UOL Notícias Internacional
 

14/02/2008

Tensões entre McCain e Obama antecipam a campanha presidencial

The New York Times
Jeff Zeleny, do New York Times

Em Waukesha, Wisconsin
A tensão entre eles vem de antes de suas campanhas para as prévias dos partidos.

Quando o senador John McCain declarou vitória mas primárias de terça-feira, não causou surpresa ele ter omitido as críticas às políticas do senador Barack Obama. (Haverá bastante tempo para isso.) Em vez disso, ele se concentrou em outro antigo aborrecimento: a percepção de que Obama possui um halo político.

"Eu não busco a presidência na suposição de que sou abençoado com tamanha grandeza pessoal", disse McCain, "que a história me ungiu para salvar meu país em sua hora de necessidade".

Brian Snyder/Reuters - 5.jan.2008 
Obama (esq.) e McCain se cumprimentam após debate entre os pré-candidatos

Um relacionamento contencioso entre McCain, republicano do Arizona, e Obama, democrata de Illinois, transcorre no Capitólio há mais de dois anos. Agora isto foi transferido para o primeiro plano da corrida presidencial, à medida que Obama dedica tanto tempo atacando McCain quanto a senadora Hillary Rodham Clinton, dizendo aos eleitores daqui, na quarta-feira, que "em algum ponto ao longo do caminho, ele trocou os princípios pela indicação do partido".

"Se vocês desejam o mesmo que tivemos nos últimos sete anos", disse Obama, "então eu acho que John McCain será uma grande escolha".

Os ataques, apesar de comuns em meio a uma difícil disputa presidencial, carregam um vestígio da briga que tiveram há dois anos e fornecem uma janela sobre como um vê -e poderá abordar- o outro na eleição geral caso a disputa seja entre eles. Em um debate em 2006 sobre a reforma da ética no Senado, que McCain considerava um tema seu, ele censurou Obama e acusou o senador novato de "insinceridade". Obama, por sua vez, chamou McCain de "mal-humorado".

Em público, essa disputa se desfez quando os dois senadores ergueram de brincadeira seus punhos um contra o outro e se abraçaram para uma oportunidade de foto mutuamente benéfica. Mas aquilo não conseguiu mascarar um relacionamento freqüentemente frio, às vezes hostil.

Os dois senadores são homens muito diferentes: McCain, 71 anos, é um veterano de batalhas políticas e militares. Obama, 46 anos, é um organizador comunitário que conseguiu se formar em uma universidade de prestígio do Nordeste. McCain disse a vários amigos e associados que vê Obama como uma espécie de arrivista, cuja vida política charmosa o colocou no mesmo lugar em que as décadas de serviço público e militar de McCain o colocaram. Além disso, segundo associados, McCain sempre torceu para enfrentar Hillary Clinton na disputa presidencial.

Apesar de Clinton ter servido no Senado apenas quatro anos a mais que Obama, ela já atuou no Comitê de Serviços Armados e já viajou ao redor do mundo com McCain. Exemplos do respeito mútuo entre eles incluem a história da disputa sobre quem bebia mais vodca na Rússia. (Tal celebração dificilmente ocorreria com Obama, que em uma viagem separada em 2005 pediu que seu copo fosse enchido com água.)

A disputa pela indicação democrata está longe de decidida e McCain ainda poderá ter seu desejo atendido de enfrentar Clinton. Mas após vencer em 21 Estados, reunir mais delegados e formar uma rede maior de arrecadação de fundos, Obama aumenta semana a semana suas chances e seus assessores estão deliberando como melhor enfrentar McCain, particularmente porque o melhor argumento de ambos é a capacidade de cortejar os eleitores independentes e moderados.

Uma estratégia inicial já está clara: independente de qual seja a mensagem, elogie McCain pelo serviço ao país, particularmente por Obama não ter servido nas forças armadas. (Segundo os estrategistas, é uma abordagem semelhante à forma como Bill Clinton lidou com Bob Dole em 1996.)

"A propósito, John McCain é um grande herói americano -um herói de guerra", Obama disse aos eleitores aqui na quarta-feira. "Nós estimamos o serviço dele."

Então, Obama passou a criticar McCain por apoiar a ampliação dos cortes de impostos do governo Bush. (McCain antes era contrário à idéia.)

"George Bush pode não estar na cédula em novembro, mas seus cortes de impostos e políticas econômicas estão", disse Obama. "E se John McCain deseja debater os detalhes específicos de quão bem esteve a economia para as famílias comuns nos últimos sete anos, este é um debate do qual participarei alegremente, porque o povo americano sabe que as políticas de Bush não funcionaram para os americanos comuns."

Enquanto Obama busca pintar McCain como uma extensão da atual Casa Branca, McCain busca apontar o despreparo de Obama para a presidência. Sua crítica é semelhante ao questionamento de Hillary sobre a candidatura de Obama, dizendo a um repórter na quarta-feira: "Eu não acompanhei todos os discursos que ele fez, obviamente, mas eles carecem de detalhes específicos".

Uma noite antes, perante uma platéia de republicanos, McCain estava bem mais animado enquanto discutia as diferenças entre ele e Obama. "Eu já vi as esperanças de homens serem dura e cruelmente testadas de formas que poucos jamais experimentarão", disse McCain de forma incisiva.

A briga entre eles lembra a disputa em torno do projeto de lei de ética, que durou dias -e atraiu atenção considerável, dado o tom da censura de McCain ao seu par no Senado.

"Eu entendo quão importante deve ser para um senador calouro esta oportunidade de liderar o esforço de seu partido para explorar esta questão", McCain escreveu em uma carta para Obama, que foi enviada simultaneamente para todos os órgãos de notícias no Capitólio. "Eu não guardo nenhum ressentimento em relação à sua insinceridade anterior."

Obama tende a ressaltar a diferença de geração entre eles, dizendo que representa o futuro enquanto McCain representa o passado. Os assessores de Obama disseram que apesar de ainda não terem determinado como lidarão com McCain, eles pretendem manter as críticas concentradas nas diferenças de posição nas questões.

E não, eles disseram, não esperem que Obama ressuscite a letra de uma canção que ele cantou como orador em um jantar de gala Gridiron em Washington, em março de 2006. A letra da canção foi escrita para acompanhar a melodia de "If I Only Had a Brain" (se eu tivesse um cérebro).

"Quando um jovem idealista enfrenta um realista experiente, com certeza haverá alguma tensão"("When a wide-eyed young idealist, confronts a seasoned realist, there's bound to be some strain"), disse Obama, cantando perfeitamente afinado. "Com o jogo mal iniciado, eu me sentiria menos desanimado, se só tivesse McCain..." ("With the game barely started, I'd be feeling less downhearted, if I only had McCain....) George El Khouri Andolfato

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