UOL Notícias Internacional
 

09/02/2008

Bush pede aos republicanos que apóiem candidato do partido

The New York Times
Steven Lee Myers e Helene Cooper
Do New York Times
Em Washington
Embora não tenha mencionado explicitamente o senador John McCain, na sexta-feira (08/02) o presidente Bush procurou unificar o Partido Republicano em torno do candidato que for escolhido, descrevendo a eleição do seu sucessor como uma escolha totalmente ideológica.

A mensagem de Bush, proferida durante um discurso no início da manhã na Conferência de Ação Política Conservadora, pressagiou o papel que segundo os seus assessores ele desempenharia durante todo este ano: usar o poder da presidência para modelar a agenda política e atacar os seus críticos democratas.

"Tivemos bons debates e em breve teremos um candidato que levará a bandeira conservadora até a eleição e para além dela", disse Bush a uma platéia exultante. "Ouçam. As apostas em novembro são altas. Esta é uma eleição importante. A prosperidade e a paz estão na balança".

J. Emilio Flores/The New York Times 
Bush pediu apoio aos republicanos durante Conferência de Ação Política Conservadora

Embora seja profundamente impopular, com um índice de aprovação que atingiu valores historicamente baixos, inferiores a 30%, Bush goza de forte apoio entre conservadores como aqueles que se reuniram no salão de gala do hotel em Washington no qual ele discursou na sexta-feira.

No seu discurso Bush enfatizou a segurança nacional, dedicando quase um terço da sua fala a esta questão. Ao mencionar a decisão tomada em janeiro do ano passado de aumentar o contingente militar no Iraque, Bush afirmou: "Nós não recuamos - e estamos vendo os resultados. Um ano após eu ter ordenado o aumento de contingente, os ataques terroristas de grande magnitude no Iraque diminuíram, assim como as mortes de civis e os assassinatos sectaristas".

Em Norfolk, no Estado de Virgínia, McCain começou o seu primeiro dia como suposto candidato do Partido Republicano falando sobre a segurança nacional e a ameaça representada pelo Irã.

Na manhã de sexta-feira McCain participou de um painel de discussão naquela cidade que abriga uma base da Marinha dos Estados Unidos. Três ex-secretários da Marinha que acompanhavam McCain, disseram estar "satisfeitos com o progresso atingido pela campanha" e falaram sobre aquilo que ele chama freqüentemente de o desafio transcendental com o qual se depara a nação na forma do terrorismo islâmico.

Ele acrescentou que acredita que o campo central de batalha ainda seja o Iraque, embora tenha dito que se preocupa com o Afeganistão e o Paquistão - e com a ameaça que segundo ele é representada pelo Irã.

Após o fim da discussão, McCain disse aos repórteres que espera se reunir em breve com o seu ex-adversário, Mitt Romney, para trabalhar em prol da união do partido, e admitiu: "Temos muito trabalho a fazer para unir o partido". E ele disse mais de uma vez que considera Mike Huckabee, o ex-governador do Estado de Arkansas, um "candidato viável".

"É por isso que estamos seguindo em frente com a nossa campanha", afirmou McCain.

McCain disse ter apreciado as observações feitas por Bush no Comitê de Ação Política Conservadora na manhã de sexta-feira, quando o presidente falou sobre a união em torno de um candidato republicano. Mas quando lhe perguntaram se aquilo significou um endosso à sua candidatura, ele respondeu com um sorriso: "Só se ele tiver mencionado o meu nome...".

Na discussão McCain comentou os novos relatos de que o Irã teria começado a operar uma nova geração de máquinas para enriquecimento de urânio, que poderiam ser utilizada para alimentar reatores nucleares, ou, após mais processamento, para a produção de armas nucleares.

Ele disse que isso é uma indicação "daquilo que alguns de nós neste painel havíamos suspeitados". Segundo ele tais pessoas mostraram-se "céticas" em relação à recente Estimativa Nacional de Inteligência que informou que o Irã deixou de trabalhar em um projeto de armas atômicas em 2003.

"Eu continuo preocupado com as ambições deles, que são tão antigas quanto a História - uma dominação persa da região", disse McCain no painel de discussão sobre segurança em um cais de navios de cruzeiro perto de um museu naval à beira-mar.

Ao seu lado estavam três ex-secretários da Marinha: o senador John Warner, de Virgínia, John Lehman, e William Ball, bem como o senador Sam Brownback, do Kansas, e o ex-governador de Oklahoma, Frank Keating. Ball disse esperar que McCain em breve mude-se para a sede de um novo emprego na Avenida Pennsylvania, número 1600.

Com a eleição primária de Virgínia, na terça-feira, se aproximando, foram lembradas as raízes de McCain na região, e ele recordou-se da "enorme contribuição econômica para a economia local" quando estava estacionado na vizinha Estação Naval Aérea de Oceana, e de como beneficiou-se daquilo que chamou de "as vantagens culturais" que estavam disponíveis "para os jovens pilotos da Marinha em Virginia Beach".

Warner afirmou que era o secretário da Marinha quando McCain foi prisioneiro de guerra em Hanói, e recordou-se de ter visitado os pais do candidato, que estavam estacionados no Havaí.

Na conferência conservadora em Washington, a platéia gritou "mais quatro anos", depois que o senador Mitch McConnell, o líder da minoria no Senado, anunciou a chegada de Bush, e novamente durante o discurso do presidente. Isso representou um contraste muito grande com a forma como a mesma platéia recebeu McCain um dia antes, quando o candidato foi alvo das reclamações e das vaias de alguns dos presentes.

Bush referiu-se aos candidatos republicanos como "pessoas boas e honradas". Mas, mantendo aquilo que um assessor chamou de "neutralidade calculada" durante as primárias - "Somos a Suíça", disse em uma entrevista nesta semana o conselheiro da Casa Branca, Ed Gillespie -, Bush não chegou a apoiar explicitamente nenhum candidato.

Em vez disso, ele usou o discurso, o primeiro que fez na reunião anual do grupo conservador desde que era um governador disputando a presidência, como um resumo de despedida da sua presidência e para a exposição daquilo que chamou repetidamente de "a nossa filosofia".

Ele defendeu fortemente as marcas do seu governo que críticos e oponentes vêem como as suas maiores falhas: impostos, gastos governamentais, a maneira de lidar com suspeitos de praticar terrorismo e, especialmente, a guerra no Iraque.

"Existe uma outra filosofia que é apresentada por pessoas decentes que vêem o mundo de uma maneira diferente", disse Bush referindo-se aos democratas, retornando a um tema recorrente dos seus discursos que têm se tornado cada vez mais partidários à medida que intensificam-se as campanhas nacionais.

"Essas pessoas tendem a achar que Washington possui as respostas para os nossos problemas", prosseguiu Bush. "Tendem a acreditar que o nosso país só tem sucesso sob um governo federal expansivo. Tendem a suspeitar do exercício de liderança global por parte dos Estados Unidos - a menos, é claro, que obtenhamos uma permissão das organizações internacionais".

Embora ele não tenha endossado nenhum republicano, Bush deixou claro que fará campanha ativa para um sucessor republicano, apesar de os seus assessores terem dito em entrevistas nesta semana que a Casa Branca adiará a sua estratégia em relação ao candidato que for escolhido, incluindo quando e onde Bush poderá fazer campanha.

Mas os assessores afirmaram que discursos como o da sexta-feira são um exemplo de como o presidente poderá ser útil. Um impulsionador proeminente, integrante do núcleo conservador do partido, poderia ajudar a reduzir um pouco da raiva e do amargor da direita com relação à candidatura McCain.

"Assim, com confiança na nossa visão, na nossa fé e nos nossos valores, sigamos em frente, lutando pela vitória, e vamos continuar com a Casa Branca depois de 2008". UOL

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