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06/03/2008

Diversão combina com trabalho e ainda gera lucros

The New York Times
Lisa Belkin
Daniel Horowitz/The New York Times 

O trabalho, em seu sentido mais tradicional, é a antítese da diversão. Como minha avó dizia quando eu reclamava de um chefe ou de um prazo: "É por isso que chamam de trabalho".

Vovó ficaria surpresa com o que Adrian Gostick e Scott Christopher têm a dizer em "The Levity Effect: Why It Pays to Lighten Up" (o efeito leveza: por que vale a pena ser mais leve). O livro, que será lançado no final deste mês, examina como a diversão no escritório aumenta a produção. E eles estão falando sério.

"Se estiverem morrendo de rir, vão morrer de trabalhar", disse Christopher, comediante e humorista da revista "Human Capital".

"Quando estão rindo, estão ouvindo", disse Gostick, autor e consultor sobre motivação no trabalho.

Os dois riem enquanto listam seus argumentos favoritos: se você for divertido, será contratado! Um estudo com 737 diretores executivos de importantes corporações revelou que 98% prefeririam contratar um candidato com um bom senso de humor do que um que não o tivesse.

Divertir-se torna as pessoas leais! De acordo com uma pesquisa feita entre 1.000 trabalhadores pela firma de pesquisa Ipsos para os autores, os funcionários que riem no trabalho tendem a ficar. Aqueles que classificaram o senso de humor de seu chefe como "acima da média" também disseram que havia 90% de chance de permanecerem no emprego por mais de um ano. As chances dos funcionários que trabalhavam para chefes cujo senso de humor foi classificado como "médio" ou inferior de permanecerem no emprego caíram para 77%.

Pessoas divertidas vão longe! De acordo com um estudo da "Harvard Business Review", executivos descritos pelos colegas como tendo um bom senso de humor "sobem a escada corporativa mais rapidamente e ganham mais dinheiro que seus pares".

Uma boa risada faz bem à saúde! Um estudo da Universidade de Maryland mostrou que, enquanto o estresse faz cair o fluxo sanguíneo, o humor faz com que aumente.

Em 22%.

Entendido. A risada é benéfica. E potencialmente boa para os negócios. Mas esse conhecimento também não é uma forma de estresse? Quero dizer, e se você não for divertido?

Já não temos preocupações suficientes em uma entrevista de emprego sem precisar acrescentar "capacidade de fazer comédia"? Afinal, o humor é tão subjetivo e tão potencialmente humilhante quando não dá certo. E os chefes já não têm preocupações demais com esta economia em desaceleração, sem ainda terem que cumprir a expectativa de serem capazes de unir as tropas fazendo-as rir? Muitas pessoas inteligentes e astuciosas por aí não têm razão para se levantar diante dos colegas e fazer uma sessão de comédia.

Nada a se preocupar, disse Gostick. "Falamos mais de leveza; de uma pessoa divertida em vez de engraçada", disse ele. "Grandes líderes têm um jeito para trazer leveza para o escritório".

"O chefe não é necessariamente aquele que faz o humor", acrescentou Christopher (os dois tendem a se alternar em entrevistas), "é mais como aquele que permite o humor, ou menos, que tolera o humor".

Nos últimos anos, um número crescente de empresas batalhou para ter escritórios "leves", disse Gostick.

A Bain & Co., firma de consultoria em empresas, faz isso reunindo mais de 400 funcionários do mundo todo para o torneio anual de futebol Bain World Cup. A Lego America, que fabrica brinquedos, estimula os funcionários a irem para o trabalho de lambreta. A Google tem jogos de hóquei sobre rodas no estacionamento duas vezes por semana. Além disso, tem torneios contínuos de palavras cruzadas e vangloria-se de um piano de cauda em sua sala de recreação. Em contraste, a sala de recreação da Whole Foods tem um quadro negro, muito mais humilde, no qual os trabalhadores são estimulados a rabiscar.

Algumas empresas de fato dão a um grupo ou a um indivíduo a responsabilidade de planejar a leveza.

Na agência de propaganda Iris North America, o grupo é chamado "Esquadrão do Sorriso", disse Stewart Shanley, fundador. O esquadrão é supervisionado pelo chefe de pessoal, tem logotipo e orçamento próprios e é responsável pelo "bem-estar geral e eventos fortuitos", na agência de quase 75 funcionários, disse Shanley.

"A felicidade é o que faz as pessoas produzirem", disse ele. "O truque para administrar uma empresa de sucesso é atrair talentos e depois, e esta é a parte que as pessoas parecem esquecer, segurar esse talento. Para isso servem os esquadrões."

O Esquadrão do Sorriso muitas vezes se une ao Esquadrão dos Esportes, que estimula todos a exercitarem-se, e o Esquadrão do Estímulo, que, explicou Shanley, "de vez em quando leva as pessoas para sair e as deixa alegremente bêbadas".

Nossa. Bebida sancionada pela empresa? Isso não deixaria algumas pessoas em situação desconfortável? E aqueles que estão se recuperando do alcoolismo? Ou aqueles cuja religião ou saúde proíbe a ingestão de álcool? E os alérgicos?

"Há uma hora e um lugar para tudo", disse Christopher. "Leveza não significa falta de sensibilidade."

Entretanto, o que é sensível para uma pessoa não é para outra, e a idéia de diversão para uma pessoa torna-se base para uma ação legal para outra. Assim como algumas empresas parecem estar acertando, a história recente também está cheia de exemplos de patrões que erraram o alvo.

Um estudo japonês publicado em fevereiro, por exemplo, explorou o dano físico e emocional vivenciado por mulheres que trabalhavam no comércio e precisavam sorrir continuamente. Algumas vezes são treinadas por um "consultor de sorriso", que promovem sorrisos mais amplos e com mais dentes.

Makoto Natsume, médico da Universidade de Osaka, identificou uma "síndrome da máscara de sorriso", que leva as mulheres a reprimirem suas verdadeiras emoções, causando depressão, dores musculares e lesão por estresse repetitivo da face.

Em outras palavras, a leveza forçada pode deixar a pessoa doente.

Há também o caso do cirurgião oral Robert Woo, de Auburn, Washington, que substituiu os dentes de sua assistente com um implante. Acontece que a família da mulher criava porcos, e ela freqüentemente falava sobre eles com os colegas no escritório.

Enquanto a assistente estava anestesiada para os implantes, Woo fez uma espécie de brincadeira. Ele instalou dentes que pareciam presas de javali (que Woo deve ter achado similar aos dentes de porcos) e tirou fotos da funcionária sedada. Quando ela acordou, os dentes novos e corretos estavam no lugar.

No entanto, a assistente descobriu o que havia acontecido quando as fotos apareceram em uma festa do escritório.

Ela deixou o emprego e o processou, recebendo US$250.000 (cerca de R$ 500.000). Deborah Weinberg

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