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26/02/2008

Pesquisa revela que vida religiosa americana é fluida e diversa

The New York Times
Neela Banerjee
Em Washington
Mais de um quarto dos adultos americanos deixaram a fé da infância por outra ou nenhuma religião, de acordo com uma nova pesquisa de afiliação religiosa do Fórum de Religião e Vida Pública do centro Pew.

O relatório, intitulado "Pesquisa do cenário religioso americano", retratou uma vida religiosa nacional altamente fluida e diversa. Incluindo mudanças entre denominações protestantes, 44% dos americanos mudaram de afiliações religiosas.

Há ao menos uma geração que os acadêmicos observam que mais americanos estão mudando de religião, com um declínio da lealdade às denominações. A pesquisa, baseada em entrevistas telefônicas entre mais de 35.000 americanos, oferece uma das visões mais claras da tendência, disseram os acadêmicos. O escritório do censo dos EUA não acompanha afiliações religiosas.

A pesquisa mostra, por exemplo, que toda religião está perdendo e ganhando membros, mas a Igreja Católica Romana "teve as maiores perdas líquidas como resultado de mudanças de afiliação". A pesquisa também indica que o grupo que teve o maior ganho líquido foi o de não afiliados. Dos adultos americanos, 16% dizem que não fazem parte de uma fé organizada, o que torna os não afiliados o quarto maior "grupo religioso" do país.

Os detalhes da natureza da afiliação religiosa - o número de praticantes, seu nível educacional e social - assinalam quem poderia dominar a vida cultural e política do país, disse John Green, autor do relatório e especialista de religião e política americana do Pew.

Michael Lindsay, diretor assistente do Centro de Raça, Religião e Vida Urbana da Universidade Rice, concorda: "A religião é o fator mais importante por trás das atitudes e comportamentos americanos", disse Lindsay, que havia lido o relatório Pew. "É um poderoso indicador de para onde os EUA estão indo em política, cultura e vida familiar. Se você quer entender os EUA, tem que entender a religião nos EUA".

Nos anos 80, a Pesquisa Social Geral do Centro de Pesquisa de Opinião Nacional determinou que entre 5% a 8% da população não era afiliada a uma religião em particular.

A pesquisa Pew, disponível na Internet em religions.pewforum.org, foi conduzida entre maio e agosto de 2007. A margem de erro variou entre mais ou menos um ponto percentual para a amostra total; 2 pontos para católicos e 8 pontos para hindus.

Da população adulta, 16% não são afiliadas a uma fé enquanto que apenas 7% não eram na infância. Os não afiliados, na maior parte, são homens com menos de 50 anos. "Quase um em cada cinco homens diz que não tem uma afiliação religiosa formal, comparado com aproximadamente 13% das mulheres", disse a pesquisa.

O aumento do número de não afiliados, entretanto, não significa que os americanos estão se tornando menos religiosos. Contrariamente às premissas que a maioria dos não afiliados é ateu ou agnóstico, a maior parte disse que não tinha uma religião "em particular". Os pesquisadores do Pew disseram que projetos posteriores mergulharão mais profundamente em suas crenças e práticas e tentarão determinar se permaneceriam não afiliados com a idade.

Os outros grupos que receberam pessoas em termos líquidos foram igrejas protestantes sem denominação, na maior parte evangélicas, e mega-igrejas; pentecostais; a e a igreja sagrada, outra denominação evangélica.

Enquanto as fileiras dos não afiliados vêm crescendo, o protestantismo vem caindo, revelou a pesquisa. Nos anos 70, os protestantes eram cerca de dois terços da população. A pesquisa Pew concluiu que hoje eles perfazem cerca de 50%. Os cristãos evangélicos são uma estreita maioria dos protestantes, e os que deixam uma denominação evangélica em geral se mudam para outra, em vez de procurarem as igrejas principais.

Stephen Prothero, diretor do departamento de religião da Universidade de Boston, disse que o grande número de americanos deixando a religião organizada ou ainda abraçando o fervor do cristianismo evangélico tinha os mesmos desejos.

"A tendência é na direção de uma religião mais pessoal, e os evangélicos oferecem isso", disse Prothero, explicando que as igrejas evangélicas adaptavam mais suas atividades aos jovens.

"Os que estão perdendo estão oferecendo uma religião e impessoal", disse ele. "Os que estão ganhando estão oferecendo uma escala menor: as mega-igrejas tiveram sucesso não porque são mega, mas porque dentro têm ministérios menores".

A percentagem de católicos na população americana manteve-se estável em cerca de 25% por décadas. Isso, contudo, mascara um declínio forte de católicos nascidos nos EUA. A proporção foi reforçada pelo grande influxo de imigrantes católicos, na maior parte da América Latina, segundo a pesquisa.

A Igreja Católica Romana perdeu mais fiéis do que qualquer outro grupo: cerca de um terço dos entrevistados criados como católicos disse que não mais se identificava dessa forma. Com base nesses dados, a pesquisa concluiu: "Isso significa que cerca de 10% de todos os americanos são ex-católicos".

A imigração continua influenciando muito a religião americana, revelou a pesquisa. A maioria dos imigrantes é cristã, e quase metade são católicos. Os muçulmanos competem com os mórmons pelas maiores famílias. E os hindus são os mais educados e estão entre os mais ricos dos grupos religiosos, segundo a pesquisa.

"Eu acho que os políticos vão estudar essa pesquisa para ver quais grupos devem ser seu alvo", disse Prothero. "Se a população hindu é desprezível, eles não precisam se preocupar com ela. Mas se for rica, então têm que prestar atenção."

Os especialistas dizem que a ampla variedade de afiliações religiosas pode estabelecer um cenário para maiores conflitos políticos e morais, ou novas alianças em questões específicas, como os religiosos fizeram na questão da mudança climática ou os judeus e hindus fizeram em torno das relações entre os EUA, Israel e Índia.

"Estabelece um potencial para grandes discussões, mas também há a possibilidade de todo tipo de síntese criativa. A diversidade é uma faca de dois gumes", disse Green do Pew. Deborah Weinberg

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