UOL Notícias Internacional
 

07/02/2008

Jovens, belos e eleitores aos 16 anos

The New York Times
Anya Kamenetz
Para o New York Times
A campanha presidencial de 2008 entrou para a história em muitos sentidos, inclusive devido à chegada de uma nova geração às urnas. Os eleitores de até 29 anos de idade foram os primeiros a consagrar Barack Obama como seu candidato. Revertendo uma queda generalizada que começou em 1972, o comparecimento dos jovens às urnas deu um salto em 2004, e aumentou consideravelmente nas primeiras votações dessas eleições.

Deveríamos acelerar a emancipação dessa geração, nascida entre 1980 e 1995, diminuindo a idade mínima para votar para 16 anos.

As barreiras de idade são feitas para estabelecer um ponto de apoio imparcial para questões morais insolúveis: como quem pode ser legalmente executado, quem pode morrer no Iraque ou quem pode operar o cortador de frios na lanchonete local. Mas em uma época em que tanto a juventude quanto a idade têm sido estendidas, essas linhas divisórias estão se tornando cada vez mais inadequadas.

Restrições legais de idade não deveria nunca existir por si só. Elas deveriam ser flexíveis e pragmáticas e acompanhar os requisitos educacionais e cognitivos necessários para o exercício da maturidade legal.

As leis sobre o direito de dirigir são o melhor modelo, por combinar a maioridade antecipada com a educação obrigatória. Muitos Estados têm tido sucesso com uma transição gradual para o direito à habilitação num prazo de um ano ou mais, começando com uma habilitação de aprendiz aos 16 anos. O mais restritivo desses programas está associado com uma redução de 38% em acidentes fatais envolvendo jovens motoristas, de acordo com uma pesquisa conduzida pela Fundação para a Segurança no Trânsito AAA.

De forma semelhante, jovens de 16 anos que quiserem começar a votar deveriam poder tirar um "título eleitoral antecipado" em suas escolas depois de passar por um curso simples de educação cívica, semelhante ao teste para conseguir cidadania. Além de aumentar o número de eleitores, esse sistema iria reforçar a noção de que o voto é um privilégio e um dever, além de um direito - sem impor nenhum teste generalizado para os eleitores acima dos 18 anos.

E por que restringir isso apenas ao voto? Os 16 anos são um bom ponto de partida para a transição para deveres e responsabilidades adultos, que envolvem o direito ao voto, a consumir álcool e se casar. Na realidade, é com essa idade que a maioria das pessoas tem seu primeiro emprego, bebe pela primeira vez e tem sua iniciação sexual. A lei deve considerar os jovens para negociar essa transição abertamente, e não furtivamente.

Sabemos que as leis de trânsito refletem a realidade; quem nunca ouviu falar da calamidade de menores dirigindo? Por outro lado, estudos mostram que três quartos dos alunos nos últimos anos do colegial já beberam álcool. Pesquisas mostram que os adolescentes que bebem em casa com suas famílias têm menos chance de continuar bebendo do que aqueles que bebem cerveja escondidos com os amigos. Imagine adolescentes de 16 anos recebendo uma permissão para beber depois de ter passado por um curso obrigatório sobre alcoolismo. A permissão permitiria beber somente em encontros familiares ou eventos escolares durante dois anos - até que eles se formassem ou saíssem de casa.

A transição para os cartões de crédito aos 16 poderia funcionar com restrições firmes. A assinatura dos pais ou responsáveis seria necessária até que os jovens completassem um ano de pagamento de faturas com seus próprios salários. O requisito mais importante seria passar por um teste obrigatório sobre finanças. O jovem teria de definir o que são juros compostos, decifrar corretamente as linhas miúdas de um contrato de cartão de crédito e discutir uma taxa cobrada misteriosamente com um atendente de serviço ao consumidor robótico. Certamente esse sistema gradual seria mais seguro do que simplesmente dar aos jovens uma linha de crédito de 2 mil dólares assim que eles saem de casa pela primeira vez.

Quanto mais tratarmos os adolescentes como adultos, mais eles irão corresponder às nossas expectativas. Do ponto de vista vocacional e de desenvolvimento, os últimos anos da adolescência são o ponto de partida certo para os jovens começarem a pensar seriamente sobre seu futuro. O governo pode auxiliar nesse processo conferindo novos direitos e responsabilidades.

Atrelar os direitos dos adultos a requisitos cognitivos poderia também ajudar a lidar com um problema social bem maior relacionado à idade. Demograficamente, o grupo de pessoas acima dos 85 anos é o que mais cresce no país. Em 2020, o país será tão grisalho quanto a Flórida é hoje. Deveríamos poder testar os cidadãos de qualquer idade, para ter certeza de que eles continuam aptos a dirigir e para ajudá-los a evitar golpes financeiros. Do ponto de vista da saúde pública, o tsunami grisalho é uma ameaça bem maior do que os adolescentes arruaceiros.

* Anya Kamenetz, escritora da Fast Company, é autora do livro "Generation Debt" Eloise De Vylder

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host