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07/02/2008

Brasil contesta sanção da União Européia à carne bovina

The New York Times
Andrew Downie
Em São Paulo
A decisão da União Européia de banir a importação de carne bovina do Brasil é "injustificável e arbitrária" e poderia resultar em falta de fornecimento e alta nos preços para os consumidores europeus, dizem especialistas em agrobusiness e autoridades.

Preocupados com o fato de que a carne poderia trazer riscos à saúde, os europeus baniram todas as importações do produto do Brasil na semana passada. As nações européias ainda estão sensíveis ao medo da vaca-louca e da febre aftosa, e sustentam que o Brasil, o maior exportador de carne bovina do mundo, não tem um sistema de verificação e condições sanitárias eficazes.

Os criadores brasileiros negaram as acusações e sugeriram que as importações de 2.600 propriedades, que segundo eles têm procedimentos adequados, fossem permitidas. Os europeus rejeitaram a proposta e impuseram uma sanção geral. Uma delegação deve visitar o Brasil no final do mês para verificar as condições de produção de carne.

As restrições foram o último passo numa longa disputa entre a União Européia e o Brasil e despertaram um descontentamento previsível por parte dos criadores brasileiros.

O diretor da Associação Brasileira de Exportadores de Carne qualificou as medidas de "protecionismo sanitário abusivo" e disse que os criadores europeus querem simplesmente eliminar a concorrência brasileira.

Cerca de 90% do rebanho brasileiro pasta livremente, isso combinando a uma avançada tecnologia usada para criar e engordar o gado, significa que cada quilo de carne brasileira custa menos do que U$ 1 para ser produzido. O valor é quase metade do custo na Austrália e nos Estados Unidos, e um terço do custo na Irlanda, informou a Associação.

"As condições sanitárias no Brasil são melhores do que na maioria dos países em que a vaca-louca ainda é uma ameaça", disse o presidente do grupo, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, "mas as medidas estão sendo tomadas para evitar que o Brasil ganhe acesso ao mercado. Estamos sendo penalizados por sermos competitivos."

A União Européia já foi o maior mercado de exportação para o Brasil, mas isso está mudando à medida que os produtores brasileiros buscam mercados menos problemáticos. Há quatro anos, os europeus foram responsáveis por mais da metade de todas as vendas de carne bovina do Brasil. No ano passado esse número estava em torno de um quarto. A Rússia assumiu boa parte da demanda; as vendas lá quadruplicaram entre 2004 e 2007, de acordo com números fornecidos pela associação.

Um problema para os europeus é encontrar alternativas para o baixo custo da carne brasileira. Alguns líderes em exportação como a Argentina e o Uruguai têm pouco espaço para aumentar a produção, o que significa que a sanção pode representar más notícias para os consumidores europeus.

"Acho que pode faltar carne no mercado e os preços podem subir", diz Vito Martielli, analista de agrobusiness do Rabobank da Holanda. Eloise De Vylder

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