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08/03/2008

Krugman: a eleição da ansiedade

The New York Times
Paul Krugman
Colunista do The New York Times
Os democratas venceram a eleição de 2006 em grande parte graças ao repúdio à guerra no Iraque. Mas as pesquisas -e a grande vitória de Hillary Clinton em Ohio- sugerem que se os democratas quiserem vencer a eleição neste ano, eles terão que se concentrar na ansiedade econômica.

Algumas pessoas rejeitam essa idéia. Elas acreditam que esta eleição deve ser outro referendo sobre a guerra, e, talvez ainda mais importante, sobre a forma como os Estados Unidos foram enganados para entrar na guerra. Essa crença é o motivo para muitos progressistas apoiarem fervorosamente Barack Obama, um oponente da guerra desde o início, apesar de sua plataforma doméstica estar um tanto à direita da plataforma de Hillary.

Sendo eu mesmo um oponente da guerra desde o início, eu entendo o sentimento delas. Mas deveria não vence eleições. E as pesquisas mostram que a economia superou o Iraque como a maior preocupação do público.

É verdade, as notícias do Iraque provavelmente piorarão de novo. Enquanto isso, a grande maioria dos eleitores continuará dizendo que a guerra foi um erro, e as pessoas estão furiosas com os US$ 10 bilhões por mês desperdiçados na insensatez dos neoconservadores.

Mas por ora, o otimismo da população com o Iraque está aumentando: 53% dos americanos acreditam que os Estados Unidos provavelmente ou com certeza terão sucesso em atingir suas metas. De forma que a revolta com a guerra provavelmente não será decisiva na eleição.

O estado da economia, por outro lado, poderia dar aos democratas uma enorme vantagem -especialmente junto aos eleitores brancos de classe operária que apoiaram o presidente Bush em 2004.

Mesmo em seu melhor momento, a economia de Bush deixou a maioria dos eleitores não impressionados: apenas uma vez, em janeiro de 2007, uma pequena maioria dos entrevistados pela pesquisa USA Today/Gallup descreveu a economia como "excelente" ou "boa", em vez de "só razoável" ou "ruim". Um ano depois, apenas 19% dos eleitores tinham algo bom a dizer sobre a economia.

Este colapso da confiança econômica ocorreu apesar dos plenos efeitos econômicos da implosão do mercado imobiliário e do congelamento dos mercados de crédito ainda não terem sido sentidos. Quanto mais as coisas desmoronarem, as percepções apenas piorarão.

Tudo isto deve funcionar a favor dos democratas. Eles podem contrastar o boom de Clinton com o colapso de Bush; eles podem argumentar que a ideologia econômica republicana, com sua fixação em privatização e desregulamentação, ajudou a nos colocar nesta confusão.

E John McCain pode ser ridicularizado como um homem que declarou em várias ocasiões que não sabe muito sobre economia -apenas para insistir, alegando ser uma pessoa que fala francamente, que nunca disse isso.

Mas primeiro, é claro, os democratas precisam definir um candidato. E a mudança do foco eleitoral do Iraque para a ansiedade econômica claramente favorece Clinton.

Segundo pesquisas de boca-de-urna, Obama superou por pequena margem Hillary entre os eleitores de Ohio que consideram o Iraque a questão mais importante -mas estes eleitores foram responsáveis por apenas 19% dos votos na primária democrata. Enquanto isso, Hillary teve uma vantagem de 12 pontos entre o grupo muito maior de eleitores que cita a economia como a questão mais importante -e por 16 pontos entre aqueles que citaram o atendimento de saúde. A margem de vitória de Hillary foi duas vezes maior entre aqueles que estavam preocupados com sua própria situação financeira do que entre aqueles que não.

Por que Obama tropeçou quando o foco passou a ser a economia? Bem, na questão da saúde -que está estreitamente ligada às preocupações gerais com a segurança financeira- há uma diferença clara, substantiva, entre os candidatos, com o plano de Hillary sendo significativamente mais forte.

De forma mais ampla, eu suspeito que a mística de Obama -sua imagem cuidadosamente criada de uma figura transformadora, até mesmo transcendente- criou uma reação negativa entre aqueles não convencidos de que ele está interessado nos aspectos básico de consertar as coisas. Os eleitores de Ohio exibiram uma maior probabilidade de dizer que Obama os inspirava- mas também de dizer que Hillary tem um plano mais claro para os problemas do país.

E a tentativa de Obama de conquistar os trabalhadores se retratando como um forte crítico do Tratado de Livre Comércio da América do Norte pareceu, e foi, profundamente falso -uma aparência que custou particularmente caro para um candidato que tenta parecer acima da política habitual.

Graças aos resultados de terça-feira, a disputa pela indicação seguirá para a Pensilvânia em abril, e provavelmente além, como deve ser. Agora está claro que Hillary, como Obama, tem uma forte base de apoio que não pode ser simplesmente posta de lado sem alienar eleitores com quais o partido precisará contar em novembro. Assim, é melhor o Comitê Nacional Democrata resolver logo as pendências de Michigan e Flórida, para dar ao eventual candidato a legitimidade que ele ou ela precisará.

E, enquanto os democratas ponderam suas opções, eles poderão querer considerar que candidato poderá perguntar de forma mais convincente: "Você está melhor agora do que estava há oito anos?" George El Khouri Andolfato

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