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21/02/2008

Com o tempo se esgotando, desorientação toma conta da campanha de Hillary Clinton

The New York Times
Adam Nagourney
Do New York Times

Em Washington
Quando a senadora Hillary Rodham Clinton se encontrar com o senador Barack Obama em um debate apenas entre os dois em Austin, Texas, na noite de quinta-feira, uma das últimas chances dela de mudar o curso da disputa pela indicação presidencial democrata, ela novamente enfrentará o desafio que repetidamente a tem frustrado: como desacreditar seu adversário popular sem prejudicar a si mesma.

Mesmo agora, após uma série de derrotas, seus assessores estão divididos sobre como proceder enquanto seguem para aquelas que podem ser suas últimas chances, em Ohio e no Texas, em 4 de março.

Alguns -liderados por Mark Penn, seu estrategista-chefe- têm pressionado Hillary a traçar contrastes mais profundos e acentuados com Obama, argumentando que ela não tem outra opção, disseram funcionários da campanha.

Aaron Josefczyk/Reuters - 19.fev.2008 
Hillary Clinton segura calendário para ser autografado durante campanha em Ohio

Outros, particularmente Mandy Grunwald, sua assessora de mídia, pressionam por uma abordagem menos agressiva, argumentando que os ataques não ajudariam a campanha de Hillary em um ambiente no qual ela cada vez parece estar em dificuldades, disseram assessores.

Esta mais recente divisão dentro da campanha reflete a intensa frustração entre os assessores de Hillary enquanto buscam formas de reverter a situação contra Obama, um adversário cujo apelo e habilidade como candidato os pegou de surpresa. Até o momento, até sua mensagem positiva foi ofuscada pela dele, e cada ataque contra ele fracassou ou saiu pela culatra.

Em um discurso em Nova York na quarta-feira, Hillary disse, em termos às vezes duros, que Obama não possuía as credenciais para liderar o mundo em um momento perigoso. Mas em vez de adotar a abordagem de terra arrasada que é pedida por alguns de seus associados, muito do que ela disse apenas repetia as críticas que ela tem feito a ele durante a campanha.

Sua propaganda na televisão, um medidor chave do tom da campanha, inclui ataques abertos contra Obama no momento, apesar dos assessores dizerem que ainda estão debatendo se aumentarão o tom dos ataques.

Alguns dos ataques usados pela campanha -incluindo a crítica a Obama por copiar o discurso de um amigo, o governador Deval Patrick de Massachusetts- não parecem coisas capazes de reverter uma eleição.

E Penn, ao ser perguntado até que ponto a campanha poderia acentuar os contrastes entre os candidatos nas próximas semanas, respondeu por e-mail que Hillary não pretendia lançar novas linhas de ataque por ora.

"Realmente cabe à imprensa cavar mais fundo e checá-lo cuidadosamente", ele escreveu. "Este não é nosso trabalho."

Hillary acordou na quarta-feira consciente de que perdeu quase todas as vantagens que antes podia alegar sobre Obama: dinheiro, impulso, vantagem nas pesquisas nacionais e um maior número de delegados. As pesquisas agora sugerem que os democratas estão mais inclinados para Obama do que para Hillary. Após sua nona e décima derrotas consecutivas na terça-feira, em Wisconsin e no Havaí, o tempo de Hillary está se esgotando.

Seus assessores disseram que ainda vêem um caminho para a vitória, mas reconheceram que ele está ficando mais estreito. A meta dela agora, eles disseram, é se sair bem nos Estados restantes, particularmente Ohio, Texas e Pensilvânia, para reduzir a vantagem de Obama em número de delegados eleitos enquanto a disputa se move para além das primárias e convenções, cabendo a decisão para os chamados superdelegados, as autoridades eleitas e líderes do partido.

Ela está questionando as qualificações de Obama como candidato e presidente, e até certo ponto buscando ganhar tempo, na esperança de que algum evento inesperado altere a dinâmica da disputa a seu favor.

Não há grandes diferenças entre Hillary e Obama nas grandes questões, a deixando com dificuldade para tentar ganhar terreno, como ao criticá-lo por não aceitar mais debates. E o próprio Obama é um alvo difícil para a campanha de Hillary; seus associados dizem que ao buscar ser o primeiro presidente negro, a raça tem pesado nos debates prolongados sobre como desacreditá-lo.

O uso de Bill Clinton para questionar as qualificações de Obama deixou Hillary Clinton aberta a ataques de que buscava realizar uma campanha com tons raciais. Isto foi particularmente desagradável, considerando o quanto a campanha visava usar Bill Clinton para manter Hillary competitiva entre os eleitores negros.

Mensagens que os assessores de Hillary consideravam eficazes após testá-las em grupos focais, como lembrar aos eleitores que há poucos anos Obama era um mero senador estadual de Illinois, não surtiram efeito. O argumento de que Hillary levaria mais experiência para a Casa Branca, que os assessores dela achavam que decidiria a campanha, também não ajudou muito.

Outros ataques soaram ridículos, como quando a campanha de Hillary tentou argumentar que Obama era ingênuo em sua ambição, apresentando evidência de que sonhava em ser presidente quando estava no jardim de infância.

Se puder servir de consolo para Hillary, o Comitê Nacional Republicano e o senador John McCain do Arizona, o provável candidato do partido, estão tentando as mesmas linhas de ataque que ela tem usado. O comitê emitiu uma série de linhas de argumento para os líderes do partido, como noticiado pelo site Politico.com, alegando que "a maior fraqueza (de Obama) é a inexperiência. Ele não está pronto para ser comandante-em-chefe. Ele não está pronto para ser presidente".

Membros do Partido Republicano e assessores de McCain alertaram que seria um erro presumir que aquilo que não funcionou para Hillary não funcionaria para McCain. McCain é um mensageiro diferente -um herói de guerra cujas credenciais em política externa são bem estabelecidas- e seu público é o eleitorado geral, que pode ser bem diferente dos eleitores das primárias democratas que atualmente são o público de Clinton e Obama.

"Eu acho que é a diferença entre o partido deles e o nosso", disse Robert M. Duncan, o presidente do Comitê Nacional Republicano. "Eles têm um eleitorado mais liberal. E o país é de centro-direita."

"No final se resume às questões", disse Duncan. "Eu honestamente acredito nisto: eu não consigo me lembrar de um melhor contraste para nós, entre nossos candidatos e o candidato democrata, em toda minha vida."

* Patrick Healy contribuiu com reportagem. George El Khouri Andolfato

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