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07/02/2008

Para a oradora Hillary Clinton, quanto menor a platéia, melhor

The New York Times
Patrick Healy
Do New York Times
Quando Hillary Rodham Clinton fala para grandes platéias, seja um comício com vários milhares de estudantes ou um evento para arrecadação de verbas junto a doadores ricos, ela com freqüência dá mais a impressão de ser uma senadora do que uma candidata à presidência - fustigando os ouvintes com exposições instáveis sobre as suas posições políticas em vez de fazer discursos empolgantes.

Mas, quando está em ambientes menores, como na sua visita na última segunda-feira ao Centro de Estudos sobre a Criança da Universidade Yale, em New Haven, Connecticut, Hillary age de forma bem mais amigável, ouvindo e mostrando simpatia, e às vezes mostrando o seu lado emocional. De fato, no centro Yale, onde trabalhou como voluntária no início da década de 1970, ela ficou com os olhos lacrimejantes quando o seu ex-chefe elogiou "a incomparável Hillary".

Hillary Clinton luta a um ano para competir com a oratória do seu principal rival democrata, o senador Barack Obama. Às vezes o seu discurso de palanque busca notas elegantes, como no caso da sua nova frase sobre "a América que eu vejo", mas com freqüência quase igual ela eleva a voz até uma tonalidade que pode ser áspera. Ela manifesta desconforto quando se trata de falar sobre si, ainda que alguns eleitores tenham dito que desejariam que Hillary fosse tão acessível quanto Obama parece ser.

Jim Young/Reuters 
A democrata Hillary Clinton faz discurso durante campanha para a Superterça em Nova York

Os seus assessores dizem que os eleitores apreciam um candidato que os ouve e que fala com eles, e não querem ser fustigados em todo comício. E Hillary de fato solta frases que geram intensos aplausos, como quando declara a estudantes universitários que deseja reformar a indústria de empréstimos aos alunos. Mas, reservadamente, os seus assessores reconhecem que caso Hillary obtenha o cargo de candidata democrata, ela precisará aprimorar o seu desempenho em grandes comícios a fim de manter os eleitores entusiasmados com a sua candidatura durante a longa trajetória rumo a uma eleição geral.

"É evidente que os grandes comícios não são o seu forte", diz um assessor, que falou sob a condição de que o seu nome não fosse divulgado. "Ela se sai bem melhor em reuniões em auditórios de prefeituras, mesas redondas e ambientes menores. Para Hillary o desafio é conectar-se com grandes platéias e inspirá-las, mais do que faz neste momento".

Essa deficiência ficou clara durante um evento para arrecadação de verbas de campanha no teatro Orpheum em São Francisco, na noite da última sexta-feira. Hillary foi apresentada por uma velha amiga, a atriz Mary Steenburgen, que mostrou-se maravilhada com "o senso de humor quanto à vida e a si própria" exibido pela candidata. "A sua risada é mais barulhenta do que a minha, e isso significa muita coisa", disse Steenburgen. "Ela é até mesmo mais humana - Hillary fica cansada, triste e magoada, mas ela tem mais capacidade de se recompor do que qualquer outra pessoa que conheço".

Porém, quando foi a sua vez de ocupar o centro do palco, Hillary não demonstrou nenhum desses traços de personalidade. Ela proferiu aquilo que mais pareceu um discurso universitário, analisando questões de política interna e externa e apresentando os seus planos para créditos fiscais, serviço de saúde e reforma educacional.

"Hillary Clinton pode desprezar como quiser a grande oratória, mas tal oratória funciona, e existe um momento e um lugar para esse tipo de discurso, como na sexta-feira à noite em São Francisco", diz Ruth Sherman, consultora de comunicação política que tem acompanhado os discursos de Hillary. "Quando ele mostra-se incapaz de abandonar as suas frases preparadas e trocá-las por aquilo que é ditado pelo momento, isso transmite a impressão de que a candidata não sabe ouvir, de que falta-lhe sensibilidade e, sem dúvida, são oportunidades perdidas".

Segundo Sherman e outros analistas políticos, um melhor momento para Hillary Clinton ocorreu quando ela se abriu em New Hampshire ao falar dos rigores da campanha. Ela ficou com os olhos marejados ao falar sobre a sua paixão pela disputa, apesar do custo físico e emocional. Muitas mulheres disseram nas pesquisas de boca de urna que o episódio fez com que apoiassem Hillary na eleição primária naquele Estado, que ela venceu, apesar de estar bem atrás de Obama nas pesquisas de opinião.

Ela revelou este seu lado pessoal novamente na última segunda-feira, quando foi à Universidade Yale para falar sobre a infância e o sistema de saúde. Hillary foi apresentada por Penn Rhodeen, pesquisador da infância e seu ex-chefe no centro de estudos da criança, que descreveu como a atual candidata chegou à sua porta "vestida de roxo", usando um casaco de pêlo de carneiro e calça boca-de-sino.

"Ela estava tão 1972", disse ele, provocando risadas.

"Esperamos agora que você, a incomparável Hillary, seja a presidente dos Estados Unidos", acrescentou ele.

Clinton levou a mão esquerda à face e limpou algo com o dedo. "Eu disse que não ficaria com os olhos molhados", disse . "Mas já estou saindo da linha".

Embora os seus assessores tenham dito que Hillary Clinton jamais choraria propositalmente para ganhar a simpatia dos eleitores, eles acreditam também que esses momentos são eficientes, e que ela precisa começar a mostrar "mais coração do que cérebro" nos grandes comícios.

No entanto, eles estão satisfeitos com uma coisa: os principais candidatos republicanos, o senador John McCain, do Arizona, e o ex-governador Mitt Romney, de Massachusetts, também não são conhecidos por fazerem discursos emotivos. Assim, caso ela vença Obama nas prévias, Hillary Clinton pode não ter que enfrentar o mesmo tipo de comparações desvantajosas com o seu adversário republicano quanto à capacidade de empolgar as multidões.

* Julie Bosman contribuiu de New Haven para esta matéria UOL

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