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08/03/2008

Controvérsia cerca vacinas e autismo

The New York Times
Gardiner Harris

Em Washington
Estudo após estudo fracassou em mostrar qualquer ligação entre vacinas e autismo, mas muitos pais de crianças autistas permanecem não convencidos. Para os céticos, o caso de Hannah Poling, 9 anos, mostra que sempre estiveram certos.

O governo reconheceu que vacinas podem ter feito mal a Hannah e concordou em arcar com as despesas dos cuidados com ela. Os defensores disseram que o acordo -acertado no final do ano passado em um tribunal federal de indenização para pessoas prejudicadas por vacinas, mas revelado apenas nos últimos dias- é um reconhecimento há muito atrasado pelo governo de que vacinações podem causar autismo.

"Esta decisão dá para as pessoas um motivo significativo para serem cautelosas quanto a vacinar suas crianças", disse John Gilmore, diretor executivo do grupo Autism United, na sexta-feira. Gilmore impetrou sua própria ação afirmando que seu filho se tornou autista devido a vacinações.

Mas autoridades do governo disseram que não fizeram tal reconhecimento.

"Vamos deixar bem claro que o governo não fez absolutamente nenhuma declaração indicando que vacinas são causa de autismo", disse a dra. Julie L. Gerberding, diretora dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), na quinta-feira. "Esta é uma caracterização totalmente equivocada das conclusões do caso e uma caracterização totalmente equivocada de qualquer ciência que dispomos atualmente."

Hannah, de Athens, Geórgia, tinha 19 meses e se desenvolvia normalmente em 2000, quando recebeu cinco doses contra nove doenças infecciosas diferentes. Dois meses depois, ela desenvolveu febre, chorou inconsolavelmente e se recusava a andar. Ao longo dos sete meses seguintes ela regrediu rapidamente e em 2001 recebeu um diagnóstico de autismo.

O pai de Hannah, o dr. Jon Poling, era um residente de neurologia do Johns Hopkins Hospital na época e ela passou por uma série intensiva de testes, que apontaram uma desordem em suas mitocôndrias, as fábricas de energia das células.

Essas desordens são incomuns, seus efeitos podem ser significativos mas variados, e os problemas associados a elas podem aparecer imediatamente ou permanecerem dormentes por anos.

Há duas teorias sobre o que aconteceu com Hannah, disse sua mãe, Terry Poling. A primeira é a de que ele possuía uma desordem mitocondrial que as vacinações agravaram. A segunda é que as vacinas provocaram a desordem.

"O governo optou por acreditar na primeira teoria", disse Poling, mas acrescentou: "Nós não sabemos se ela já tinha a desordem".

Na coletiva de imprensa na quinta-feira, o dr. Edwin Trevathan, diretor do Centro Nacional para Defeitos Congênitos e Distúrbios de Desenvolvimento dos CDC, disse: "Eu não acho que dispomos de qualquer ciência que nos leve a acreditar que desordens mitocondriais sejam causadas por vacinas".

Trevathan explicou que crianças com desordens mitocondriais freqüentemente se desenvolvem normalmente até sofrerem alguma infecção. Então suas mitocôndrias são incapazes de produzir a energia necessária para nutrir o cérebro. Como resultado, elas regridem.

O caso de Poling foi parar no centro da longa controvérsia em torno do timerosal, um conservante de vacina contendo mercúrio. Alguns defensores acreditam que o timerosal está por trás do aumento do número de diagnósticos de autismo. Entre eles está Lyn Redwood, diretora da Coalition for SafeMinds.

Muitas das vacinas que Hannah recebeu continham timerosal e, para Redwood, o caso é uma nova prova dos riscos do conservante.

Os CDC, a Food and Drug Administration (FDA, a agência americana de controle de alimentos e medicamentos), o Instituto de Medicina, a Organização Mundial de Saúde e a Academia Americana de Pediatria, todos rejeitaram a noção de que o timerosal cause ou contribua para o autismo.

Cinco grandes estudos não encontraram nenhuma ligação, e desde a remoção em 2001 do timerosal de todas as vacinas ministradas rotineiramente às crianças, não houve nenhum efeito aparente sobre as taxas de autismo.

Mas muitos defensores rejeitam todas estas evidências e o caso de Hannah alimenta sua causa.

"A história dela é muito importante porque é semelhante a muitas outras, e está claro que o timerosal teve um papel", disse Rita Shreffler, diretora executiva da Associação Nacional do Autismo.

Os Polings disseram que Hannah não provou o caso contra o timerosal; mas Jon Poling notou que não há discussão de que vacinas possuem riscos.

"Elas não são seguras para todos e, por acaso, uma pessoa para a qual provaram ser inseguras foi minha filha", ele disse. George El Khouri Andolfato

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