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07/03/2008

Explosão em Times Square lembra duas outras em Manhattan

The New York Times
Al Baker*

Em Nova York
Consulado britânico em 2005. Consulado mexicano no ano passado. E na quinta-feira, um posto de recrutamento militar em Times Square.

Três atentados a bomba com artefatos semelhantes em três locais proeminentes em Manhattan, cada um ocorrendo praticamente no mesmo horário, pouco antes do amanhecer; cada um provocando poucos danos; nenhum ferindo pessoas.

E em cada um deles, uma pessoa -mais provavelmente um homem- foi vista passando de bicicleta com uma jaqueta ou agasalho com capuz cobrindo seu rosto.

Patrick Andrade/The New York Times 
Entrada do posto militar de recrutamento em Times Square onde explodiu uma bomba

Estas são as semelhanças que os detetives da polícia e agentes federais estão explorando enquanto investigam se estas explosões, aparentemente semelhantes, foram obra da mesma pessoa ou grupo, e qual o motivo.

As autoridades evitaram na quinta-feira associar de forma definitiva as explosões -ou tentarem adivinhar a relevância do último alvo, mais visível: a ilha no centro da altamente iluminada Times Square.

"O fato é que todos os três incidentes aconteceram em um espaço de 30 minutos, 25 minutos", disse o comissário de polícia Raymond W. Kelly, em uma coletiva de imprensa na Police Plaza 1, onde exibiu o vídeo de uma câmera de segurança que mostrava a explosão ocorrendo às 3h40m43, apesar dele ter dito que a polícia acredita que tenha sido mais próximo das 3h43. O atentado de 5 de maio de 2005, contra o consulado britânico, ocorreu às 3h55 da madrugada; o atentado do ano passado ao consulado mexicano ocorreu às 3h40 de 26 de outubro.

O artefato usado na quinta-feira era "semelhante" ao usado nos dois atentados anteriores, disse Kelly. Ninguém reivindicou responsabilidade pelas explosões anteriores, outra semelhança. Mais tarde na quinta-feira, as autoridades estavam investigando as cartas recebidas por membros do Congresso com fotos tiradas antes da explosão, por alguém diante do posto de recrutamento, com as palavras "Nós Fizemos".

Os dois primeiros atentados envolveram duas bombas cada, embaladas individualmente com pólvora preta. Uma tinha o formato de uma granada do tipo "limão", usada na Guerra do Vietnã, a outra se assemelhava a uma granada "abacaxi" usada durante a Segunda Guerra Mundial. Desta vez os explosivos estavam embalados em uma caixa metálica de munição, do tipo que pode ser comprada em uma loja de sobras militares. As autoridades ainda não determinaram se o explosivo era pólvora preta.

"Eu li um boletim de inteligência nesta manhã de que há um padrão de semelhança no modus operandi, especificamente na entrega dos artefatos explosivos improvisados ao alvo", disse Kevin B. Barry, que se aposentou em 2002 como um detetive do Esquadrão de Bombas do Departamento de Polícia de Nova York e que atualmente é um membro da Associação Internacional de Técnicos em Bombas e Investigadores.

"A pergunta agora é: os aspectos periciais são semelhantes? Eles são capazes de associar os três atentados?", ele disse. "E, será que o declararão um terrorista serial caso associem os componentes dos três artefatos explosivos?"

O atentado em Times Square atraiu atenção da imprensa nacional, o envolvimento do FBI e comentários dos candidatos presidenciais. Especialistas tentavam chegar aos motivos a partir das semelhanças.

"O que temos aqui é um indivíduo muito frustrado, alguém que está tentando enviar uma mensagem, mas uma mensagem muito confusa", disse Ray Pierce, um detetive aposentado de Nova York que traça perfis de criminosos.

O uso da bicicleta, o horário dos ataques na madrugada e a natureza improvisada dos artefatos, assim como a baixa potência do explosivo, sugerem um perpetrador que pode ser jovem e está mais concentrado em transmitir uma mensagem do que ferir alguém, acrescentou Pierce.

Pierce disse que as autoridades municipais devem encorajar publicamente a pessoa a iniciar um diálogo, telefonando ou escrevendo de forma anônima, até mesmo ao prefeito ou ao comissário de polícia.

"Esta é uma pessoa que pensa", disse Pierce. "Ele parece ser um ignorante, mas ele pode ser inteligente." O atentado ao consulado britânico, no nº. 845 da Terceira Avenida, entre as ruas 51 e 52, ocorreu em um dia de eleição no Reino Unido. O atentado no consulado mexicano, na rua 38 Leste, nº. 27, perto da Avenida Madison, ocorreu no primeiro aniversário da morte a tiros de Bradley Roland Will, 36 anos, um jornalista independente que viajava com freqüência para a América Latina para cobrir disputas pouco conhecidas.

E a explosão na quinta-feira ocorreu no 38º aniversário do dia em que três membros do grupo revolucionário Weather Underground explodiu acidentalmente a si mesmos na casa deles em Greenwich Village, enquanto faziam bombas. A relevância destas datas, se é que há alguma, é desconhecida.

"Poderia ser alguém de origem latina? Poderia ser alguém que acabou de voltar da Guerra do Golfo, em 2004 ou 2005, talvez, e com algum treinamento em explosivos?", disse Pierce.

As pessoas sempre agem da forma como se sentem à vontade, mesmo quando executam violência, disseram analistas. Policiais, por exemplo, freqüentemente usam armas para cometer suicídio, em vez de outros métodos, porque estão familiarizadas com elas.

"Ele se sente à vontade em sua bicicleta", disse Pierce, sugerindo que o responsável pode ser um mensageiro que usa bicicleta.

Vários analistas disseram que a perícia do artefato explosivo poderá dizer aos investigadores muito sobre com que está lidando. Autores de atentados a bomba tendem a ter assinaturas.

Barry descreveu os componentes essenciais da bomba que os investigadores "procurarão". Ele disse que são: a fonte de força, como uma pilha AA ou um pavio; um iniciador, como o próprio fusível ou um celular ou relógio; um explosivo e a chave que ativa o circuito.

Outra fonte de informação da perícia seria a caixa de munição transformada em bomba e quaisquer resquícios dela após a explosão.

Neste caso, foi uma caixa metálica usada para balas de metralhadora, disseram as autoridades. Barry disse que tal dispositivo ficaria facilmente em pedaços.

"Eles pegarão qualquer fragmento que encontrarem", disse Barry. "Eles poderiam até conseguir alguma pólvora, conseguir alguma impressão digital ou até mesmo conseguir algum DNA, de suor, por exemplo, e poderiam casar com algo encontrado em alguns dos outros dois artefatos."

Mark J. Mershon, o diretor assistente do FBI que chefia a divisão de Nova York, disse que a evidência física será levada para análise no laboratório da agência em Quantico, Virgínia, para onde as evidências dos atentados de 2005 e 2007 também foram enviadas para estudo.

*Christine Hauser, Colin Moynihan, William K. Rashbaum e Carolyn Wilder contribuíram com reportagem. George El Khouri Andolfato

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