UOL Notícias Internacional
 

06/03/2008

Bloco latino condena ataque que matou líder das Farc

The New York Times
Simon Romero*

Em Caracas, Venezuela
A Organização dos Estados Americanos aprovou na quarta-feira uma resolução condenando a incursão militar colombiana no Equador como uma violação de soberania, em uma medida visando reduzir a crise diplomática nos Andes, envolvendo Colômbia, Equador e Venezuela.

A resolução foi aprovada em Washington após discussões nas quais os Estados Unidos foram o único país no hemisfério a apoiar explicitamente a Colômbia, uma importante aliada do governo Bush. A medida não chegou a condenar a Colômbia pela incursão, que ocorreu no sábado e matou 24 guerrilheiros, incluindo um alto comandante do grupo rebelde colombiano, as Farc.

"Nós consideramos este acordo um triunfo do conceito de que o território de cada país não deve ser violado seja por qual for o motivo", disse Maria Isabel Salvador, a ministra das Relações Exteriores do Equador, em uma entrevista por telefone em Washington. "O Equador é um país pacífico que foi arrastado para esta situação infeliz."


David Fernandez/EFE
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Fernando Bizerra Jr./EFE
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Apesar da resolução permitir que tanto a Colômbia quanto o Equador mantenham sua honra e comecem a reparar as relações que foram seriamente abaladas nesta semana, ela não trata de algumas das implicações mais amplas da incursão da Colômbia. A principal entre elas é o apoio enfático aos guerrilheiros colombianos manifestado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Chávez mobilizou suas forças armadas em resposta à incursão colombiana, prometendo guerra com a Colômbia caso tentasse uma incursão semelhante em território venezuelano, onde tanto as Farc (as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) quanto um grupo menor, o Exército de Libertação Nacional, ou ELN, operam ao longo da fronteira.

A movimentação de tropas venezuelanas prosseguiu na quarta-feira, com o ministro da Defesa, Gustavo Rangel, dizendo que 10 batalhões de tanques foram enviados para a fronteira, juntamente com a mobilização da força aérea e da marinha. Rangel disse que as manobras visavam conter o alcance dos Estados Unidos.

"Não é contra o povo da Colômbia, mas sim contra os desígnios expansionistas do império", disse Rangel, se referindo aos Estados Unidos, em uma coletiva de imprensa aqui.

A Colômbia reiterou na quarta-feira que não planeja enviar tropas para sua fronteira em resposta à ação da Venezuela. "As instruções precisas para nossas forças armadas são de não deslocar um único soldado para a fronteira", disse o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel dos Santos.

A mobilização da Venezuela provocou uma reação do governo Bush, que retratou a Colômbia como uma aliada que precisa de um acordo comercial, que foi adiado por causa das preocupações com as mortes de líderes sindicais colombianos.

"Nós achamos curioso que um país como a Venezuela levante o espectro de uma ação militar contra um país que está se defendendo do terrorismo", disse Dana Perino, a porta-voz da Casa Branca. "Eu acho que isto diz muito sobre a Venezuela."

Chávez se irritou com a forma como Washington retratou a política venezuelana, posicionando a disputa como uma luta entre o Equador e a Venezuela, dois governos de mentalidade semelhante, e a Colômbia, a maior recebedora de ajuda militar americana na América Latina e uma das maiores fora do Oriente Médio.

"Precisa ser dito: Eles, o império e seus lacaios, são a guerra. Nós somos a paz. Nós somos o caminho para a paz", disse Chávez em comentários na televisão estatal daqui.

Chávez acrescentou que esteve discutindo a disputa com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. A França vinha contando com a mediação de Chávez na tentativa de libertação de Ingrid Betancourt, uma refém das Farc com dupla cidadania, francesa e colombiana, que já foi candidata à presidência da Colômbia.

O Equador também disse que estava enviando 3.200 soldados para sua fronteira após a incursão da Colômbia, no sábado. Apesar do presidente Rafael Correa não ter ido tão longe quanto Chávez na demonstração de apoio às Farc, autoridades de seu governo disseram que há pouco que possam fazer para impedir que os guerrilheiros colombianos retornem à área.

Correa chegou aqui na noite de quarta-feira para um encontro com Chávez, após visitas aos líderes do Peru e do Brasil em uma tentativa de garantir apoio às críticas do Equador à incursão colombiana.

"O fracasso em obter o apoio da Venezuela e do Equador em relação aos riscos representados pelas Farc, que praticam tráfico de drogas, seqüestros e violência terrorista, é um fracasso da política tanto da Colômbia quanto dos Estados Unidos", disse Mark Schneider, um conselheiro especial para América Latina do International Crisis Group, uma organização de pesquisa em Bruxelas.

A Colômbia está saindo da disputa com uma grande vitória tática contra as Farc, ao ter matado Raul Reyes, supostamente o segundo em comando do grupo, atrás de Manuel Marulanda, o chefe de 77 anos dos guerrilheiros.

Mas persiste um mal-estar na região com a forma com a qual a Colômbia realizou a operação, agindo sem o conhecimento do governo equatoriano cerca de 1,5 quilômetro dentro do território do Equador.

A resolução aprovada na quarta-feira exige que Jose Miguel Insulza, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, forme uma comissão para viajar até a província de Sucombios, no Equador, e cruze a fronteira para a província de Putumayo, Colômbia, para investigar o ataque e determinar formas de reparar as relações entre os dois países.

Mas a resolução não menciona a crescente tensão entre a Colômbia e a Venezuela, especialmente após a expulsão por Chávez do embaixador da Colômbia e outros funcionários diplomáticos daqui nesta semana.

Em jogo está o comércio anual de US$ 5 bilhões entre a Colômbia e a Venezuela, a redução do comércio de US$ 2 bilhões entre a Colômbia e o Equador, com a redução do comércio na fronteira na quarta-feira a itens essenciais, como comida.

"Os últimos dias mostraram que a radicalização das posições das partes envolvidas no conflito não são do interesse da paz", disse Aldo Civico, diretor do Centro de Resolução de Conflitos Internacionais da Universidade de Colúmbia. "Pelo contrário, elas desestabilizam a região."

* Jenny Carolina Gonzalez, em Bogotá, Colômbia; Uta Harnischfeger, em Zurique; e Ginger Thompson, em Washington, contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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