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06/02/2008

Votação da Superterça produz dois caminhos para os dois partidos

The New York Times
Adam Nagourney*
Do New York Times
As disputas presidenciais republicana e democrata começaram a se diferenciar na terça-feira, deixando os democratas diante de uma longa e potencialmente divisora disputa pela indicação e os republicanos mais próximos de uma oportunidade de deixar de lado as profundas divisões internas e se unirem em torno de um indicado.

As situações diferentes para republicanos e democratas apresentam implicações claras para ambos os partidos, à medida que começam a passar da fase de batalha pela indicação para a fase da eleição geral.

No lado democrata, os senadores Hillary Rodham Clinton e Barack Obama provavelmente continuarão em uma disputa Estado por Estado, após uma noite de divisão igual de Estados e delegados.

Enquanto isso, após meses de desordem, os republicanos pareciam mais próximos de se aglutinarem em torno do senador John McCain do Arizona.

À medida que McCain somava vitórias em grandes Estados e adicionava mais delegados à sua contagem, ele parecia mais próximo de sua meta de encerrar sua disputa com Mitt Romney, de Massachusetts. Romney torcia por uma vitória na Califórnia, um resultado que lhe permitiria continuar lutando, enquanto o terceiro candidato republicano, Mike Huckabee, de Arkansas, torcia por um desempenho forte o bastante para mantê-lo na disputa.

No mínimo, isto seria um desdobramento bem-vindo para McCain, que -caso realmente se torne o candidato presumido de seu partido- teria tempo para começar a sanar as dúvidas a seu respeito entre os conservadores.

James Dobson, um antigo líder conservador, saudou McCain no dia das primárias divulgando uma declaração anunciando que sob nenhuma circunstância votaria nele em novembro. Em muitos Estados, o total de votos para seus dois oponentes -Romney e Huckabee, um pastor batista- superam facilmente a votação em McCain.

É difícil ver como McCain poderia se sair bem na eleição geral -particularmente diante de um Partido Democrata tão energizado- sem o apoio de sua ala conservadora. Os resultados poderiam lhe dar tempo para tentar reparar as brechas, enquanto a disputa entre Hillary Clinton e Barack Obama parece prometer desviar a atenção de McCain, no momento em que este precisará promover este acordo de paz.

O quadro é claramente menos auspicioso para os democratas. Estas foram as primeiras disputas restritas a Hillary e Obama desde a desistência de John Edwards, da Carolina do Norte, e os resultados sugerem que os democratas estão se dividindo segundo gênero e raça enquanto escolhem entre um negro e uma mulher branca.

As pesquisas de boca-de-urna sugerem uma reprise da política de identidade que há muito caracteriza -e às vezes atrapalha- a política democrata. Os eleitores negros apóiam Barack em massa, sugerindo o fim de um período no qual Hillary continuava competitiva com Obama na disputa pelo apoio de tal segmento do eleitorado democrata.

As mulheres optaram, em grande margem, por Hillary. Mas em um desdobramento que é um bom presságio para Obama, os homens brancos -que votavam antes em Edwards- parecem estar se inclinando na direção dele.

Disputas acirradas pela indicação podem ser debilitantes para os partidos. Mike Murphy, um consultor republicano, notou a vantagem financeira que Obama terá nas próximas semanas e disse que Hillary poderá ficar tentada a contra-atacar de um modo que poderia deixar o partido polarizado, propiciando uma abertura para McCain.

"Isto poderia deixar Hillary encurralada, e ao tentar uma campanha realmente negativa, poderia dividir o partido e ficar de ressaca na eleição geral", disse Murphy.

Mas a história da disputa entre eles até o momento sugere que este não necessariamente seria o caso.

O período mais amargo da campanha foi na Carolina do Sul, quando Hillary e o ex-presidente Bill Clinton contestaram repetidamente as credenciais e credibilidade de Obama. Mas após os sinais de uma reação negativa, ela recuou e desde então os dois têm expressado suas diferenças com menos farpas. Caso esse tom continue, a disputa poderia terminar sem a amargura pela qual os republicanos torciam após a declaração dos resultados na noite de terça-feira.

Finalmente, sejam quais forem as paixões dos simpatizantes de Obama e Hillary -e segundo todas as medidas, suas paixões são tão altas quanto possível na política- os democratas têm se mostrado unidos pela intensidade de seu desejo de retomar a Casa Branca após oito anos da presidência de Bush.

E que isto, mais do que qualquer outra coisa, pode continuar sendo o que os democratas têm de melhor ao entrarem neste período potencialmente turbulento.

* Robin Toner contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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