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02/02/2008

Pai de Angelina Jolie pode ter contribuído para fracasso da campanha de Giuliani

The New York Times
James Barron*
Entre as pessoas que gostam de política, a campanha fracassada de Rudolph W. Giuliani na Flórida será assunto de infinitos post-mortem, adivinhações e suposições. Eles vão rever os erros de cálculo, os números das pesquisas de boca de urna, o foco único na Flórida.

Depois haverá a questão de Jon Voight.

Não John Voight, o periodontista naquele episódio de "Seinfeld", o verdadeiro Jon Voight, o astro de "Perdidos na Noite" e "Amargo Pesadelo", vencedor de Oscar por "Amargo Regresso" e Globos de Ouro por "Amargo Regresso" e "Expresso para o Inferno" e pai de Angelina Jolie.

Voight, ator de 69 anos que fez seu nome com o papel em um filme sobre Nova York afligida por crimes -que Giuliani mais tarde tomaria crédito por limpar- tornou-se uma figura certa no avião de campanha de Giuliani, no ônibus de Giuliani, nos eventos de Giuliani.

Don Emmert/AFP - 29.jan.2008 
O ator Jon Voight dá entrevista durante campanha do ex-pré-candidato republicano Giuliani

Ele apertou mãos. Assinou autógrafos. Ele aqueceu as pequenas multidões. Ele falou -e falou e falou e falou, disseram alguns. As pessoas ligavam para suas casas, entregavam seus celulares a ele e pediam para que dissesse um rápido oi para uma esposa, filho ou filha. Ele trouxe a celebridade de alta eletricidade para uma campanha em dificuldades.

Fora Giuliani, ele era o nome mais conhecido nos últimos dias da campanha de Giuliani. O séqüito de Giuliani era dominado por assessores antigos -ex-funcionários da prefeitura, como Peter J. Powers, Randy M. Mastro, Joseph J. Lhota e Randy L. Levine.

Era Voight, contudo, que recebia a atenção, apesar de não necessariamente o tipo de atenção que o comitê de campanha de Giuliani quisesse.

Jon Stewart, humorista do noticiário, disse em "A Daily Show" que Giuliani tinha "perdido porque não conseguiu acompanhar a onda - a onda de Jon Voight".

Depois, Stewart mostrou um videoclipe da Flórida. Voight contou no comício de Giuliani que a cidade de Nova York tinha atingido um baixo índice de criminalidade.

"Um milagre aconteceu", disse Voight. "Deus enviou um anjo, e seu nome é Rudy Giuliani."

Essa não foi a única vez nas duas últimas semanas de campanha que Voight mostrou entusiasmo exagerado por Giuliani. Algumas vezes, admitiu que seria difícil Giuliani ganhar, assim como teria sido difícil ele conseguir o papel em "Perdidos na Noite". Algumas vezes, ele comparou o Super Bowl a uma campanha política. E algumas vezes ele só matou o tempo, conversando com as pessoas nos saguões enquanto esperava o próximo evento.

Apesar de todo seu entusiasmo, Voight não era confidente de Giuliani. Ele nem tinha encontrado Giuliani até unir-se à campanha na Flórida.

"Não fui chamado pelo comitê", disse Voight em certa altura. Ele disse que tinha ligado para o comitê e se oferecido: "Se eu puder fazer algo, adorarei, porque sou grande fã de Rudy."

"Então, para mim foi emocionante conhecer esse meu herói", disse ele. (Ligações para Voight por meio de seu agente não foram retornadas na quinta-feira).

Jason Miller, vice-diretor de comunicações da campanha de Giuliani, disse que Voight tinha "se oferecido" por meio do diretor de finanças da campanha da Califórnia, Jon Liebman. "Em minha primeira conversa com ele, ele disse que estava disposto a ajudar na Califórnia quando a campanha chegasse lá -infelizmente não chegou- mas nós pedimos que viesse para a Flórida, e ele veio", disse Miller na terça-feira.

Enquanto a campanha cruzava a Flórida, Voight disse que a questão de segurança interna era importante. "Temos que estar seguros, e este homem vai nos manter seguros", disse no ônibus de campanha certo dia.

Em um comício, ele animou a multidão falando sobre como era viajar com o círculo íntimo do candidato. "Há pessoas que estiveram com ele na maior parte de sua carreira", disse Voight -pessoas que são "leais a ele porque ele é leal a elas. E elas dizem para mim, elas dizem: 'Jon, você escolheu o cara certo'."

A pequena multidão começou a chamar: "Ru-dy! Ru-dy! Ru-dy!"

"Isso parece os Beatles ou algo assim", disse Voight. "Estamos esperando por Rudy."

Seu desempenho impressionou o deputado Peter T. King, republicano de Long Island, que também acompanhava Giuliani de vez em quando na Flórida. "Não sou grande fã do cinema -estaria mais impressionado se fosse Joe Torre ou David Wright, então não comecei sendo tiete", disse King na quinta-feira. "Acho que esse foi um dos sujeitos mais amigáveis e agradáveis que jamais conheci. Ele não precisava de nada."

King disse que Voight poderia ter brilhado mais que Giuliani; Voight era uma presença inconfundível no palco, com ou sem roteiro.

"Mas é profissional o suficiente para saber até onde ir para motivar a multidão, mas não brilhar mais que o candidato", disse King. "Não acho que haveria chance de ele abusar e fazer mais do que era esperado dele."

* Michael Cooper contribuiu para este artigo. Deborah Weinberg

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