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11/02/2008

Executivo que fez oferta pelo Yahoo! quer Microsoft mais agressiva

The New York Times
Andrew Ross Sorkin
Quando o Yahoo enviar sua carta rejeitando os US$ 44,6 bilhões da Microsoft nesta segunda-feira (11), ela irá parar na caixa de correio de um executivo praticamente desconhecido dentro do esparramado campus da Microsoft: Christopher P. Liddell.

Liddell, um ex-banqueiro da Nova Zelândia, é o arquiteto dos bastidores da tentativa de aquisição hostil da Microsoft, a primeira oferta não-solicitada feita pela companhia e talvez a tentativa mais audaciosa por parte de uma empresa de tecnologia para lutar pelo controle de uma concorrente.

Com a rejeição da proposta da Microsoft pela diretoria do Yahoo, caberá a Lidell, um forasteiro na indústria de software que foi contratado pela Microsoft como diretor financeiro há apenas dois anos, definir os próximos passos da companhia nessa amarga batalha - e, no processo, reformular a cultura "não-inventada-aqui" da Microsoft de fazer aquisições agressivas.

"Você tem de ser disciplinado e implacável", disse Liddell por telefone na semana passada, antes que a diretoria do Yahoo decidisse negar a oferta. "Devemos ver as aquisições como uma forma de crescimento. Não deveríamos ficar envergonhados sob hipótese alguma."

A Microsoft já havia feito algumas aquisições ao longo dos anos, mas foram principalmente aquisições pequenas para dar a partida em negócios embrionários ou conseguir alguma tecnologia da qual precisavam. As ferramentas de media player, reconhecimento de voz, busca médica e software de negócios, entre outras, foram algumas das tecnologias que a Microsoft comprou juntamente com as companhias que as criaram.

Todavia, quando se trata de fazer grandes negociações, ela estava estagnada até recentemente. No final de 2003, a Microsoft falou em comprar a grande companhia alemã de construção de softwares SAP. A compra, se tivesse acontecido, teria custado mais de US$ 50 bilhões para a Microsoft.

As negociações, tornadas públicas durante um processo judiciário em 2004, foram abandonadas, segundo a Microsoft, por causa da "complexidade da potencial transação", especialmente pelas dores-de-cabeça de gerenciamento para tentar fazer as duas companhias funcionarem juntas.

Liddell, que chama a si mesmo de "segurança do dinheiro" da Microsoft, passou o fim-de-semana identificando formas de levantar a guarda na briga pelo Yahoo agora que a proposta original da companhia foi rejeitada, participando de uma série de demoradas teleconferências com sua equipe de conselheiros em Wall Street.

Com um perfil mais de contador do que de tecnólogo, Liddell, que entrou para a Microsoft depois de atuar como diretor financeiro da Paper International, a gigante companhia de papel e celulose, claramente não se arrepende de ter arrepiado as penas do mundo digital. Entre suas alternativas está uma série de táticas rudes de Wall Street: primeiramente, a Microsoft está planejando ziguezaguear o país para encontrar com os maiores acionistas do Yahoo numa espécie de campanha eleitoral, na esperança de que eles pressionem a presidência do Yahoo, disseram informantes que estão a par dos planos da companhia.

Hoje isso pode ser bem mais fácil para a Microsfot do que teria sido há duas semanas: desde então, milhões de ações do Yahoo foram parar nas mãos de fundos "hedge" de curto prazo, que normalmente favorecem uma venda rápida, em oposição aos investidores de valor que seguram suas ações por um longo prazo.

A Microsoft também poderia decidir fazer uma oferta diretamente aos acionistas, chamada de "oferta tender", ou oferta de compra, o que pressionaria ainda mais a diretoria do Yahoo para negociar. Ao mesmo tempo, a Microsoft poderia também dar um prazo máximo para sua oferta, o que é conhecido como "oferta explosiva".

E se a Microsoft decidir transformar a disputa em uma batalha sem escrúpulos, ela poderia iniciar uma guerra de procurações para demitir a diretoria do Yahoo nas próximas eleições; ela teria então até 13 de março para nomear um novo quadro de diretores.

Os conselheiros da Microsoft na tentativa de compra são os bancos Morgan Stanley e o Blackstone Group. Seus advogados vêm das firmas Simpson Thacher & Bartlett e Cadwalader Wickersham & Taft.

Eles enfrentam a equipe de banqueiros do Yahoo do Goldman Sachs, Lehman Bros. e Moelis & Co., e os advogados das firmas Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom.

A Microsoft também contratou consultores em relações públicas terceirizados: Joele Frank, Wilkinson Brimmer Katcher e Waggener Edstrom Worldwide. O Yahoo conta com Abernathy-McGregor e Robinson, Lehrer, Montgomery.

A Microsoft pode simplesmente aumentar sua oferta para fechar a negociação. Alguns analistas sugeriram que a companhia poderia pagar até US$ 35 dólares por ação do Yahoo, mais do que os US$ 31 da oferta atual.

Mas Liddell, falando sobre negociações em geral, pareceu sugerir que prefere jogar duro. "Você tem de estar pronto para cair fora", disse Liddell, que joga rugby regularmente e já completou vários triathlons.

Para Liddell, que manda e-mails para seus colegas a todo tempo e é um mago do PowerPoint, a perspectiva de entrar na Microsoft como um forasteiro e tentar transformá-la em uma máquina financeira de aquisições foi assustadora. "Eu sabia que havia um histórico de pessoas que trabalharam aqui e simplesmente não deu certo", disse ele.

Liddell foi uma das várias contratações de alto-escalão que a Microsoft fez nos últimos anos, incluindo a de Ray Ozzie, o criador do sistema Lotus Notes, como diretor de arquitetura de software da companhia; e B. Kevin Turner, um ex-executivo do Wal-Mart, como diretor de operações.

Liddell, que tem mestrado em filosofia em Oxford, descobriu que com Bill Gates e o presidente da companhia, Steven A. Ballmer, "se você faz um bom trabalho, você se encaixa. Eles não aturam muito as pessoas que não estão preparadas."

Ele tem um histórico como banqueiro de investimentos no Credit Suisse First Boston em Auckland. Desde que entrou na companhia, a Microsoft fez 50 aquisições.

Liddell pressionou a companhia para que ela gastasse dinheiro - de fato a Microsoft gastou US$ 54 bilhões em recompra de ações e dividendos desde a sua chegada. E, pela primeira vez na história, a Microsoft pediu dinheiro emprestado, algo que ninguém ousa dizer em voz alta nos seus corredores. Se a oferta de compra do Yahoo for bem sucedida, a Microsoft vai ter de fazer ambas as coisas - gastar e emprestar dinheiro. Eloise De Vylder

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