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31/01/2008

Abandonos de cada lado mudam a política das primárias partidárias nos EUA

The New York Times
Elisabeth Bumiller*
Do New York Times

Em Simi Valley, Califórnia
Rudolph W. Giuliani, o combativo ex-prefeito republicano de Nova York, e John Edwards, o democrata que concorria à Casa Branca como um populista antipobreza, abandonaram a corrida presidencial na quarta-feira (30/01), deixando um campo reduzido às vésperas do que poderiam ser chamadas de primárias nacionais na próxima semana.

Giuliani, que liderou as pesquisas nacionais envolvendo candidatos republicanos por algum tempo no ano passado, apenas para ver sua campanha perder força e então ruir na primária da Flórida na terça-feira, veio para cá para apoiar o senador John McCain, republicano do Arizona, na Biblioteca Presidencial Ronald Reagan.

Enquanto McCain permanecia ao lado de sua mulher, Cindy, radiante, Giuliani, que baseou sua candidatura na forma como lidou com os ataques terroristas do 11 de Setembro, elogiou McCain como "um herói americano" e "o candidato mais qualificado para ser o próximo comandante-em-chefe dos Estados Unidos".

Horas antes de McCain usar o simbolismo da biblioteca Reagan para ajudar a tranqüilizar os conservadores desconfiados enquanto disputa com Mitt Romney a indicação republicana, Edwards escolheu outro cenário simbólico, o 9º Distrito de Nova Orleans, para anunciar que deixaria a disputa democrata para Hillary Rodham Clinton, senadora por Nova York, e Barack Obama, senador por Illinois.

Foi o local onde ele deu início à sua candidatura em dezembro de 2006, quando falou tendo como fundo uma série de casas que foram seriamente danificadas pelo furacão Katrina. Ele não apoiou nenhum de seus dois rivais democratas, mas disse que falou com eles por telefone e pediu para que continuassem chamando atenção para os temas básicos de sua campanha.

"Ambos me prometeram -e mais importante, por meu intermédio à América- que tornarão o fim da pobreza um ponto central da campanha deles à presidência", ele disse.

Os desdobramentos do dia ajudaram a dar foco às disputas em ambos os partidos. Apesar de dois outros republicanos continuarem na disputa -Mike Huckabee, o ex-governador de Arkansas, e o deputado Ron Paul do Texas- ela agora se tornou basicamente um duelo entre McCain, cuja vitória na Flórida na terça-feira o colocou à frente na corrida pela indicação, e Romney, que está tentando se estabelecer como um conservador mais confiável do que McCain.

Não muito depois de McCain e Giuliani terem aparecido juntos aqui, os outros candidatos republicanos realizaram seu último debate antes das primárias de terça-feira, e Romney buscou imediatamente retratar McCain como fora de passo com seu partido. Ele apontou para a legislação de imigração que McCain elaborou com o senador Edward M. Kennedy, democrata de Massachusetts, e para as restrições ao financiamento de campanha que McCain elaborou com o senador Russ Feingold, democrata de Wisconsin, ambos democratas liberais.

McCain, por sua vez, disse que Romney aumentou impostos quando foi governador de Massachusetts.

No lado democrata, a disputa agora se tornou uma batalha entre Hillary Clinton, que seria a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, e Obama, que seria o primeiro presidente negro.

Todos os demais candidatos enfrentam o desafio complexo de fazer campanha por todo o país às vésperas das eleições de terça-feira em mais de 20 Estados, incluindo a Califórnia, Nova York e Illinois.

Após receber o apoio de Giuliani, McCain disse que "como todos os americanos", ele nunca esquecerá a liderança de Giuliani no 11 de Setembro de 2001. A certa altura seus olhos pareciam marejados ao falar das pessoas que aplaudiram Giuliani em um jogo dos Arizona Diamondbacks.

Então McCain encerrou abruptamente a coletiva de imprensa quando um repórter pediu a Giuliani, que mencionou de forma fugaz a amargura que sentiu com sua saída da disputa, para que explicasse onde sua campanha errou.

Os assessores de McCain disseram que Giuliani, que como McCain tem apelo junto aos moderados e independentes, estava tirando votos do senador, e que a saída do ex-prefeito da disputa tem uma importância chave para ele.

"Há muitos eleitores de Rudy Giuliani -um número longe de ser insignificante, por qualquer esforço de imaginação- que agora se voltarão para John McCain", disse Steve Schmidt, um importante assessor do senador.

Mas o apoio de Giuliani provavelmente não ajudará McCain onde ele mais precisa, entre os conservadores sociais que há muito suspeitam dele, devido à sua disposição de romper com o partido em questões como imigração e seu relacionamento desconfortável com os líderes evangélicos.

McCain passará os seis dias antes das eleições de terça-feira cruzando o país para aparições em importantes mercados de mídia nas ricas em delegados Califórnia, Illinois, Missouri, Nova Jersey e Nova York. Ele também será forçado a dedicar tempo precioso em eventos para arrecadação de fundos -McCain tem três agendados nos próximos dois dias- para a cara propaganda em televisão em Los Angeles, Chicago e Nova York.

Os assessores de Romney disseram que se concentrarão na próxima semana em tentar mobilizar os conservadores em apoio ao seu candidato, que continuará pintando McCain como um moderado fora de passo com seu partido.

"Em uma disputa entre duas pessoas, em que acho que as pessoas vão pensar se vão querer votar em John McCain como indicado do Partido Republicano ou em mim, que me esforço para refazer a coalizão republicana construída por Ronald Reagan, eu acho que tenho uma boa chance em tal disputa."

A campanha de Romney dará maior ênfase aos Estados do Oeste, principalmente a Califórnia. Ainda não foi decidido o que fazer em relação aos Estados do nordeste ricos em delegados -Nova York, Nova Jersey e Connecticut- que contam com mercados de mídia caros e uma vantagem substancial de McCain nas pesquisas. A campanha está considerando a possibilidade de gastar dinheiro lá para forçar McCain, que ela acredita que terá problemas de dinheiro, a fazer o mesmo, mas uma decisão final ainda não foi tomada.

"Nós meio que priorizamos, realizando uma análise de custo-benefício para elaborar um ranking dos Estados", disse Carl Forti, o diretor político de Romney.

No lado democrata, Clinton fez campanha em Arkansas e na Geórgia, um dia depois de ter recebido mais votos que Obama nas primárias democratas na Flórida, onde os candidatos democratas concordaram em não fazer campanha.

Em um comício para Obama em Denver, uma multidão de quase 10 mil pessoas aplaudiu Edwards de pé. Obama, que vinha falando com Edwards por telefone com maior freqüência nas últimas semanas, prometeu atender ao pedido de Edwards de ressaltar a pobreza nos Estados Unidos.

"John passou a vida inteira lutando para dar voz aos sem voz, e esperança às pessoas em dificuldades", disse Obama. "Em um momento em que nossa política está concentrada demais em quem está em alta e quem está em queda, ele manteve consistentemente o foco nas pessoas que realmente importam."

Com Caroline Kennedy ao seu lado, fazendo sua estréia na campanha, Obama pediu aos democratas que participem nas convenções do Colorado na próxima semana para que lutem contra a tentação "de simplesmente voltar o relógio e construir uma ponte de volta ao século 20".

"Há aqueles que nos dirão que nosso partido deve indicar alguém que tenha mais prática na arte de buscar o poder, que ainda não é nossa vez ou nosso tempo", disse Obama. "Houve um tempo em que o pai de Caroline Kennedy foi aconselhado por um ex-presidente a ser paciente e dar lugar a 'alguém com maior experiência', mas John F. Kennedy respondeu dizendo: 'O mundo está mudando. Os modos antigos não servirão'."

Falando em uma arena na Universidade de Denver, onde o ex-presidente Bill Clinton apareceria na noite de quarta-feira em prol de Hillary Clinton, Obama implorou aos democratas para evitar escolher um candidato que mobilize os republicanos. Ele não mencionou Hillary nominalmente, mas com Edwards fora da disputa, não ficou dúvida sobre quem ele se referia.

"É hora de uma nova liderança que entenda que a forma de vencer um debate com John McCain não é indicando alguém que concordou com ele ao votar pela guerra no Iraque", disse Obama, "que concordou com ele em dar a George Bush o benefício da dúvida em relação ao Irã; que concorda com ele em abraçar a política de Bush-Cheney de não falar com os líderes que não gostamos".

* Julie Bosman, em Nova Orleans; Michael Luo, em Simi Valley; e Jeff Zeleny, em Denver, contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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