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22/02/2008
Destruição de satélite pelos Estados Unidos deixa muitas dúvidas no ar

Thom Shanker
Em Washington


As imagens da missão da Marinha dos Estados Unidos que abateu um satélite desgovernado, divulgadas na quinta-feira (21/02), mostram um míssil interceptador subindo e deixando um rastro brilhante de combustível em ignição, e, a seguir, uma bola de fogo, e um halo de vapor. Uma nuvem de destroços fez com que restassem poucas dúvidas de que o míssil acertou em cheio o alvo, que estava nos seus últimos dias de órbita, 210 quilômetros acima do Oceano Pacífico.

Porém, paira sobre a questão um tipo diferente de dúvida, expressa por analistas políticos, alguns políticos e cientistas, e por diversas potências, incluindo a China e a Rússia: a população do planeta deveria estar respirando aliviada por ter acabado o risco de que meia tonelada de combustível de foguete tóxico e congelado caísse sabe-se lá onde? Ou as pessoas deveriam estar preocupadas com a última exibição de talento técnico dos Estados Unidos, e encarar o episódio como um teste mal dissimulado de um programa secreto anti-satélites?

O secretário de Defesa Robert M. Gates, que deu pessoalmente a ordem para o abate do satélite na quarta-feira, disse a repórteres no Havaí, na quinta-feira, que está preparado para compartilhar alguns detalhes sobre a operação com a China a fim de reduzir os temores chineses de que os fragmentos do foguete ainda possam representar perigo. O almirante Timothy J. Keating, comandante das forças norte-americanas no Pacífico, também fez contato com diversas nações da área para explicar a missão.

Quanto às preocupações de ordem diplomática, autoridades graduadas de Washington repeliram as dúvidas levantadas pelos chineses e pelos russos, e ecoada por alguns especialistas em controle de armamentos, que questionam se o episódio não teria sido de fato um teste de armas espaciais. As autoridades ressaltaram que o míssil utilizado na operação, o interceptador SM-3 da marinha, foi projetado para conter um ataque limitado com mísseis balísticos, e precisou ser completamente reprogramado para esta missão inesperada, um problema com o qual o governo dificilmente voltará a se defrontar.

Quando se trata de defesa contra mísseis, um interceptador precisa localizar uma ogiva inimiga de temperatura elevadíssima quando esta percorre um arco em uma trajetória balística relativamente curta - uma tarefa muitas vezes descrita como "acertar uma bala com outra bala". Desta vez, o alvo - muito maior do que uma ogiva, e tendo quase o tamanho de um ônibus escolar - dava voltas em torno da Terra de forma previsível, percorrendo cerca de 16 órbitas por dia.

Mas ainda assim tratava-se de uma operação difícil. O tanque de combustível, que era a mosca do alvo, tinha apenas cerca de um metro de diâmetro.

E embora os Estados Unidos já tivessem acertado anteriormente alvos no espaço - incluindo um satélite destruído em 1985, em uma demonstração de uma arma anti-satélite lançada de um avião de caça - as demonstrações de sucesso foram muito poucas.

O que o impacto bem sucedido ocorrido no espaço na última quarta-feira provou não foi a infalibilidade do sistema, mas sim a existência de uma capacidade militar robusta e flexível que pode ser citada por qualquer um dos lados no debate que certamente se seguirá.

A missão foi conduzida a partir de belonaves da marinha. Assim sendo, os Estados Unidos são capazes de movimentar capacidade de destruição de satélites a bel-prazer por um território superior a três quartos da superfície da Terra.

O interceptador de defesa contra mísseis foi convertido em um instrumento anti-satélite em pouco mais de um mês. Não houve nenhuma pesquisa ou programa de desenvolvimento caros. Nenhuma batalha com o Congresso em torno de verbas. Nenhum projeto começado da estaca zero em um laboratório.

Essa exibição de agilidade militar não tem como não obrigar qualquer adversário a fazer uma pausa para reflexão.

"Esse era um território desconhecido", explica o general do Corpo de Fuzileiros Navais James E. Cartwright, que é vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas. "O grau de dificuldade técnica envolvida nesta operação foi significativa".

Cartwright observa que elementos importantes do sistema de defesa anti-mísseis do país foram usados, especialmente os sensores.

"Estas foram as peças-chaves do sistema de defesa contra mísseis que utilizamos. A fim de preparar o foguete anti-mísseis para a missão, acrescentamos muitos instrumentos. Fizemos algumas modificações no software para podermos atingir um satélite".

Em uma linguagem algo teatral, a missão foi elogiada por Riki Ellison, presidente da Aliança de Apoio à Defesa Contra Mísseis, um dos grupos mais ativos que promovem o desenvolvimento de sistemas de defesa anti-mísseis.

"O fato concreto ao se utilizar defesas anti-mísseis para destruir um satélite em queda, um míssil balístico ou até mesmo um meteoro que poderia arriscar a vida humana é que isto representa uma proeza da humanidade", declarou a organização em um comunicado.

Porém, a missão bem-sucedida não prova de forma alguma que os Estados Unidos estejam protegidos de um ataque nuclear, ou que o país possa fazer o que bem quiser no espaço.

No início de uma série de encontros na Ásia com a duração de uma semana, Gates afirmou que o debate para determinar se o sistema de defesa anti-mísseis dos Estados Unidos funciona é "página virada", mas que ainda existem dúvidas relativas aos tipos exatos de ameaças representadas por mísseis contra os quais o sistema poderia ser utilizado.

"A questão de saber se tal sistema funciona foi resolvida", afirmou Gates em Pearl Harbor, após uma visita ao destróier Russel, que participou da operação de destruição do satélite. "A questão agora é determinar o tipo, o tamanho e o grau de sofisticação da ameaça".

A Casa Branca e o Pentágono declararam que o perigo representado pelo satélite defeituoso do Departamento Nacional de Reconhecimento estava no seu combustível. Pode demorar de 24 a 48 horas até que as autoridades tenham condições de afirmar com certeza que o tanque de combustível foi perfurado e que a hidrazina nele contida não representa mais um perigo.

Mas o deputado Edward J. Markey, democrata por Massachusetts e membro do Comitê da Câmara para Segurança Nacional, afirmou: "Os problemas de ordem geopolítica causados por essa operação poderão ser bem maiores do que os problemas de natureza química que resultariam da queda do satélite. A decisão do governo Bush de usar um míssil para destruir o satélite com base em uma justificativa questionável relativa à 'segurança' representa um grande perigo, pois pode ser uma declaração de que a "temporada de caça" está aberta para que outras nações testem armas com o objetivo de utilizá-las contra os nossos satélites. A Rússia e a China sem dúvida encaram essa interceptação como uma prova de que os Estados Unidos já estão engajados em uma corrida armamentista no espaço, e de que precisam alcançar os norte-americanos".

Na quinta-feira o governo chinês advertiu que a ação da Marinha dos Estados Unidos pode ameaçar a segurança no espaço. Liu Jianchao, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse em uma coletiva à imprensa em Pequim que os Estados Unidos deveriam distribuir imediatamente os dados sobre a trajetória das partes remanescentes do satélite.

"A China está acompanhando contínua e atentamente o possível dano causado pela ação dos Estados Unidos à segurança no espaço e a países relevantes", declarou Liu, segundo a Associated Press.

* Mark Mazzeti, do Havaí, e Keith Bradsher, de Hong Kong, contribuíram para esta matéria.

Tradução: UOL

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