Kirchner quanto Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, têm atacado os Estados Unidos por sua investigação da mala misteriosa. Ambos os líderes acusaram as autoridades americanas de usarem o processo judicial como política externa contra o governo Chávez e de tentar separar a Argentina e a Venezuela, que se tornaram aliadas estreitas nos últimos anos. O governo Chávez chegou até mesmo a dizer que toda a operação era um plano da CIA para desacreditá-lo.

Ruben Oliva, o advogado de Maionica, disse no tribunal que seu cliente estava nos Estados Unidos se preparando para partir em um cruzeiro quando recebeu um telefonema de uma importante autoridade venezuelana, que lhe pediu para ajudar Antonini, segundo a agência de notícias "The Associated Press".

Olivia disse que Maionica não sabia que precisava ser registrado como agente de um governo estrangeiro, mas que ignorância da lei não era uma defesa. Maionica se declarou culpado de ambas as acusações e respondeu em espanhol às perguntas da juíza Joan A. Lenard, informou a "AP".

O advogado se recusou a fazer comentários fora do tribunal. Maionica deverá ser sentenciado em 4 de agosto.

Especialistas familiarizados com o caso disseram que Maionica poderá ser de valor para ajudar os promotores a entenderem a origem do que disseram ser dinheiro para silenciar Antonini e a identificarem as autoridades de inteligência e do governo da Venezuela que dirigiram as negociações. Seu depoimento em outros casos poderia ser altamente prejudicial ao governo venezuelano, que também alega estar investigando o incidente.

Os demais suspeitos sob custódia são Carlos Kauffmann, 35 anos, e Franklin Duran, 40 anos, ambos da Venezuela, e Rodolfo Wanseele, 40 anos, do Uruguai. Todos os três se declararam inocentes e poderão enfrentar 15 anos de prisão e US$ 250 mil em multas se condenados por conspiração e por não terem se registrado como agentes estrangeiros. O julgamento está marcado para 17 de março.

Outro homem acusado no caso, Antonio José Canchica Gómez, que seria uma autoridade do serviço de inteligência da Venezuela, a Disip, permanece foragido.

O caso teve início em 4 de agosto, quando um avião fretado pousou em Buenos Aires. Oito passageiros estavam a bordo, incluindo Antonini e quatro diretores da Petróleos de Venezuela, a companhia estatal de petróleo venezuelana. O dinheiro foi encontrado em uma mala carregada por Antonini após suspeita de uma autoridade alfandegária.

Antonini, que não era o dono da mala, a levava a pedido de outro passageiro, segundo um documento adicionado aos autos na sexta-feira por Thomas J. Mulvihill, o promotor federal que comanda o caso. Antonini foi convidado a acompanhar os outros sete passageiros na viagem a Buenos Aires apenas poucas horas antes do avião decolar de Caracas, segundo o documento.

Após ser questionado no aeroporto em Buenos Aires, Antonini foi autorizado a partir após assinar um documento afirmando ter cometido uma infração leve. O dinheiro foi apreendido pelo governo argentino.

Antonini partiu da Argentina dois dias depois e voltou aos Estados Unidos. Logo depois, ele procurou os investigadores federais e começou a usar equipamento de escuta fornecido pelo FBI. Assim teve início quatro meses de cooperação com os investigadores, que gravaram uma série de encontros e telefonemas no sul da Flórida envolvendo os cinco suspeitos.

Os promotores disseram que foi Duran quem foi gravado dizendo a Antonini que o dinheiro era para a campanha de Kirchner, que foi eleita em outubro. Em 27 de agosto, Duran identificou a pessoa que levava o dinheiro no avião como sendo o assistente de um alto executivo da companhia de petróleo venezuelana, segundo os autos do processo. George El Khouri Andolfato

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