UOL Notícias Internacional
 

20/02/2008

Preço em alta desencadeia nova corrida do ouro no México

The New York Times
Elisabeth Malkin

Em Maguarichic, México
Nestas montanhas, onde conquistadores antes extraíam ouro de veios abertos na encosta, o mineiro calejado do cinema está dando lugar a uma nova raça de explorador: geólogos e engenheiros, armados com equipamento sofisticado e milhões de dólares de investidores.

Principalmente americanos e canadenses, eles trabalharam para gigantes mundiais da mineração por anos. Mas agora, com o preço do ouro próximo de altas recordes, eles estão deixando suas antigas firmas, levantando capital para iniciar suas próprias empresas de prospecção e seguindo para o México. Na terça-feira, a onça de ouro chegou a US$ 929,30, em comparação a US$ 665 há um ano. Em 1980, o choque do petróleo e a crise econômica levaram o preço a US$ 875 a onça; isto representaria mais de US$ 2 mil hoje.

Grande parte da alta recente é causada pela incerteza econômica e pela crescente ansiedade em relação aos riscos da inflação global.

Jennifer Szymaszek/The New York Times 
Jay Zebrowski observa mina de ouro em Sierra Madre, no Estado de Chihuahua, México

"O ouro atingiu o ponto mais baixo em 2001, a US$ 250 a onça, e tem subido desde então", disse Craig Stanley, um analista de mineração de ouro da Desjardins Securities, em Toronto. "Isto continua atraindo mais gente."

Mas como qualquer corrida do ouro, ele alertou, a promessa de riqueza pode ofuscar as possibilidades reais -mesmo que mais investidores estejam dispostos do que antes a financiar novas empresas.

"Está mais fácil levantar mais dinheiro", disse Stanley, "mas é necessário muito dinheiro para sair à procura e encontrar ouro".

Como o preço do ouro provavelmente continuará subindo, as mineradoras estão aumentando a verba para exploração de ouro em todo o mundo. Mas muitos países que possuem novos depósitos promissores são politicamente caprichosos, como a Rússia, ou perigosos, como o Congo.

Em comparação, o México desenvolveu regras de investimento amistosas e uma burocracia relativamente eficiente, disseram os analistas. Apesar da escalada da guerra das drogas em grande parte do norte do México, os mineiros trabalham com relativa segurança. E o México oferece uma vantagem para os exploradores norte-americanos que nenhum outro país pode igualar: os geólogos podem realizar o percurso de carro em poucos dias.

Apenas para começar a explorar, são necessários dezenas de milhões de dólares. O custo de encontrar e então extrair o ouro aumentou em cerca de 25% no ano passado, em conseqüência do aumento dos custos de energia, aço e cimento usados na mineração.

Equipamento especializado e pessoal qualificado também estão escassos. A exploração moderna exige mapeamento aéreo e sensores sofisticados.

Mesmo com o equipamento de perfuração mais sofisticado, apenas um entre cada 1.000 projetos de exploração se torna uma mina em funcionamento, disse Peter K.M. Megaw, presidente da Imdex, uma firma de consultoria e contratação, com sede em Tucson, que ajuda empresas estrangeiras a explorarem no México.

"Há ouro em toda parte", disse François Auclair, vice-presidente de exploração da Dia Bras Exploration, uma pequena empresa em Montreal. "Mas você precisa de condições físicas especiais para fazer com que seu depósito valha algo."

Mas isto não impediu que a exploração ocorresse aqui. Por toda a Sierra Madre, tratores aplanam antigas trilhas rurais para criação de estradas até locais remotos e as pontas de diamante das sondas penetram em centenas de metros de rocha, coletando caminhões de amostras cilíndricas para testes.

Mesmo com sua longa história de mineração, esta terra é relativamente subdesenvolvida. O terreno difícil, os ataques dos índios e a instabilidade política tornaram a mineração uma atividade inconstante. O México proibiu o investimento estrangeiro em mineração por três décadas, abrindo o setor apenas em 1992, quando o Acordo de Livre Comércio da América do Norte foi negociado.

Agora, dizem os analistas, o México é um dos países mais atraentes no mundo para mineração -o 14º maior produtor de ouro, em comparação a 18º em 2006.

O novo mercado para os exploradores levantarem dinheiro para suas novas empresas fica a meio continente de distância destas montanhas onde a atividade vulcânica gerou ricos depósitos de ouro, prata, zinco e chumbo há 130 milhões de anos. A maioria das empresas levanta seus primeiros milhões para iniciar o mapeamento e testar seus achados na bolsa TSX Venture em Toronto.

Conhecidas no setor como juniores, elas se tornaram o braço de exploração do setor, disse Larry Segerstrom, diretor chefe de operações da Paramount Gold and Silver, uma júnior com sede em Ottawa que está explorando no Estado de Chihuahua.

Stanley, o analista, disse: "Há mais de mil mineradoras júnior listadas. A maioria delas é composta por dois sujeitos com uma idéia e que balizaram algum lugar".

Às vezes elas exploram por conta própria, às vezes se aliam a outras pequenas empresas ou mineradores individuais que têm direito a alguma mina, mas que carecem do equipamento moderno e dos milhões delas.

Após gastar dezenas de milhões para mapear e então perfurar, as juniores podem formar uma joint venture com uma empresa maior caso os resultados pareçam promissores o bastante. Uma descoberta realmente grande chamará a atenção de uma mineradora global.

Como parte de seu argumento para atrair investidores, a Paramount Gold and Silver diz que a estrutura de suas recentes descobertas é semelhante a de outro projeto no Estado de Chihuahua, chamado Palmarejo. Os proprietários canadense e australiano de Palmarejo a venderam no ano passado por US$ 1,1 bilhão para a empresa americana Coeur d'Alene Mines.

Agora, a Paramount está gastando cerca de US$ 1 milhão por mês para explorar uma área de antigas minas no oeste de Chihuahua em busca de ouro e prata. A empresa levantou US$ 24 milhões no mercado no ano passado para financiar a exploração. "Muitas minas têm muitas vidas", disse Bill Reed, vice-presidente de exploração. "À medida que os preços e as tecnologias mudam, então elas se tornam economicamente viáveis de novo."

Mas pode levar anos. A Minefinders, uma pequena empresa com sede em Vancouver, iniciou a exploração em 1994, perto de uma mina que foi explorada no início do século 20. A produção de ouro e prata será retomada na mina ainda neste ano.

"A Minefinders desceu com o preço do ouro até o fundo do canal e com sorte subirá junto com ele", disse Gregg Bush, vice-presidente de operações da mina.

A empresa teve que construir estradas de acesso por conta própria e levou anos para negociar com a fazenda comunal que era dona da propriedade. Entre os pagamentos em dinheiro e os investimentos, a Minefinders pagará aos fazendeiros US$ 17 milhões.

Os exploradores há moda antiga que ainda estão em atividade esperam que a nova corrida do ouro lhes beneficie também.

Após duas décadas de prospecção aqui, Jay Zebrowski, 64 anos, ainda dirige seu Chevrolet Suburban 1983 a cada dois meses, vindo de sua casa, perto de Denver, para checar a mina abandonada da qual ele e seu irmão geólogo são donos aqui.

Em uma versão contemporânea de "O Tesouro de Sierra Madre", o clássico de 1948 do diretor John Houston, o ouro deixou os Zebrowskis próximas da ruína.

Quase todo o cerca de um milhão de dólares que investiram na mina veio de investidores que ainda não viram retorno. Endividado, Zebrowski se manteve em pé vendendo algumas de suas opções de exploração para a pequena empresa de Montreal, a Dia Bras Exploration, e para a gigante mexicana de mineração, a Industrias Penoles. A mina dos Zabrowskis, na parte inferior de uma encosta vizinha da cidade de Maguarichic, funcionou até os anos 40. Chamada La Poderosa, ela estava longe de poderosa quando eles reiniciaram a atividade nela no início dos anos 90.

"Não conseguíamos ouro de qualidade e nem encontrar o veio", disse Zebrowski. Hoje, grande parte da estrutura da mina subterrânea está apodrecendo debaixo d'água. "Nós simplesmente ficamos sem dinheiro."

Saqueadores levaram parte do equipamento de processamento que transforma o minério em concentrado de ouro e, no ano passado, uma nevasca provocou o colapso do telhado de zinco sobre o barracão de equipamento.

Os irmãos Zebrowski acabaram abandonando a mina e optaram por balizar áreas, na esperança de fechar acordos com empresas maiores. Com o colapso do mercado em 1997, eles tiveram que abrir mão de muitas opções, mas mantiveram as melhores, disse Zebrowski.

Eles possuem o direito de mineração sobre cerca de 14 mil hectares no norte do México, além da mina, que é guardada por um pastor.

Zebrowski espera vender mais opções para empresas que estão explorando aqui. A compra da opção lhes daria o direito de explorar por ouro e pagaria mais aos Zebrowskis caso um depósito venha a se transformar em mina.

"Parece que agora estamos com alguma sorte", disse Zebrowski.

Ele fez uma pausa e acrescentou: "Bom, pelo menos a boa sorte está ao nosso redor". George El Khouri Andolfato

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