UOL Notícias Internacional
 

16/02/2008

No palanque, candidatos paquistaneses evitam Musharraf

The New York Times
Carlotta Gall

Em Rawalpindi, Paquistão
Um político veterano, o xeque Rashid Ahmed é um amigo próximo do presidente Pervez Musharraf e serviu como ministro de seu governo nos últimos cinco anos.

Mas em sua parada de campanha aqui, a sua cidade natal, antes das eleições parlamentares de segunda-feira, ele não mencionou o presidente nenhuma vez.

"Eu os recordo dos meus sucessos", ele disse entre as paradas de campanha, fumando um charuto dentro de um carro blindado, que ele usa por causa da ameaça de homens-bomba. "É claro, a popularidade do presidente Musharraf não é a mesma" que antes, ele acrescentou.

Max Becherer, Polaris/The New York Times 
Xeque Rashid Ahmed, membro do partido de Musharraf, em seu escritório em Rawalpindi

Após 10 meses de turbulência política, Musharraf está tão impopular que os membros de seu próprio partido, a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, estão se distanciando do presidente, reconhecem candidatos e representantes do partido.

Um outdoor de Musharraf na rodovia principal que deixa a capital, Islamabad, foi derrubado recentemente, e no distrito de Ahmed, uma área de ruas estreitas e pequenas lojas cobertas com cartazes eleitorais, não há nenhuma imagem do presidente.

Ahmed, um político genuinamente popular com raízes operárias e que concorreu em sete eleições para a assembléia nacional, insistiu que a ausência de cartazes de Musharraf em seu distrito não significa nada. "Por toda a minha vida eu nunca usei cartazes de Musharraf" ou de outros líderes, disse Ahmed. "Eu disputo com a minha foto."

Mas ele faz campanha apenas tratando de temas locais, abraçando lojistas, beijando bebês e falando quase que totalmente sobre as melhorias nas escolas, hospitais, trânsito e esgoto que ele realizou ou está planejando.

Ele evita mencionar Musharraf ou as políticas mais impopulares do governo, que ele e outros membros do partido reconhecem que prejudicaram suas chances eleitorais.

"Nós tivemos quatro bons anos e o último foi ruim", disse o senador Mushahid Hussain Sayed, secretário-geral do partido. "Erros foram cometidos, eu já disse."

Entre eles, segundo ele, está a suspensão no ano passado do ministro-chefe da Suprema Corte, Iftikhar Mohammad Chaudhry, que provocou um protesto das associações de advogados de todo o país, a censura aos meios de comunicação e a imposição do estado de emergência em novembro.

O assassinato da ex-primeira-ministra, Benazir Bhutto, em dezembro, também causou revolta contra o governo, disse Sayed. "Nós sofremos um desgaste."

Talvez acima de tudo, o repentino aumento dos preços nos últimos dois meses tenha prejudicado o governo, disse Ahmed. Esta é uma tendência mundial, mas o governo está sendo culpado por isso, ele disse. Como esperado, segundo a Constituição, Musharraf deverá permanecer acima da disputa eleitoral para o Legislativo. Mas sua baixa popularidade contrasta de suas aparições públicas há poucos meses.

O partido Liga Muçulmana do Paquistão-Q, que vem de Qaid-e-Azam, o fundador do Paquistão, Mohammed Ali Jinnah, foi formado em 2002 por Musharraf, que precisava de um governo leal.

Ele foi formado com o que restou da Liga Muçulmana do Paquistão, depois que seu líder, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, foi preso e depois exilado. Outros membros independentes do Parlamento foram convidados a ingressar, mas o partido sempre foi mais uma aliança de conveniência.

Analistas paquistaneses agora prevêem que o partido, que domina ambas as casas da assembléia nacional e três das quatro assembléias provinciais, terá um desempenho ruim nas eleições de segunda-feira e não obterá cadeiras suficientes para formar um governo.

Com a campanha eleitoral em sua última semana, os líderes do partido tentam se distanciar das ações mais controversas de Musharraf, que estão sendo atacadas, em particular, pela principal figura da oposição, Sharif, que voltou do exílio no final de novembro e ainda lidera sua própria facção da Liga Muçulmana do Paquistão.

Sayed disse que o cientista nuclear que caiu em desgraça, Abdul Qadeer Khan, que é um herói nacional no Paquistão por ter ajudado a construir a bomba nuclear do país mas que está sob prisão domiciliar por ter vendido tecnologia nuclear para outros países, deverá ser libertado.

Chaudhry, o ministro-chefe da Suprema Corte que foi afastado, e os líderes do movimento dos advogados, incluindo o presidente da Ordem dos Advogados da Suprema Corte, Aitzaz Ahsan, também devem ser libertados da prisão domiciliar, ele disse.

Ahmed disse que enfrentou dificuldades em cinco ou seis áreas de seu distrito, entre os religiosos e aqueles de etnia pashtun que são contrários às operações militares nas áreas tribais. "Eu lhes digo: 'Nós queremos conversar com vocês. Nós não queremos lutar com vocês'", ele disse. "Mas eles estão muito irritados."

"As pessoas me dizem para me tornar independente", ele disse. "Mas estive com o homem por cinco anos", falando sobre Musharraf, que ele disse ser um amigo pessoal. "Nós fumamos charutos juntos. Ele me dá os charutos. A maioria de Cuba."

* Salman Masood contribuiu com reportagem George El Khouri Andolfato

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