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08/02/2008

Alimentos pré-mastigados podem transmitir o vírus HIV aos bebês, apontam pesquisas

The New York Times
Lawrence K. Altman
Em Boston
Os pesquisadores identificaram mais uma maneira segundo a qual bebês podem ser infectados pelo HIV. Por meio de comida pré-mastigada pelos pais - ou outra pessoa que cuide da criança - infectados.

Embora milhares de bebês tenham sido infectados nos Estados Unidos no decorrer dos últimos 15 anos, casos envolvendo alimentos pré-mastigados só foram documentados três vezes, segundo informaram na última quarta-feira epidemiologistas federais.

Mas tal transmissão pode não ser tão rara, segundo informou a equipe do médico Kenneth L. Dominguez, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, na 15ª Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas.

A pré-mastigação de alimentos aparentemente ocorre entre diversos grupos nos Estados Unidos e em outros países. Portanto, a transmissão do HIV, o vírus da Aids, a bebês pode ser um problema despercebido em países em desenvolvimento nos quais a assistência odontológica é precária, os alimentos comerciais prontos para bebês podem não estar disponíveis e os pais e indivíduos que cuidam das crianças podem ter que amaciar os alimentos, disse Dominguez em uma entrevista.

A sua equipe informou que houve vários motivos para anunciar pela primeira vez os três casos, ocorridos em 1993. Um deles foi fazer com que os profissionais de saúde e de creches ficassem conscientes do risco potencial representado pela pré-mastigação de alimentos. Uma outra razão foi solicitar a médicos e parentes que informem os casos suspeitos aos profissionais de saúde a fim de que a ameaça seja quantificada.

O vírus da imunodeficiência humana está presente na saliva, mas geralmente em quantidades muito pequenas para causar transmissão. Assim, presumivelmente, o sangue, que contém grandes quantidades do vírus, também é necessário para que o vírus seja transmitido. Mastigadores infectados que apresentem inflamações ou feridas abertas na boca podem passar o vírus para os bebês devido à presença de cortes ou outras patologias odontológicas comuns, advertiu Dominguez.

Embora os três casos tenham ocorrido entre negros norte-americanos nascidos nos Estados Unidos, a pré-mastigação é uma prática comum entre vários grupos raciais e étnicos, segundo uma recente pesquisa de âmbito nacional sobre alimentação de bebês feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, disse Dominguez. Não foram divulgados detalhes específicos da pesquisa.

"É provável que algumas influências culturais estejam envolvidas, e estou certo que as pessoas estão fazendo aquilo que as suas avós e tias fizeram, de acordo com práticas transmitidas através de gerações", afirmou Dominguez.

Epidemiologistas do centro, trabalhando com pesquisadores do Hospital de Pesquisas Pediátricas Saint Jude, em Memphis, e da Universidade de Miami, investigaram intensivamente todos os três casos, descartando outras causas para a transmissão, como amamentação, abuso sexual ou picadas com agulhas.

Os dois primeiros casos envolveram garotos de Miami infectados em meados da década de 1990. A infecção de um dos garotos foi detectada quando ele tinha 39 meses de idade, pouco antes da sua morte, após ter apresentado duas vezes resultado negativo para o exame de HIV. A mãe, que estava infectada, disse que pré-mastigava os alimentos para o menino.

A mãe do segundo garoto não estava infectada, mas morava com uma tia infectada que pré-mastigava a comida do neném. O garoto está vivo.

No terceiro caso, descobriu-se que uma garota de Memphis estava infectada em 2004, com nove meses de idade, depois que os seus exames de HIV apresentaram resultado negativo três vezes. A sua mãe estava infectada e pré-mastigava a comida para a filha.

Estudos genéticos mostraram que o vírus isolado no primeiro e no terceiro casos era o mesmo das mães. A tia envolvida no segundo caso morreu antes que pudessem ser obtidas amostras de sangue. O HIV isolado do parceiro sexual da tia não era da mesma variedade que infectou o garoto.

Agora os pesquisadores tentarão determinar se outros micróbios perigosos como o vírus da hepatite B e a bactéria Helicobacter pylori também podem ser transmitidos através da comida pré-mastigada... UOL

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