UOL Notícias Internacional
 

07/02/2008

Fenômeno Obama encarece campanha de Hillary

The New York Times
Patrick Healy
Do New York Times
Sem um vencedor claro na disputas democratas de terça-feira, os senadores Hillary Rodham Clinton e Barack Obama iniciaram na quarta-feira um trabalho de reforço para uma disputa extenuante pela indicação, com Clinton revelando que teve que emprestar para sua campanha US$ 5 milhões, enquanto Obama arrecadou US$ 3 milhões online em um único dia e rejeitou os pedidos para mais debates.

Os candidatos republicanos estavam mais concentrados no curto prazo após o forte desempenho do senador John McCain na terça-feira: McCain cancelou uma viagem à Alemanha na tentativa de assegurar a indicação nas próximas disputas, enquanto Mitt Romney se reuniu com assessores e sinalizou que permanecerá na corrida.

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Enquanto McCain abria grande margem no número total de delegados eleitores, com 689 em comparação aos 156 de Mike Huckabee e 133 de Romney, Obama e Clinton ficaram em uma disputa mais acirrada e complicada, com ambos os lados alegando vantagem com base em suas próprias análises da votação de terça-feira.

Clinton contava com a vantagem geral de delegados e chamados superdelegados -democratas que são governadores, senadores e líderes do partido, segundo uma análise do "New York Times". Clinton contava com 905 delegados e Obama com 703; a indicação democrata exige o apoio de 2.025 delegados. O "Times" conta apenas os delegados que foram selecionados oficialmente e cujo voto está assegurado.

Obama e Clinton passaram a quarta-feira reunidos com seus assessores para se prepararem para a próxima fase, assim como realizando coletivas de imprensa concorrentes onde buscaram projetar otimismo e impulso. Após 28 primárias e convenções estaduais entre 3 de janeiro a 5 de fevereiro, o calendário democrata agora folga um pouco, com disputas nos Estados de Louisiana, Maine, Nebraska e Washington neste fim de semana; Maryland e Virgínia na terça-feira, e Wisconsin em 19 de fevereiro.

Os dois candidatos planejavam fazer campanha em Washington, Maine e Virgínia nos próximos dias; Obama viajaria para a Louisiana na noite de quarta-feira, e os assessores de Clinton disseram esperar que ela também faça campanha lá.

Os assessores de Clinton soaram particularmente pessimistas na quarta-feira em relação às futuras disputas, notando a vantagem de Obama junto aos eleitores negros na Louisiana, Maryland e Virgínia, e aos liberais no Estado de Washington e Wisconsin. Eles já estão olhando à frente e se preparando para as primárias de 4 de março em Ohio e no Texas, quando quase 400 delegados estarão em disputa.

"Claramente, o número de delegados conquistados em grandes Estados como Nova York, Massachusetts, Nova Jersey, Califórnia, Texas e Ohio, você sabe, os tornam particularmente atraentes, porque há um alto retorno para o seu investimento", disse Clinton na quarta-feira, em uma coletiva de imprensa na Virgínia.

Depois, um assessor de Clinton explicou o foco em 4 de março desta forma: "Há uma chance de não vencermos nenhuma primária ou convenção em fevereiro, então estamos apostando em Ohio e no Texas."

Em sua coletiva de imprensa em Chicago, Obama afastou as sugestões de que a indicação seria uma vitória fácil, dizendo que Clinton tem vantagem em uma disputa prolongada, incluindo seu maior perfil e sua vantagem em superdelegados.

"Eu acho que a postura básica do campo de Clinton era de que o calendário promoveria um nocaute em 5 de fevereiro", disse Obama. "Nós estamos em uma competição feroz e ainda temos muitos rounds pela frente."

Obama arrecadou US$ 3 milhões na quarta-feira em contribuições online, segundo arrecadadores de fundos e diretores de campanha, uma das maiores somas da campanha presidencial. Apenas em janeiro, o campo de Obama arrecadou US$ 27 milhões online.

Diante deste rolo compressor, Clinton revelou o empréstimo de US$ 5 milhões, oriundo de seus recursos pessoais, no final de janeiro. Ela também pediu na quarta-feira aos seus simpatizantes que doem US$ 3 milhões em três dias -o que dobraria a recente taxa de doações para sua campanha- como uma forma de demonstrar impulso contra Obama.

Em um sinal de que sua campanha carece de dinheiro, conselheiros disseram que alguns funcionários estavam abrindo mão do salário em fevereiro, incluindo a diretora de campanha, Patti Solis Doyle, uma medida noticiada inicialmente pelo blog "The Page" da revista "Time".

Os conselheiros de Clinton -que disseram que ela estava disposta a contribuir com mais dinheiro se necessário- citaram vários fatores para o empréstimo: as altas despesas nas próximas semanas, especialmente em Ohio e Texas, e um desejo de não ser superada em gastos em televisão por Obama. A campanha de Clinton dará início às propagandas na quinta-feira na Louisiana, Maine, Nebraska e Washington. Enquanto isso, o campo de Obama contará com propaganda em todos os próximos Estados e ela acabou de entrar no ar em Wisconsin.

Alguns assessores de Clinton também reconheceram a fadiga entre os doadores dela, que são alvo de solicitação de fundos desde o início de 2006, quando teve início a campanha para a reeleição dela ao Senado.

Clinton, em sua coletiva de imprensa, disse estar enviando um sinal de que acredita "fortemente" em sua candidatura e que está disposta a apostar sua riqueza.

"Meu oponente foi capaz de arrecadar mais dinheiro e pretendemos ser competitivos", ela disse. "Eu acho que os resultados da noite passada provaram a sabedoria do meu investimento."

Os Clinton fizeram fortuna desde que o presidente Bill Clinton deixou a Casa Branca em 2001, principalmente com acordos de livros e com as palestras dele, estimada entre US$ 10 e US$ 50 milhões. O recente fim da parceria de investimento de Bill Clinton com o bilionário Ron Burkle deverá render muito mais milhões.

Em sua coletiva de imprensa, Obama também rejeitou os pedidos dos assessores de Clinton e de alguns democratas para mais debates pela televisão; o campo de Clinton propôs um debate por semana até 4 de março.

"Eu não acho que ninguém esteja clamando por mais debates", disse Obama. "Nós já realizamos 18 até agora."

Obama acrescentou que concordaria em pelo menos mais um debate, mas notou que "é muito mais importante para mim passar o tempo com os eleitores".

Obama venceu em 13 Estados e Clinton em 9 na terça-feira, com ambos conquistando alguns Estados muito importantes. Ele venceu por margem estreita em Missouri, um indicador de tendência na eleição presidencial geral, assim como na Geórgia, Minnesota e Connecticut -bem no quintal de Clinton. Ela conquistou o maior prêmio de delegados da noite, a Califórnia, assim como o Arizona, Nova Jersey e Massachusetts -um Estado onde Obama contava com forte apoio da liderança democrata, mais notadamente do senador Edward M. Kennedy.

O voto popular nos Estados que votaram na terça-feira não podia ser mais apertado. Segundo uma análise do "New York Times", Clinton ficou com 7.427.700 votos, ou 50,20% do voto nos dois candidatos; Obama ficou com 7.369.798 votos, ou 49,80%. (A contagem se baseia em dados incompletos, não inclui os 411.740 votos conquistados por John Edwards, que desistiu, ou por outros candidatos, e não inclui o Alasca, onde os resultados não representam votos individuais, mas sim as preferências dos delegados de acordo com a convenção estadual.)

Seguindo em frente, ambas as campanhas reconheceram que a disputa foi ainda mais intensa pelos delegados comprometidos -aqueles conquistados em uma primária estadual ou convenção- e pelos superdelegados, que podem escolher por conta própria e às vezes mudam de idéia com o passar do tempo.

Além dos superdelegados, os assessores de Clinton disseram que também estão cientes de que se beneficiariam caso os delegados de Michigan e da Flórida forem contados na convenção democrata em agosto. Clinton venceu em ambos, mas os Estados foram destituídos de seus delegados depois de terem decidido unilateralmente mudar as datas de suas primárias para janeiro.

Ambos os Estados podem requerer ao partido que seus delegados sejam contados na convenção, ou podem realizar uma nova votação, na forma de convenções, nos próximos meses. Alguns democratas em Michigan sugeriram estar sob pressão do partido nacional para realização de uma convenção, mas dirigentes do partido negaram isto em entrevistas na terça-feira.

O campo republicano estava mais tranqüilo na terça-feira, com Romney atrás de portas fechadas durante grande parte do dia e McCain anunciando seus planos de descartar sua viagem para a Europa e se concentrar em assegurar a indicação nas próximas disputas em Maryland, Virgínia e no Estado de Washington.

"Eu acho que temos que tentar concluir isto o mais rápido possível", disse McCain na quarta-feira, em Phoenix. George El Khouri Andolfato

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