UOL Notícias Internacional
 

13/02/2008

Novas vitórias consolidam Obama como candidato viável

The New York Times
Adam Nagourney
Do New York Times

Em Washington
A natureza desigual da série de vitórias do senador Barack Obama na terça-feira lhe dá uma abertura para argumentar que os eleitores democratas passaram a pender a seu favor, de forma que o partido deveria se unir em torno de sua candidatura.

As vitórias de Obama concluíram uma semana na qual permaneceu invicto diante da senadora Hillary Rodham Clinton em Estados por todo o país, em muitos casos com grande folga.

E sua força na terça-feira foi exibida em quase todos os segmentos demográficos, com dois elementos se destacando: na Virgínia e em Maryland, segundo as pesquisas de boca-de-urna, ele superou Clinton entre as mulheres, e os dois estiveram quase empatados entre os eleitores brancos.

/John Gress/Reuters 
Obama agradece seus apoiadores pelas vitórias em Virginia, Maryland e Washington DC

A consistência das vitórias de Obama nos últimos dias certamente sugere que muitos eleitores democratas superaram quaisquer reservas que poderiam ter sobre sua elegibilidade ou suas qualificações para ser presidente.

Mesmo antes das mais recentes vitórias, Obama, de Illinois, vinha reduzindo gradualmente as vantagens acumuladas por Clinton no ano passado.

Ele agora desfruta de uma grande vantagem financeira. A grande margem à frente que ela contava nas pesquisas nacionais desapareceu. Segundo a maioria dos cálculos, Obama agora pode reivindicar que possui mais delegados. Ele já venceu em mais Estados que Clinton, apesar dela ter conquistado alguns dos grandes, como a Califórnia e Nova Jersey.

Por semanas, Clinton e Obama abordavam esta disputa da mesma forma: como uma guerra de trincheira Estado por Estado, na crença de que a indicação seria daquele que obtivesse mais delegados.

Mas os resultados da última semana sugerem que a disputa pode estar pendendo para uma conclusão mais normal, onde a meta é obter uma série de vitórias chamativas e com elas impulso. Elas forneceram a Obama a oportunidade -que ele está aproveitando e o fará de forma mais plena a partir da quarta-feira- para argumentar que eleitores de todos os segmentos estão apoiando sua candidatura e que chegou a hora daquele grupo que detém o equilíbrio do poder, os 769 superdelegados sem candidato definido -líderes do partido e autoridades eleitas que possuem uma cadeira automática na convenção nacional- fazer o mesmo.

"Nós estamos agora em uma fase de impulso", disse Ted Devine, um consultor democrata.

Os assessores de Clinton contestam isso, notando que as vitórias dele ocorreram em Estados relativamente pequenos e que ela dedicou sua atenção para as duas grandes disputas que ocorrerão em 4 de março: Ohio e Texas. E os assessores dela há muito argumentam que ao final da votação, a diferença entre os dois candidatos em número de delegados seria mínima, cabendo a decisão final aos superdelegados, que na visão deles votariam em Clinton.

Mas se os líderes do partido interpretarem o número e a magnitude das vitórias de Obama como uma opção dos eleitores democratas por ele, isto poderia ter grandes conseqüências para Clinton.

Por um lado, se esta é uma eleição onde um candidato vence pela virtude de estar vencendo -a definição de impulso- isto significaria que os eleitores nos próximos Estados poderiam ser influenciados pelos resultados das disputas anteriores. Se este for o caso, Obama poderia estar em posição de avançar no Texas e Ohio, que se tornaram uma porta corta-fogo para Clinton.

Por outro, arrecadadores de fundos e superdelegados são, pela própria natureza, pessoas que tendem a apoiar alguém que parece estar vencendo, e o fazem rapidamente.

Mas talvez o maior problema seja a possibilidade do processo de seleção dos delegados -no qual os delegados são alocados aos candidatos na proporção dos votos que obtêm- agora começar a trabalhar contra Clinton. Ambos os candidatos recebem uma parcela de delegados, mesmo se um vencer por uma margem de 20 pontos- o motivo para Clinton e Obama permanecerem tão próximos em número de delegados.

Mas muitas das vitórias de Obama desde 5 de fevereiro foram grandes o bastante para recompensá-lo com um número maior de delegados, o que significa que ele pode vir a contar com uma vantagem significativa a partir de quarta-feira. O problema para Clinton é que para compensar a diferença, não bastaria apenas vencer em Ohio e no Texas, mas vencer com margens grandes o bastante.

Entretanto, independente de quais sejam os desafios diante de Clinton, ela provou repetidas vezes que é uma candidata cheia de recursos, com uma campanha bem organizada e uma base de eleitores passionais. Caso vença em Ohio e no Texas, ela poderia conter o impulso de Obama e impedir que alguns delegados se virem contra ela. E já há história nesta campanha de Obama vencer, apenas para ver uma recuperação e vitória de Clinton.

"Não dá para julgar antes de Ohio e do Texas", disse Jonathan Prince, que foi um alto assessor de John Edwards da Carolina do Norte, que abandonou a disputa há duas semanas. "Nesta campanha, toda vez que ele salta à frente, os eleitores fazem uma pausa. Se o impulso continua colidindo contra uma parede, então é preciso se ater aos números."

Mike DuHaime, um consultor republicano que dirigiu a campanha de Rudolph Giuliani, disse que Clinton está tomando as decisões certas ao tentar explorar ao máximo seus pontos fortes.

"Claramente, ela teve sucessos nos Estados maiores e há um grande número de delegados em jogo em 4 de março", disse DuHaime. "Eles não estão tentando determinar quem vencerá em mais Estados; eles estão tentando determinar quem contará com mais delegados."

Ainda assim, no final, as duas coisas permanecem relacionadas. Clinton decidiu abrir mão da disputa em Wisconsin na próxima terça-feira, o que significa que poderá levar duas semanas até que tenha o potencial de se recolocar em posição favorável.

No momento em que Obama estiver anunciando que seu trem está partindo da estação -e apontando para o campo relativamente livre desfrutado pelo senador John McCain no lado republicano para estimular os democratas a se unirem em torno dele- estas poderão ser duas semanas terrivelmente longas para a campanha de Clinton. George El Khouri Andolfato

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