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14/02/2008

Eleições nos EUA: quem são os superdelegados e o que fazem?

The New York Times
Jim Dwyer
Do New York Times
Em Nova York
No final de novembro passado, os superdelegados democratas de Nova York encontraram-se em Virgínia, em uma reunião do comitê nacional do partido. Todas as pessoas presentes, com a exceção de umas três ou quatro, usavam buttons com a inscrição "Hillary".

Um dos poucos que estava sem um button era Ralph Dawson, um advogado trabalhista. E, até esta semana, ele ainda não usou nenhum - aliás, nem de Hillary Clinton nem de Barack Obama.

Os superdelegados são operadores do partido e autoridades eleitas que não precisam passar por uma primária, mas mesmo assim tem direito a um voto na convenção para a escolha do candidato à presidência. Eles não estão formalmente obrigados a apoiar nenhum candidato.

Normalmente, são ignorados. Em um dos episódios impressionantes deste ano eleitoral, eles poderão ter uma voz decisiva na seleção do candidato democrata, porque é possível que nem Hillary Clinton nem Obama saiam das prévias e convenções estaduais com delegados suficientes para serem escolhidos.

"De repente parece que estamos usando capas de super-heróis", afirma Dawson.

O sistema baseado nos superdelegados funciona desde 1982, conferindo às pessoas que são mais ativas na política do partido a possibilidade de exercerem maior influência no processo. Mas só neste ano algumas das conseqüências nada democráticas desse sistema ficaram tão nitidamente visíveis. Em Nova York, por exemplo, cerca de 90% dos 45 superdelegados já prometeram apoiar Hillary Clinton na convenção.

Isso significa que praticamente nenhum deles representará a posição dos 40% dos democratas de Nova York que votaram em Obama. Ele poderá até ser capaz de persuadir alguns a mudar de lado, mas a impressão que se tem é a de que são poucos os superdelegados que poderão quebrar as suas promessas.

"O indivíduo não vai muito longe neste sistema caso diga a alguém que o apóia e depois mude de posição", afirma Jose E. Serrano, representante parlamentar do Bronx, e um dos superdelegados.

Em Illinois, aqueles que votaram em Hillary Clinton - cerca de um terço dos democratas - estão descobrindo que ela até o momento só recebeu apoio público de um dos 29 superdelegados do Estado, segundo uma contagem do website Politico.com. Obama recebeu 18 promessas públicas de apoio, um número que é proporcional aos seus votos em Illinois. Os superdelegados restantes não declararam em quem votarão.

Muitos dos superdelegados de Nova York são nomes familiares - incluindo todos os membros do Congresso, os dois senadores federais por aquele Estado, o governador e o presidente da Assembléia Legislativa -, mas como foi que Ralph Dawson chegou a esta sua posição?

"Apóio Howard Dean há muito tempo", explica Dawson. "Nós fomos companheiros de quarto na faculdade".

Ele trabalhou na fracassada campanha de Dean pela vaga de candidato presidencial democrata em 2004, e depois ajudou-o novamente quando ele fez articulações para tornar-se presidente do Comitê Nacional Democrata. "Ele me indicou para o Comitê Nacional Democrata", diz Dawson. Isso tornou-o superdelegado.

Agora, a família e os amigos procuram influenciar o seu voto. "Sou bombardeado pelos dois lados", afirma.

Ele diz que a sua esperança é que a escolha do candidato seja decidida antes do início da convenção do partido, em Denver, em 25 de agosto. "Tanto um lado quanto o outro pode adquirir ímpeto suficiente para conquistar a vaga", diz Dawson. Mas a aritmética faz com que isso seja improvável.

E se esta história não for decidida antes da convenção? "Não temo - como parece ocorrer com algumas pessoas - que os superdelegados não façam a coisa certa", diz Dawson. O significado disso? "Creio que a decisão dos superdelegados será baseada em informações sobre quem eles acreditam ter a melhor chance de vencer a eleição", afirma, levando em conta a forma como os eleitores democratas comuns votam.

No distrito congressual de Brooklyn, representado por Edolphus Towns, Obama recebeu 57% dos votos. Assim como todos os outros membros do Congresso de Nova York, Towns prometeu apoiar Hillary Clinton como superdelegado. Segundo a sua porta-voz, ele não pôde falar sobre o assunto na última terça-feira devido a uma forte gripe.

Gregory W. Meeks, um membro do Congresso cuja base eleitoral encontra-se no Queens, encontra-se na mesma posição política - o seu distrito preferiu Obama em vez de Hillary Clinton, em uma proporção de 55% a 44%. Como esses eleitores sentem-se em relação à promessa dele de apoiar Hillary na eleição?

"Alguns gostam, outros não", diz Meeks. "A situação vai mudando de acordo com o território. É preciso fazer o que você acha que é o correto e com a informação que possui. Não dá para liderar se o indivíduo não fizer isso. Seria bom para o meu distrito se ela fosse a presidente dos Estados Unidos? Sem dúvida".

Para Serrano, não há problema. Os seus eleitores votaram majoritariamente em Hillary Clinton. Mas ele chama atenção para um outro aspecto bizarro das disputas eleitorais deste ano.

Em 7 de junho, a última eleição primária democrata será realizada em Porto Rico, onde estarão em jogo 63 delegados. Os porto-riquenhos, como cidadãos americanos, têm o direito de votar na eleição primária. Mas como residentes de um território dos Estados Unidos, e não de um Estado, não tem permissão para votar em novembro. UOL

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