UOL Notícias Internacional
 

08/03/2008

Crise diplomática em torno de incursão colombiana termina com aperto de mãos

The New York Times
Simon Romero e James C. McKinley Jr.
Os líderes de quatro países latino-americanos envolvidos em uma crise diplomática, causada por uma incursão militar colombiana no Equador, encerraram a disputa na sexta-feira com apertos de mão e abraços calorosos, em uma reunião que antes foi marcada por insultos e acusações de traição.

"Com o compromisso de nunca atacar um país irmão novamente e ao pedir perdão, nós podemos considerar este incidente muito sério resolvido", disse o presidente do Equador, Rafael Correa, após apertar a mão do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

Uribe iniciou o dia acusando Correa de aceitar fundos de campanha do grupo rebelde esquerdista, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc. Correa então chamou Uribe de mentiroso serial. Mas no final do dia, na reunião na República Dominicana, um encontro anual de líderes latinos, eles declararam a crise encerrada.

A disputa surgiu depois que forças colombianas cruzaram a fronteira do Equador no último sábado para matar Raúl Reyes, um alto comandante das Farc, e 23 outros no campo dos guerrilheiros em território equatoriano. O Equador e seus aliados esquerdistas Nicarágua e Venezuela reagiram cortando relações diplomáticas com a Colômbia, uma aliada do governo Bush.

A solução da disputa foi apresentada em um documento brando criticando a incursão da Colômbia no Equador, ao mesmo tempo que reconhecia a necessidade de combater os grupos armados ilegais na região. Mas imagens foram transmitidas para toda a região mostrando Uribe, que pediu desculpas a Correa, abraçando os líderes com os quais bateu boca por dias.

"Nosso governo apenas deseja paz", disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que nesta semana enviou 10 batalhões de tanques para a fronteira da Venezuela com a Colômbia, chamou Uribe de chefão da máfia e ameaçou nacionalizar as empresas colombianas na Venezuela.

A diminuição da crise ocorreu enquanto o ministro da Defesa da Colômbia dizia na sexta-feira que um alto comandante da Farc foi morto nesta semana por um de seus próprios homens.

Um desertor das Farc informou as forças de segurança colombianas sobre a morte do comandante, Manuel Jesus Muñoz, mais conhecido pelo nome de guerra Ivan Rios, e trouxe a mão cortada de Muñoz como prova, disse Juan Manuel Santos, o ministro da Defesa da Colômbia.

"Esta é uma prova de que as Farc estão ruindo", disse Santos.

Muñoz é o quinto alto membro das Farc morto no último ano.

Enquanto isso, as autoridades equatorianas anunciavam que pelo menos seis mexicanos, com ligações com grupos radicais na Cidade do México, estavam visitando o campo dos rebeldes das Farc no momento em que os colombianos atacaram.

Um deles, Lucía Morett Álvarez, 27 anos, sobreviveu ao bombardeio e continua hospitalizada em Quito, a capital do Equador. Todos os seis viajaram para Quito para participar de uma convenção de grupos esquerdistas e então decidiriam ir até o campo rebelde na fronteira.

Acredita-se que nenhum tenha tido papel militar, disseram as autoridades. "Estes são ativistas políticos radicais", disse um oficial de inteligência. "Há uma linha tênue mas importante entre isto e os guerrilheiros." George El Khouri Andolfato

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