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19/02/2008

Inquérito da morte da princesa Diana ouve a teoria de conspiração de al-Fayed

The New York Times
John F. Burns

Em Londres
Mohammed al-Fayed aguardou mais de 10 anos pelo dia em que, em um tribunal aberto, poderia expor sua teoria de conspiração de alto escalão nas mortes da princesa Diana e de seu filho Dodi, o namorado dela quando ambos morreram em um acidente de automóvel em Paris, em agosto de 1997.

Quando o momento chegou na segunda-feira, no quinto mês do inquérito muito atrasado sobre as mortes, Fayed, o proprietário de 75 anos da loja de departamentos Harrod's, se superou com novos detalhes sensacionais em suas alegações de que a família real britânica esteve por trás do acidente.

Alessia Pierdomenico/Reuters
Mohamed al-Fayed deixa a Corte Suprema em Londres onde prestou depoimento sobre a morte da princesa Diana e Dodi al-Fayed
Em uma declaração por escrito que ele leu perante os bancos lotados da Sala 73, no Tribunal Real de Justiça, e sob interrogatório, Fayed repetiu sua alegação central: o que causou o impacto em alta velocidade contra um pilar do túnel Pont d'Alma ao lado do Sena não foi, como apontaram as longas investigações oficiais das autoridades francesas e britânicas, o fato do Mercedes estar andando em velocidade excessiva e dirigido por um homem que tinha bebido muito, mas uma conspiração liderada pelo príncipe Philip, atualmente com 86 anos e marido da rainha Elizabeth. E, ele disse, ela foi "executada" pelos serviços secretos britânico e francês, com ajuda da CIA.

Mas desta vez, Fayed adicionou um novo co-conspirador, o príncipe Charles, 59 anos, o marido divorciado de Diana e herdeiro do trono. Fayed disse que Charles "participou" na trama para que pudesse se casar com Camilla Parker-Bowles.

Ao arranjar a morte de Diana e de seu filho, disse Fayed, Philip e Charles pouparam a família real de ter uma princesa casada com um muçulmano e de ter um filho com ele. "Eles prepararam tudo", ele disse. "Eles a assassinaram."

Pela primeira vez, Fayed disse que Diana lhe contou que estava grávida em um telefonema feito uma hora antes do casal deixar o Hotel Ritz, na breve jornada que terminou com o acidente.

Ele contou que o casal lhe disse durante o telefonema que planejava anunciar o noivado em questão de dias, tão logo a princesa informasse seus filhos, os príncipes William e Harry.

Peritos médicos e de ciência criminal que depuseram no inquérito disseram que não havia evidência dela estar grávida quando morreu.

Assessores de Fayed disseram aos jornais britânicos que pediram a ele que não recorresse ao tipo de linguagem provocativa que costuma usar em relação à família real desde o acidente, muito menos alienar o juiz responsável pela investigação de homicídio, o juiz Scott Baker, ou o júri de 11 membros.

Mas Fayed -filho de um inspetor de escola do Cairo, Egito, que ascendeu de gerente de uma loja de móveis em Riad, capital da Arábia Saudita, a proprietário da Harrod's, de uma propriedade de 26 mil hectares na Escócia e do time de futebol do Fulham em Londres- se expressou da mesma forma explosiva de sempre.

Ele chamou o príncipe Philip de "nazista" e "racista". Ele disse que o príncipe Philip não podia aceitar a idéia de Diana, mãe do futuro rei da Inglaterra, casada com Dodi, um muçulmano, "alguém bronzeado naturalmente, com cabelo encaracolado", ele disse.

Ele se referiu a linhagem do príncipe, que nasceu na Grécia em uma família ligada a várias famílias reais européias, incluindo a casa alemã de Battenberg, um nome que ele anglicizou para Mountbatten. "É hora de mandá-lo de volta para a Alemanha, de onde ele veio", disse Fayed. Ele acrescentou: "Vocês querem saber o nome original dele- é Frankenstein".

O inquérito é de muitas formas um fórum promovido por Fayed para testar suas teorias de conspiração. Ele gastou milhões de dólares em batalhas legais para assegurar a realização do inquérito, apesar da demora de uma década, segundo a lei britânica que exige que um juiz determine a causa de morte de qualquer súdito britânico que morra no exterior quando o corpo é repatriado.

Ele cuidou para que o inquérito fosse realizado de forma pública e perante um júri, condições que enfrentaram vigorosa oposição da família real e de muitos no establishment legal britânico.

Com uma equipe legal liderada por Michael Mansfield, um advogado famoso que ganhou reputação em alguns dos casos de difamação mais sensacionais do Reino Unido, Fayed cuidou para que, ao convocar dezenas de testemunhas, poucos cantos da vida de Diana permanecessem inexplorados.

O inquérito ouviu funcionários do Palácio de Buckingham, os principais amigos da princesa, membros de seu quadro pessoal de funcionários e guarda-costas, e uma de suas irmãs, juntamente com policiais, funcionários de ambulância, médicos e outros que tentaram salvá-la na noite do acidente. Pouco foi poupado, nem mesmo detalhes dos relacionamentos da princesa com vários outros homens antes do breve caso final com o filho de Mohamed al-Fayed.

Fayed iniciou seu depoimento dizendo que não faria alegações, mas rapidamente repetiu as acusações que tem feito ao longo dos anos. Ele disse que a princesa lhe disse do medo que tinha de ser morta. "Ela me disse que sabia que o príncipe Philip e o príncipe Charles estavam tentando se livrar dela."

Ao questionar Fayed, o juiz Scott Baker e os advogados que não faziam parte de sua equipe legal deixaram implícito que a credulidade era difícil dado o número de pessoas que Fayed alegava estarem envolvidas na conspiração, desde o ex-primeiro-ministro Tony Blair "e seus principais capangas" até seguranças, médicos e peritos criminais franceses, britânicos e americanos em Paris, o embaixador britânico na França na época do acidente, dois ex-chefes da Scotland Yard e o secretário particular da rainha Elizabeth, entre outros.

Ao ser requisitado que fornecesse provas para apoiar suas alegações, Fayed disse que enfrentou uma batalha colina acima contra as forças poderosas mobilizadas contra ele. "Você deseja que eu apresente provas, mas estou diante de uma parede de aço dos serviços de segurança", ele disse.

Um advogado da Scotland Yard, Richard Horwell, fez a mais dura repreensão do dia, dizendo: "O senhor nem mesmo permitiu que esta mulher tivesse dignidade na morte". George El Khouri Andolfato

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