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29/01/2008

Gorbachev critica eleições russas

The New York Times
C.J. Chivers
Em Moscou
Mikhail S. Gorbachev, último líder da União Soviética, criticou duramente o sistema eleitoral russo em observações publicadas na segunda-feira (28/1) e pediu reformas extensas ao sistema que assegurou o poder do presidente Vladimir V. Putin e do círculo interno do Kremlin.

"Algo está errado em nossas eleições, e nosso sistema eleitoral precisa de um importante ajuste", disse o ex-líder soviético.

As observações, feitas em uma entrevista telefônica com a agência Interfax de notícias no domingo, seguiram a rejeição do governo russo do único candidato sério de oposição nas eleições presidenciais do dia 2 de março.

Ben Stansall
O ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev deixa a Downing Street, em Londres, após encontro com o
primeiro-ministro britânico Gordon Brown
O momento foi específico e provocativo, e as observações foram as críticas mais abertas à política do país até hoje feitas por uma importante figura política russa, enquanto Putin prepara-se para transferir o poder a um sucessor escolhido. Elas foram ignoradas pelos noticiários de televisão, que são controlados pelo Kremlin. O candidato de oposição, o ex-primeiro-ministro Mikhail M. Kasyanov, não recebeu permissão da Comissão Central de Eleição para participar das eleições. A comissão alegou que 13% das mais de 2 milhões de assinaturas apresentadas em seus documentos de inscrição eram inválidas.

Kasyanov disse que as assinaturas eram válidas, e que o Kremlin havia dado ordens à comissão para bloquear sua candidatura como meio de garantir a eleição de Dmitri A. Medvedev, vice-primeiro-ministro e candidato selecionado por Putin.

Os partidários de Kasyanov antes haviam denunciado provocações e ameaças das autoridades russas, que ameaçaram-nos com prisão e perda do emprego.

Gorbachev não citou Kasyanov diretamente, apesar do assessor de Gorbachev, Pavel Palazhchenko, dizer que eram em resposta a pergunta do jornalista sobre o fim da candidatura de Kasyanov.

Palazhchenko, em entrevista telefônica de Londres, também disse que a Interfax havia ligado para o ex-líder soviético para confirmar a precisão de suas citações antes de publicá-las.

O ex-líder soviético, nas declarações publicadas, disse que o resultado da eleição era "previsível desde o início" e "predeterminado pelo enorme papel que Vladimir Putin teve".

Putin, que sob a lei russa não pode assumir um terceiro mandato, disse que será primeiro-ministro sob Medvedev -uma decisão que significa que mudarão de escritórios na primavera, mas não necessariamente entregará o poder.

Gorbachev freqüentemente deu apoio público a Putin e deu-lhe o crédito de desfazer grande parte da desordem dos anos 90 sob o presidente Boris Yeltsin, amargo rival de Gorbachev.

Entretanto, ele também assumiu posições independentes, inclusive de apoio ao "Novaya Gazeta", jornal independente que critica ferozmente as autoridades russas e não poupa Putin.

Enfrentando a aquiescência pública que acompanhou a ascensão de Putin, Gorbachev disse que o jornalismo investigativo e a crítica às autoridades são essenciais à saúde do país.

Gorbachev já denunciara previamente o estado das eleições. Suas mais recentes observações colocaram-no diretamente contra os meios administrativos e eleitorais pelos quais Putin garantiu que seu círculo permanecesse no poder, pedindo mais controle civil estrito sobre as eleições russas.

Entre as mudanças que Gorbachev recomendou estava o fim das eleições para o Parlamento exclusivamente pela lista do partido, que impedem candidatos individuais de concorrer e mantêm as cadeiras nas mãos dos líderes de partido. O maior partido político do país, Rússia Unida, é controlado por Putin.

Gorbachev também sugeriu uma volta às eleições públicas diretas para governadores; a seleção atualmente é feita pelo presidente, o que não dá direito a voto aos cidadãos.

"A questão das eleições de governadores deve ser levantada", disse ele, "para que as pessoas possam ter uma participação mais ativa na vida social e política". Deborah Weinberg

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