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08/02/2008

Romney abandona e McCain desponta como provável candidato republicano

The New York Times
Elisabeth Bumiller e David D. Kirkpatrick
Do New York Times
Em Washington
O senador John McCain do Arizona praticamente assegurou a indicação presidencial republicana na quinta-feira, após Mitt Romney abandonar a disputa, dizendo que a guerra no Iraque e a ameaça terrorista tornam imperativo a união do partido.

Em um anúncio dramático diante de uma convenção de conservadores atônitos e altamente descontentes, Romney disse que desejava continuar lutando, mas que conduzir sua campanha até a convenção republicana em setembro adiaria a campanha nacional contra a senadora Hillary Rodham Clinton ou o senador Barack Obama, os dois candidatos democratas remanescentes. Romney os descreveu como fracos em segurança nacional.

"Eles promoveriam a retirada, declarariam derrota e as conseqüências seriam devastadoras", disse Romney, um ex-governador de Massachusetts, para uma platéia que começou a cantar "Mitt, Mitt, Mitt".

Permanecer na disputa, ele disse, "facilitaria a vitória para a senadora Clinton ou Obama".

Romney, que gastou dezenas de milhões de dólares de sua fortuna pessoal na corrida, acrescentou: "Francamente, neste tempo de terror, eu simplesmente não posso permitir que minha campanha contribua para uma rendição ao terror".

"Agora, eu discordo do senador McCain em várias questões, como vocês sabem", disse Romney, enquanto a platéia vaiava a menção do nome. "Mas eu concordo com ele em fazer o que for necessário para ser bem-sucedido no Iraque."

Duas horas depois, McCain estava diante da mesma platéia, o encontro anual da Conferência Conservadora de Ação Política, para tentar fazer as pazes com um grupo profundamente cético em relação a ele, quando não totalmente hostil. Em um momento que será lembrado por muito tempo pelos republicanos, McCain foi recebido tanto com vivas quanto vaias.

"Muitos de vocês discordam fortemente de algumas posições que assumi nos últimos anos", disse McCain para o grupo em um enorme salão de hotel lotado, onde pessoas eram impedidas de entrar por seguranças que diziam que a multidão ruidosa estava violando o código de incêndio. "Eu entendo isso. Posso não concordar, mas respeito por ser uma posição de princípios."

Todavia, disse McCain, "tenho a sincera esperança de que mesmo se acreditarem que ocasionalmente eu errei em meu raciocínio como conservador, vocês ainda assim reconhecerão, de forma muito importante para todos nós, que mantive um retrospecto de conservador".

A recepção conflitante refletiu as divisões dentro do partido enquanto tenta traçar um rumo político e ideológico pós-Bush diante de um Partido Democrata motivado.

Apesar do ex-governador de Arkansas, Mike Huckabee, e do deputado Ron Paul do Texas, permanecerem na disputa republicana, os eventos de quinta-feira tiveram o efeito de colocar McCain em uma posição quase inexpugnável, enquanto Obama e Clinton enfrentam a perspectiva de uma longa disputa entre eles pela indicação do partido.

O discurso de McCain para a convenção era um que ele esperava fazer na noite de terça-feira, após a votação em mais de 20 primárias e convenções por todo o país lhe ter dado a liderança na disputa com grande vantagem.

Na quinta-feira, com o abandono de Romney, McCain se viu diante da tarefa de gerar entusiasmo por sua candidatura entre os conservadores sem deixar de estender a mão aos eleitores independentes e moderados, que poderiam fazer a balança pender na eleição geral.

Muitos no encontro responderam ao discurso de McCain com uma mistura de resistência e resignação, indicando a magnitude do desafio que ele enfrentará caso deseje rivalizar a energia palpável dos democratas.

Tão logo Romney anunciou que estava encerrando sua campanha, alguns poucos ativistas apareceram no lobby do hotel com cartazes feitos à mão dizendo "Republicanos Contra McCain".

Paul Weyrich, presidente da Fundação Congresso Livre e fundador do movimento conservador que apoiou Romney, disse que assistiu ao discurso de McCain na televisão e duvida que o senador tenha convencido muitos na direita. "Ele não foi longe o bastante", disse Weyrich. "Eu vou anotar o nome de outra pessoa na cédula."

Outros disseram que votariam nele a contragosto. "Eu vou apertar o nariz e apertar o botão", disse Tom Lewis, dono de uma pequena empresa em Saratoga Springs, Nova York, que estava presente na conferência.

Os conservadores acusam McCain pelo que consideram uma longa lista de transgressões: votar contra os cortes de impostos e contra a proibição constitucional ao casamento de mesmo sexo, defender a lei de financiamento de campanha que impôs restrições às propagandas de organizações independentes, lutar pela reforma da imigração que muitos conservadores consideram uma anistia aos imigrantes ilegais, e por chamar certos líderes evangélicos de "agentes da intolerância".

O apelo de McCain por apoio reflete a crescente importância da Conferência Conservadora de Ação Política para o Partido Republicano. Ela foi fundada décadas atrás por um pequeno grupo de simpatizantes de Barry Goldwater, que se mobilizaram de fora contra o Partido Republicano de Richard M. Nixon e Gerald R. Ford.

Mas desde a eleição de Ronald Reagan em 1980, ele se tornou um ponto de convergência cada vez mais importante para os ativistas do partido, um símbolo de quanto as linhas se tornaram indistintas entre o movimento conservador e o Partido Republicano. McCain foi o único pré-candidato republicano a não participar da conferência no ano passado. Sua ausência provocou críticas na mídia conservadora, e seus assessores posteriormente reconheceram que a decisão foi um erro.

Em seus comentários claramente conciliatórios, McCain catalogou seu retrospecto, que ele disse incluir apoio à redução de impostos, quase um quarto de século de oposição aos direitos de aborto e entusiasmo por juízes que "assumem como sendo sua responsabilidade a manutenção das leis feitas pelos representantes eleitos pelo povo". Ele lembrou ao grupo que defendeu o aumento do número de soldados no Iraque promovido pelo presidente Bush e prometeu, caso se torne presidente, nunca sancionar uma lei que contenha verbas destinadas para projetos eleitoreiros de legisladores.

Ele não mencionou seu projeto de lei que reformou o sistema de financiamento de campanha do país, que os conservadores consideram uma agressão à liberdade de expressão, mas abordou seus esforços no ano passado para aprovação de uma legislação que abrandaria as leis de imigração. McCain vem dizendo desde então que protegeria as fronteiras do país antes de conceder a alguns imigrantes ilegais nos Estados Unidos um caminho para a cidadania, mas ele não mudou sua posição básica.

"Eu mantenho minha posição, ciente de que ela pode colocar minha campanha em risco", disse McCain. Ele acrescentou: "Apesar da intenção genuína dos republicanos defensores do projeto de lei como eu de controlar nossas fronteiras, nós fracassamos, por vários e compreensíveis motivos, em convencer os americanos disso. Eu aceito esse fato."

Após o discurso de McCain, Tom DeLay, o ex-líder da maioria republicana, disse em uma entrevista para o "Hardball" na "MSNBC" que não sabia ao certo se votaria em McCain contra um democrata na eleição geral.

"Se ele continuar sendo o mesmo velho John McCain que costumava desdenhar dos conservadores, então não sei quem seria o mais perigoso ocupando a Casa Branca", disse DeLay.

McCain soube pelos vários relatos na mídia na manhã de quinta-feira que Romney planejava abandonar a disputa, o que forçou o redator de discursos de McCain, Mark Salter, a reescrever às pressas os comentários que McCain tinha planejado para o encontro conservador. Entre o discurso de Romney às 12h30 e os comentários de McCain às 15h, McCain telefonou para Romney, disse um assessor do senador, para expressar seu respeito e falar sobre a necessidade de unir o partido.

Os assessores de McCain esperam pelo apoio de Romney nos próximos dias, assim como de outros conservadores do partido.

McCain planeja fazer campanha na Virgínia, Maryland e no Distrito de Colúmbia antes das primárias da próxima terça-feira, e seus assessores disseram que fará paradas em todos os outros Estados que ainda realizarão primárias e convenções republicanas antes da convenção nacional.

Mas os maiores esforços de McCain agora se voltarão para a arrecadação de dinheiro para a eleição geral, contratação de uma equipe de campanha nacional, encontros com líderes estrangeiros e a tentativa de obter maior conhecimento de política econômica. George El Khouri Andolfato

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