UOL Notícias Internacional
 

22/02/2008

Tom áspero domina debate entre Hillary Clinton e Barack Obama

The New York Times
Patrick Healy e Jeff Zeleny
Do New York Times
Após 45 minutos amistosos, onde agiram mais como companheiros de chapa do que adversários, os senadores Hillary Rodham Clinton e Barack Obama se tornaram combativos e travaram um forte debate na quinta-feira, com Hillary acusando Obama de plágio e ridicularizando sua mensagem política como "mudança que você pode xerocar".

Hillary, que está se preparando para as primárias de 4 de março no Texas e Ohio, que seus assessores dizem que ela tem que vencer, deixou a gentileza de lado ao contestar a originalidade da oratória e idéias de Obama.

Obama, que venceu as últimas 10 disputas estaduais e conta com vantagem no número de delegados para a indicação democrata, permaneceu positivo, apesar de ter parecido culpar sua adversária por promover uma "temporada de tolices" de ataques políticos.



Em resposta à pergunta de um participante no debate, Hillary citou as notícias sobre o uso por Obama, quase que palavra por palavra, de comentários de um aliado dele, o governador de Massachusetts, Deval Patrick. Ela notou que Obama obtém grandes elogios por seus discursos e então questionou se eram autênticos ou plagiados.

Usando o slogan de Obama, ela disse: "Copiar passagens inteiras dos discursos de outras pessoas não é uma mudança em que podemos acreditar. É mudança que você pode xerocar".

Obama, falando de forma suave, censurou Hillary pelo comentário, notando que as semelhanças com os comentários de Patrick se limitavam a poucas linhas -e acrescentou que Patrick, um membro de sua equipe de campanha, o encorajou a usar os comentários.

"A noção de que plagiei um dos meus co-diretores nacionais, que me deu o texto e me encorajou a usá-lo, é tolice", disse Obama.

Hillary entrou no debate, que ocorreu na Universidade do Texas, em Austin, com seus assessores um tanto divididos sobre quão agressiva ela devia ser contra Obama, que está desfrutando de um impulso político significativo após a série de 10 vitórias nas últimas disputas pela indicação.

Os assessores dela disseram que ela acreditava que o simples sentar no palco, apresentando seus argumentos lado a lado com Obama, conquistaria os pontos porque ela pareceria experiente e presidencial. Mas alguns assessores disseram que ela precisava ser mais assertiva em fazê-lo parecer despreparado para o cargo.

Quanto ao seu desempenho, Hillary pareceu às vezes à vontade enquanto apresentava seus argumentos; em outros momentos, ela parecia como se mal pudesse esperar para atacar Obama ou responder aos seus comentários. Ainda assim, pouco do que ela disse pareceu incomodá-lo. Em geral, ele se ateve aos seus temas de discussão e, às vezes, quando ela o atacava, ele dizia que responderia às críticas dela nos temas.

Durante o debate, Hillary buscou minar a estatura do seu rival, se referindo a uma entrevista para a "MSNBC" na noite de terça-feira -muito reprisada nos canais de notícia por cabo e na Internet- na qual uma autoridade do Texas que está apoiando Obama não conseguiu citar qualquer realização legislativa do candidato.

"Eu acho que palavras são importantes e palavras importam, mas acho que ações falam mais alto do que palavras, e eu ofereço isso", disse Hillary.

Michael Stravato/The New York Times 
Os pré-candidatos democratas Barack Obama e Hillary Clinton participam de debate na CNN


Defendendo seu retrospecto no Senado, Obama reagiu, sugerindo que Hillary estava insultando a inteligência dos milhões de eleitores que votaram nele, participaram de seus comícios e assistiram os debates.

"A senadora Hillary disse recentemente: 'Vamos cair na real'", disse Obama. "A implicação é de que as pessoas que estão votando em mim ou estão envolvidas na minha campanha são um tanto iludidas. O pensamento é de que de alguma forma elas estão sendo enganadas, de que de alguma forma elas verão a realidade. Mas eu acho que elas percebem com muita clareza a realidade do que está acontecendo em Washington."

Mas durante grande parte do debate, os candidatos concordaram repetidas vezes em seu apoio à reforma da imigração, ajuda econômica para os americanos em dificuldades e na necessidade de democracia em Cuba. Ambos os candidatos também apelaram a uma grande parte do eleitorado do Texas -os latinos- ao enfatizar o apoio deles à reforma da imigração e seu envolvimento em legislação anterior para ajudar os imigrantes e seus parentes.

Hillary conta com os eleitores latinos, que a ajudaram a vencer as disputas no Arizona, Califórnia, Nevada e Novo México, mas Obama espera fazer incursões neste segmento do eleitorado com argumentos econômicos populistas e enfatizando a necessidade da imigração.

Hillary Clinton também defendeu seu apoio à construção de uma barreira física ao longo da fronteira com o México -notando duas vezes que Obama também votou a favor dela- mas pedindo ao mesmo tempo uma revisão do projeto que, segundo ela, se tornou "absurdo" sob o governo Bush.

"Há uma forma inteligente de proteger nossas fronteiras e há uma forma idiota de proteger nossas fronteiras", ela disse. "E como em tantas outras ocasiões, o governo foi ao segundo extremo, e infelizmente está apresentando um plano contraproducente." Ela também acrescentou, recebendo aplausos, que consultaria as pessoas que vivem na fronteira.

Obama quase que repetiu os comentários dela, também obtendo aplausos com sua estilingada contra o atual presidente.

"O governo Bush não é bom em escutar -não é algo que ele faz bem", disse Obama.

Ambos os candidatos também concordaram que nenhum aspecto de uma cultura bilíngüe é ruim para os Estados Unidos.

"Eu acho que é importante para muitos americanos fazer o que nunca tive oportunidade -aprender outra língua", disse Clinton. Ao mesmo tempo, apesar de ter notado que é contrária a tornar o inglês a língua nacional oficial, ela disse que ela deve permanecer a língua "comum unificadora" de todos os americanos.

Ao ser perguntado sobre Cuba, Obama disse estar disposto a se encontrar com Raúl Castro "sem pré-condições", mas também insistiu que as conversações teriam que tratar de direitos humanos, libertação dos prisioneiros políticos e outras questões".

"Eu apóio uma eventual normalização e é verdade que considero que nossa política foi um fracasso", ele disse.

Clinton respondeu dizendo que os Estados Unidos devem realizar negociações diplomáticas "com qualquer um", mas notou que ela e Obama divergiam em relação ao momento e se o presidente deveria oferecer um encontro com líderes estrangeiros sem pré-condições.

"Eu estaria pronta para estender a mão e trabalhar com um novo governo cubano assim que ele demonstrasse estar pronto para mudar de direção", disse Clinton. "Eu não me encontraria com ele até haver evidência de que a mudança está acontecendo."

Os dois rivais também citaram John F. Kennedy -Obama lembrou a visão do ex-presidente de que os Estados Unidos não devem ter medo de negociar, e Clinton expandiu esse comentário notando que Kennedy "esperaria a realização de muito trabalho preparatório".

Pressionados a exporem suas diferenças na condução da economia, os dois candidatos usaram seu tempo para expor seus programas, enfatizando idéias para empregos relacionados a energia e meio ambiente, assim como em fechar as brechas no código tributário e nos acordos comerciais que beneficiam as empresas e americanos ricos.

"A pergunta que as pessoas têm que fazer é como conseguiremos isso?" disse Obama. "É minha forte crença de que as mudanças só vão ocorrer quando criarmos uma coalizão de trabalho em prol da mudança." Ele disse que ele e Hillary podem ter uma "pequena diferença" em sua abordagem para superar os lobistas e outros interesses especiais para mudar a política econômica em Washington.

Hillary repetiu seus pedidos freqüentes por uma moratória de 90 dias nas execuções das hipotecas e congelamento das taxas de juros por cinco anos.

Obama venceu as 10 últimas primárias e convenções, mais recentemente as disputas em Wisconsin e no Havaí na noite de terça-feira. Ele conseguiu vitórias por grandes margens em muitos Estados e, em alguns resultados notáveis em Wisconsin, tirou votos de grupos com os quais Hillary Clinton contava, como as mulheres, membros de sindicatos, pessoas de meia-idade e eleitores de renda média e baixa.

Os assessores de Hillary disseram que ela precisa vencer nas primárias do Texas e Ohio, em 4 de março, com pelo menos 10 pontos percentuais de vantagem caso queira ter alguma esperança de alcançar Obama em número de delegados, particularmente porque, os assessores dela disseram, Obama exibiu impulso ao obter recentemente o apoio de autoridades eleitas, que contam como superdelegados na matemática para a indicação.

Até mesmo o ex-presidente Bill Clinton, que tem se mantido otimista em relação ao talento e candidatura de sua esposa, disse na quarta-feira que ela tem que vencer no Texas e Ohio para continuar na disputa pela indicação. "Está tudo nas mãos de vocês", ele disse em um comício no Texas.

Os dois candidatos deverão se encontrar para um último debate na próxima semana, em Ohio. George El Khouri Andolfato

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