UOL Notícias Internacional
 

06/03/2008

Ressurreição de Hillary Clinton revela que eleitorado ainda está dividido

The New York Times
Patrick Healy
Do New York Times
Depois de onze derrotas, a vitória da senadora Hillary Rodham Clinton na noite de terça-feira (04/03) eliminou as nuvens que anunciavam derrota iminente, mostrando que, apesar da liderança de Obama em número de delegados, ela ainda pode vencê-lo nos grandes Estados.

Ohio foi um dos dois campos de batalha - junto com o Texas- onde Obama ia acabar com o último oponente em sua nomeação histórica, finalmente transmitindo sua mensagem de esperança enquanto destruía as esperanças de uma extensa dinastia presidencial Clinton.

Ainda assim, o eleitorado americano dividido e excitado pesou mais uma vez e deu a Hillary uma vitória que ressuscitou sua candidatura, justo quando parecia estar em seus momentos finais.

Justin Sullivan/Getty Images/AFP 
Hillary Clinton comemora vitória nas primárias de Ohio na noite de terça-feira

Para Hillary, a batalha à frente não é tanto contra Obama quanto contra os poderosos no Partido Democrata, que antes pareciam prontos a se unir em torno dela. O partido agora quer um porta-bandeira que lute contra o líder recém firmado pelos republicanos, o senador John McCain, que selou sua nomeação com a derrota de Mike Huckabee, na terça-feira.

De acordo com os assessores de Hillary, a vitória em Ohio e a boa demonstração no Texas -onde as pesquisas de boca de urna mostraram que ela vence entre as mulheres, eleitores brancos e hispânicos, em uma disputa extremamente próxima- são suficientes para argumentar que ela deve permanecer na luta ao menos até a primária de 22 de abril na Pensilvânia, mesmo que Obama tenha mais delegados.

Obama, enquanto isso, aparentemente acumulará suficientes delegados de Texas e Ohio e de sua vitória em Vermont para reforçar sua vantagem matemática sobre a nomeação e novamente retratar Hillary como uma chateação que atrapalha sua caminhada para a nomeação. Ainda assim, os resultados de terça também trazem novas questões sobre sua elegibilidade em importantes Estados indecisos, como Ohio, os quais os democratas anseiam em conquistar nas eleições gerais de novembro.

"Hillary certamente está dentro do jogo", disse na terça-feira à noite a gerente de campanha de Clinton, Patti Solis Doyle.

Bill Burton, porta-voz de Obama, estava igualmente exultante.

"Esta era sua última e melhor chance de significativamente diminuir a diferença no número de delegados prometidos", disse Burton sobre Hillary, que iniciou a noite com menos cerca de 50 delegados prometidos e 100 delegados no total. "Eles fracassaram."

Hillary passou grande parte de 2007 concorrendo como a candidata da situação do Partido Democrata -acumulando endossos de líderes do partido, alistando importantes doadores de campanhas presidenciais anteriores e estabelecendo bases de operações nos Estados mais populosos.

Entretanto, ao perder o impulso contra Obama, ela passou a ser, para muitos líderes do partido, um obstáculo pela frente -enquanto ela continua a argumentar que é a melhor candidata, por virtude de sua experiência, para carregar a bandeira do partido na luta contra um herói do Vietnã e profissional de segurança nacional como McCain em uma "eleição em tempos de guerra".

Os assessores de Hillary dizem que nenhum líder antigo do partido tem estatura e poder para pressioná-la a sair, além de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. E ele quer que ela continue concorrendo mais do que qualquer um.

A nomeação não é determinada por qual o candidato vence o maior número de Estados, é claro, mas a incapacidade de Obama de vencer importantes Estados divididos além de Missouri, Minnesota e seu Estado natal de Illinois é uma preocupação para alguns democratas -especialmente agora que Ohio e Flórida se tornaram vitórias obrigatórias nas eleições presidenciais.

Hillary vem apreciando seu primeiro verdadeiro impulso ultimamente, graças a suas novas propagandas e discursos questionando as capacidades de Obama em uma situação de crise e apontando para o fato que ele não reuniu seu subcomitê do Senado para avaliar a guerra do Afeganistão. Um julgamento potencialmente embaraçoso de um antigo amigo e colaborador de Obama já começou. E importantes membros da equipe de arrecadação de fundos de Clinton dizem que uma grande vitória na terça-feira seria suficiente para revitalizar sua base de patrocinadores e manter a entrada de dinheiro.

"A montanha-russa é verdadeira na política e é o que estamos vendo nesta campanha", disse Jonathan Mantz, diretor de finanças nacional da campanha de Clinton. "Cada vez que as pessoas acharam que fomos derrotados, depois de Iowa, da Carolina do Sul, ou das primárias de fevereiro, Hillary encontrou formas de voltar."

E considere o seguinte: Hillary não só venceu nos Estados democratas poderosos da Califórnia, Nova Jersey e Nova York, mas também em Estados indecisos cruciais em uma eleição geral -um grande, Ohio, e outros importantes campos de batalha incluindo Arizona, Nevada, New Hampshire e Novo México.

Ainda assim, apesar dos milhões de votos de Hillary, a simples matemática ainda é sua inimiga. Ela agora precisa usar a noite de terça-feira para persuadir os superdelegados -centenas de líderes de partidos que votam na nomeação- a pararem de trocá-la por Obama. Entretanto, ainda não está claro que seu desempenho em Ohio será suficiente para dar a Clinton -uma política conhecida há 16 anos- uma verdadeira chance de uma avaliação fresca antes que os superdelegados fujam dela.

"Agora, ela não está combatendo Obama ou o partido, mas o relógio", disse Dan Gerstein, estrategista democrata que apóia Obama. "A matemática é tal que ela não pode vencer por meios convencionais."

Suas recentes vitórias darão aos superdelegados uma pausa para que Hillary possa prejudicar Obama com seus ataques, levá-lo a fazer uma gafe colossal (ou vê-lo fazer uma sozinho) ou esperar que a mídia desencave um escândalo sobre ele, argumentaram Gerstein e analistas independentes.

"A grande ironia é que agora ela é a candidata da 'esperança' - só o que pode fazer é esperar alguma trégua e pegar Obama tropeçando", disse Gerstein. Deborah Weinberg

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