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01/02/2008

Críticos de McCain da extrema direita repensam sua oposição, ou a intensificam

The New York Times
David D. Kirkpatrick
do New York Times

Em Washington
O senador John McCain há muito desperta oposição quase unânime entre os líderes da direita. Irados com os crimes contra o ortodoxia conservadora, como votar contra uma grande redução de impostos e se opor à proibição federal ao casamento de mesmo sexo, ativistas conservadores agitaram por meses para minar sua campanha para candidato republicano à presidência.

Mas isto foi antes dele despontar nesta semana como líder na corrida presidencial do partido.

Desde sua vitória na eleição primária da Flórida, a crescente possibilidade de que McCain possa carregar a bandeira republicana em novembro está provocando angústia à direita. Alguns, incluindo James C. Dobson e Rush Limbaugh, dizem que é tarde demais para perdão.

Mas outros, diante da perspectiva de ter um democrata na Casa Branca ou um republicano eleito sem a ajuda deles, estão começando a ver o retrospecto de McCain com novos olhos.

"Ele se deslocou com força para a direita em relação aos impostos", disse Grover Norquist, um organizador antiimpostos que era um líder informal dos conservadores contra a indicação de McCain, acrescentando que tem conversado com "o pessoal de impostos" de McCain há mais de um ano.

Tony Perkins, um proeminente cristão conservador que freqüentemente denunciava McCain, também está começando a ceder. "Eu não tenho nenhum problema residual com John McCain", disse Perkins, acrescentando que o senador precisa "comunicar melhor" suas convicções sobre questões sociais.

O dr. Richard Land, uma autoridade da Convenção Batista do Sul e antigo crítico de McCain, concordou, dizendo: "Ele é fortemente pró-vida".

"Quando escuto Rush Limbaugh dizer que a indicação de McCain destruiria o Partido Republicano, o que desejo dizer para Rush é: 'Você precisa sair mais do estúdio e conversar com pessoas de verdade'", acrescentou Land.

Quão firmemente os conservadores rejeitarem ou abraçarem McCain poderá ser uma variável chave, tanto na reta final das primárias republicanas, em que Mitt Romney está esperando atrair os conservadores para seu lado, quanto na eleição geral, quando queixas demais da direita em uma disputa apertada poderiam custar a McCain a Casa Branca.

A campanha de McCain, por sua vez, está tentando reparar a situação. Um dia depois da primária na Flórida, ela anunciou que McCain falaria na semana seguinte na Conferência Conservadora de Ação Política, um grande encontro realizado anualmente em Washington.

No ano passado, ele atraiu críticas da imprensa conservadora por não ter comparecido ao evento enquanto todos seus rivais republicanos estavam presentes. Seus consultores agora consideram aquilo um grande erro.

"Nós reconhecemos que os conservadores serão fundamentais para nossa vitória em novembro, e estamos estendendo a mão e aceitando o conselho deles", disse Jill Hazelbaker, uma porta-voz de McCain.

Mas muitos à direita dizem que McCain tem muito o que explicar. Suas transgressões, aos olhos deles, são quase demais para serem mencionadas. Ele não apenas votou contra as reduções de impostos do presidente Bush e contra uma emenda constitucional proibindo o casamento de mesmo sexo, mas também apoiou a pesquisa de células-tronco embrionárias, que os cristãos conservadores consideram homicida, e uma regulação ambiental mais rígida, que os conservadores empresariais consideram devastadora.

McCain defendeu regras para o financiamento de campanha que muitos conservadores consideram uma restrição ao livre arbítrio. Ele lutou por regras mais brandas de imigração que ultrajaram os ativistas conservadores. E fez um acordo com os democratas para superar um impasse nas indicações ao Judiciário que muitos na direita consideram uma quase traição.

A ira em torno desse acordo surgiu de novo nesta semana, quando um colunista do "Wall Street Journal", John Fund, relatou que McCain criticou em conversa privada o indicado por Bush à Suprema Corte, o ministro Samuel A. Alito Jr., por "esconder seu conservadorismo na manga".

A campanha de McCain negou rapidamente que o candidato pense assim, notando que o senador votou pela confirmação de Alito e rotineiramente elogia sua escolha no palanque. Mas ativistas conservadores dizem que ainda assim as acusações os fizeram recordar de suas dúvidas.

"Os conservadores precisam agir agora, antes que seja tarde demais!" escreveu Mark R. Levin, um veterano do movimento, no site do "National Review", pedindo uma "mobilização pró-Romney". A publicação promoveu um debate on-line na quarta-feira em torno do tema "Um futuro republicano com McCain?"

Um porta-voz de Dobson, o influente fundador cristão evangélico da Foco na Família, disse na quarta-feira que ele mantêm a posição que assumiu há mais de um ano de que, por motivo de consciência, nunca poderia votar em McCain.

Nem a ala de governo pequeno do movimento se inclinou para o lado dele. "Eu ainda não vi McCain fazer qualquer tentativa de estender a mão aos conservadores de livre mercado", disse Pat Toomey, presidente do grupo antiimpostos Clube do Crescimento, alertando que "se uma pessoa tem um grande problema com uma fatia grande de sua base, ela realmente precisa tentar resolver os problemas".

E em seu programa na quinta-feira, Limbaugh aumentou seus ataques contra McCain, o chamando de um impostor no partido. "McCain em muitos aspectos não é de fato um candidato republicano. Ele é o candidato de um número suficiente de republicanos, só que mais de independentes e moderados, provavelmente até de alguns liberais", argumentou Limbaugh, argumentando que esses eleitores estavam decidindo as eleições primárias republicanas porque outros candidatos dividiram o voto conservador.

Ainda assim, mesmo os antagonistas mais determinados de McCain dizem que a animosidade entre os líderes conservadores não necessariamente se estende à base, onde muitos não se lembram de detalhes das posições de McCain sobre financiamento de campanha ou indicações para o Judiciário.

Limbaugh, Toomey e outros estão trabalhando arduamente para mobilizar os conservadores em apoio a Mitt Romney, que tem feito campanha como um conservador de carteirinha, apesar de um retrospecto de mais declarações liberais nas campanhas que fez em Massachusetts. Diferente de McCain, Romney convenceu os líderes conservadores de que está ao lado deles por meio de um cortejo assíduo, face a face, mas tem tido dificuldade em fechar a mesma venda para as bases.

Romney também enfrenta o problema Mike Huckabee. Um ex-pastor batista do Sul antes de se tornar governador de Arkansas, Huckabee conta com a simpatia dos cristãos conservadores, impedindo Romney de unir os conservadores econômicos e sociais em oposição a McCain. E Huckabee prometeu manter sua campanha barata ao longo das eleições da próxima semana.

"Romney e Huckabee dividem o voto de Bush", disse Norquist, o ativista antiimpostos. "Bush era Romney e Huckabee em um único corpo."

Enquanto isso, os conservadores estão ficando cada vez mais "resignados" com a idéia de uma indicação de McCain, disse David Keene, presidente da União Conservadora Americana, acrescentando que entre os ativistas em Washington -muitos que, como ele, atuam como lobistas- o interesse próprio também pode ser um fator.

"Há pessoas que não gostam da idéia de ficarem de fora de uma campanha ou de estarem em uma lista negra caso o sujeito chegue à Casa Branca", ele disse. "Esta é uma cidade na qual 90% das pessoas equilibram sua renda e acesso em um mão contra seus princípios na outra." George El Khouri Andolfato

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